Julgamento de Bolsonaro no STF é Visto como Vingança Política por Aliados e Acirra Tensões com EUA

Brasília, 02 de setembro de 2025
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), iniciado nesta terça-feira (2), é encarado por aliados como uma “vingança política” orquestrada pelo governo Lula e pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Acusado de tentativa de golpe de Estado pelos atos de 8 de janeiro de 2023, Bolsonaro enfrenta um processo que pode resultar em sua inelegibilidade definitiva e até prisão.
A tensão política no Brasil coincide com ameaças de sanções econômicas dos Estados Unidos, liderados por Donald Trump, que enxerga no julgamento uma perseguição a seu aliado ideológico, intensificando a crise diplomática entre os dois países.O Caso no STF e as AcusaçõesBolsonaro é acusado de articular uma tentativa de golpe para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta crimes como conspiração, incitação à ruptura democrática e associação criminosa, baseados em investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto. Provas incluem mensagens, depoimentos de ex-aliados e relatórios da Polícia Federal que sugerem envolvimento direto do ex-presidente.O julgamento, conduzido por Moraes, é alvo de críticas por suposta parcialidade. Aliados de Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmam no X que o processo é uma “caça às bruxas” para eliminar o principal opositor de Lula em 2026. Posts de perfis como

@RenzoGraciema

e

@MarioFriasReal

chamam Moraes de “ditador de toga” e acusam o STF de agir como “tribunal político”.

A defesa de Bolsonaro alega que ele não tinha poder sobre os manifestantes e que as acusações carecem de provas diretas.Repercussão Internacional e Ameaças de TrumpO julgamento ganhou atenção global, especialmente nos EUA, onde Trump, aliado de longa data de Bolsonaro, classificou o processo como “perseguição política”.
Em julho, Trump impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky, alegando violações de direitos humanos e censura, e aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, com isenções parciais para aviões, energia e suco de laranja. Agora, fontes em Washington indicam que o governo americano prepara sanções ao Banco do Brasil, acusado de facilitar transações ligadas a Moraes, e restrições às importações de diesel russo, essencial ao Brasil.A CNN Brasil e o Estadão reportam que as sanções ao Banco do Brasil poderiam incluir multas de até US$ 9 bilhões, inspiradas em casos como o do BNP Paribas, e limitar operações internacionais, afetando exportações de soja, carne e celulose. O bloqueio ao diesel russo, que representa 60% a 66% das importações brasileiras de combustível (US$ 5,4 bilhões em 2024), poderia elevar preços e pressionar a inflação, segundo a Abicom e analistas da StoneX.
Aspecto
Dados Relevantes
Impacto Potencial
Acusações contra Bolsonaro
Tentativa de golpe, conspiração, associação criminosa
Inelegibilidade até 2030 ou prisão
Sanções dos EUA
Tarifas de 50% sobre produtos brasileiros; possíveis sanções ao Banco do Brasil
Prejuízo ao agronegócio e aumento de custos no setor financeiro
Diesel Russo
60-66% das importações brasileiras (US$ 5,4 bi em 2024)
Alta de preços do combustível e inflação no transporte
Reação no X
#BolsonaroPerseguido com 1,2M de posts
Polarização e mobilização de apoiadores

 

 

Polarização no Brasil e ReaçõesNo Brasil, o julgamento divide opiniões. Apoiadores de Lula, como o perfil

@LulaOficial

, celebram o processo como um passo para “fortalecer a democracia”, enquanto bolsonaristas organizam manifestações em Brasília e São Paulo, com hashtags como #BolsonaroPerseguido e #STFVergonha viralizando no X. Pesquisas da Quaest indicam que 45% dos brasileiros veem o julgamento como justo, mas 38% o consideram politizado, refletindo a polarização.O governo Lula reagiu às ameaças de Trump, com o presidente afirmando em entrevista ao New York Times que não aceitará “chantagem econômica”. O Itamaraty estuda retaliações, como tarifas sobre produtos americanos, mas teme impactos no agronegócio, que depende de fertilizantes russos (US$ 1,98 bilhão no primeiro semestre de 2025) e do mercado americano para exportações.Perspectivas e RiscosAnalistas políticos, como André Cesar, da Hold Assessoria, alertam que o julgamento pode inflamar apoiadores de Bolsonaro, aumentando o risco de protestos violentos.

No cenário internacional, a BBC e o Financial Times destacam que as sanções americanas podem desestabilizar a economia brasileira, com aumento de US$ 0,15 por galão no diesel e pressão inflacionária.
A Otan, por meio de Mark Rutte, sugeriu que países como o Brasil podem sofrer “consequências severas” por manter laços com a Rússia.
O julgamento, que deve se estender por semanas, é um divisor de águas. Para aliados de Bolsonaro, é uma tentativa de silenciá-lo; para adversários, é a defesa da ordem democrática. Enquanto o STF decide, o Brasil enfrenta não apenas uma batalha judicial, mas um confronto geopolítico que pode redefinir suas relações com os EUA e o mundo.

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