Israel reduziu o nível de suas relações diplomáticas com o Brasil depois de o governo brasileiro não responder ao pedido de aprovação de Gali Dagan como novo embaixador. A informação foi divulgada em comunicado do Ministério das Relações Exteriores israelense, citado pelo jornal The Times of Israel.
“Depois de o Brasil, de forma incomum, ter se abstido de responder à solicitação de aprovação do embaixador Dagan, Israel retirou o pedido, e as relações entre os países agora se mantêm em um nível diplomático mais baixo”, afirma a nota oficial.
A crise entre os dois governos se agravou após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acusou Israel de “genocídio” na Faixa de Gaza e comparou a situação ao Holocausto. Em fevereiro do ano passado, o governo israelense declarou Lula “persona non grata”. Segundo o Itamaraty israelense, a postura “crítica e hostil” do Brasil em relação a Israel se intensificou depois do ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
O comunicado detalha que, diante da ausência de resposta brasileira sobre a nomeação de Dagan, Israel retirou a candidatura, e as relações bilaterais passaram a ser conduzidas “em nível diplomático inferior”. O Brasil, por sua vez, já havia retirado seu embaixador em Israel no ano passado e ainda não indicou substituto.
Apesar das tensões, o Ministério das Relações Exteriores de Israel ressaltou que mantém “laços profundos com os numerosos círculos de amigos de Israel no Brasil”.
O atrito diplomático se intensificou desde maio de 2023, quando Lula anunciou a retirada do embaixador brasileiro em Tel Aviv. O representante havia regressado a Brasília meses antes, para consultas, em meio ao aumento das tensões entre os dois países.
Na ocasião, Lula declarou em Adis Abeba, na Etiópia: “O que está acontecendo na Faixa de Gaza não é uma guerra, é um genocídio. Não é uma guerra de soldados contra soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças. O que está acontecendo com o povo palestino na Faixa de Gaza não ocorreu em nenhum outro momento da história. De fato, ocorreu: quando Hitler decidiu matar os judeus”.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores de Israel reafirmou: “A postura crítica e hostil do Brasil em relação a Israel desde 7 de outubro se intensificou quando seu presidente comparou as ações de Israel às dos nazistas. Em resposta, Israel declarou o presidente brasileiro Lula persona non grata. Depois de o Brasil se abster, em contrariedade à prática diplomática aceita, de responder ao pedido de anuência para o embaixador Dagan, Israel retirou a solicitação, e agora as relações entre os dois países se desenvolvem em um nível diplomático mais baixo. O Ministério das Relações Exteriores continua mantendo estreitos vínculos com os numerosos amigos de Israel no Brasil”.
Gazeta Brasil















