Los Hermanos Socialista: Venezuela taxa o Brasil em até 77%

A recente imposição de tarifas pela Venezuela sobre produtos brasileiros, iniciada em 18 de julho de 2025, pegou exportadores e o governo brasileiro de surpresa, violando o Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), assinado em 2012, que garantia isenção de impostos de importação para a maioria dos produtos comercializados entre os dois países. Abaixo, detalho o impacto econômico dessas tarifas, com foco no contexto da guerra comercial e nas tensões mencionadas na sua pergunta, complementando com informações sobre a relação Brasil-Venezuela e o cenário político.Impacto Econômico das Tarifas Venezuelanas
  1. Taxas Aplicadas e Produtos Afetados:
    • As tarifas variam de 15% a 77%, incluindo o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 16% e taxas aduaneiras adicionais de até 40% sobre produtos como açúcar, margarina e farinha de trigo, que antes eram isentos.
    • Principais produtos impactados incluem alimentos básicos (açúcar, farinha, margarina, milho, soja), que representam grande parte das exportações brasileiras para a Venezuela, especialmente de Roraima, que destina 70% de suas exportações ao país vizinho.
    • Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,2 bilhão para a Venezuela, equivalente a 0,4% do total das exportações brasileiras, com destaque para Roraima (US$ 145 milhões).
  2. Impacto em Roraima:
    • Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, é o estado mais afetado, já que a Venezuela é seu principal parceiro comercial desde 2019. A taxação ameaça a competitividade de produtos brasileiros, pois importadores venezuelanos arcam com os custos e podem buscar alternativas em mercados como Colômbia, México ou Turquia.
    • A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier) relatou dificuldades na emissão de certificados de origem, que garantem isenção, e está investigando se a cobrança é resultado de um erro no sistema aduaneiro venezuelano ou de uma decisão deliberada do governo de Nicolás Maduro.
    • O governo de Roraima, liderado por Antonio Denarium, destacou que as tarifas impactam não apenas os exportadores, mas também o agronegócio local, empregos e a arrecadação estadual.
  3. Efeitos na Cadeia Comercial:
    • As tarifas são pagas pelos importadores venezuelanos, o que levou à paralisação temporária de pedidos enquanto as taxas não são esclarecidas, afetando toda a cadeia de suprimentos.
    • A medida pode encarecer produtos essenciais na Venezuela, onde a dependência de importações brasileiras é alta devido à crise no setor produtivo local.
    • Empresários venezuelanos, especialmente em Santa Elena de Uairén, temem perdas econômicas, já que a região depende do comércio com o Brasil. Alguns especulam que a taxação visa incentivar a produção local, mas reconhecem que a medida pode prejudicar o sul da Venezuela.
  4. Impacto Macroeconômico:
    • Embora as exportações para a Venezuela representem apenas 0,4% do total brasileiro, a perda desse mercado pode agravar a situação econômica de Roraima e de setores específicos, como o agronegócio.
    • A desvalorização do real, já pressionada pelas tarifas americanas (50% sobre produtos brasileiros, conforme discutido anteriormente), pode ser intensificada, aumentando custos de importação e inflação no Brasil.

Contexto Político e Relação com a Guerra Comercial

  • Relação com as Tarifas dos EUA: A decisão venezuelana ocorre em meio à guerra comercial iniciada por Trump, que impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, citando práticas comerciais desleais e críticas ao STF. A taxação venezuelana, embora menor em escala, adiciona pressão ao Brasil, que enfrenta isolamento comercial. A percepção de que o Brasil está “cada vez mais isolado” é reforçada, já que perde mercados tanto no Norte (EUA) quanto na América do Sul (Venezuela).
  • Motivações da Venezuela:
    • Não há explicação oficial para a quebra do ACE 69, mas um decreto venezuelano de 30 de junho de 2025 eliminou isenções de IVA para produtos industrializados e agrícolas, incluindo brasileiros.
    • Algumas hipóteses incluem um erro no sistema aduaneiro, uma estratégia para fortalecer a produção local ou uma retaliação política. Postagens no X sugerem que a Venezuela pode estar alinhada com interesses “bolsonaristas”, taxando o Brasil enquanto Bolsonaro é investigado pelo STF, embora isso não seja confirmado por fontes oficiais.
    • A relação entre Brasil e Venezuela ficou abalada após Lula não reconhecer a reeleição de Maduro em 2024, o que pode ter contribuído para a decisão.
  • Ativismo Judicial e Globalismo: A menção a “menos agentes do globalismo” para defender o ativismo judicial brasileiro reflete críticas ao STF, especialmente a Alexandre de Moraes, por investigações sobre desinformação. As tarifas americanas já citaram essas ações como justificativa, e a postura venezuelana pode ser interpretada como parte de um movimento antiestablishment, embora não haja evidências diretas de que as tarifas de Maduro sejam motivadas por questões judiciais brasileiras.

Resposta Brasileira

  • O Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estão apurando a situação, com a Embaixada do Brasil em Caracas buscando esclarecimentos junto às autoridades venezuelanas.
  • O governo de Roraima, em contato com o Itamaraty, pressiona por uma solução diplomática para restaurar o livre comércio previsto no ACE 69.
  • A Fier e a Câmara de Comércio Brasil-Venezuela estão dialogando com autoridades dos dois países para normalizar o fluxo comercial.

Perspectivas e Mitigações

  • Diplomacia: A expectativa é que o Brasil negocie rapidamente para reverter a taxação, possivelmente tratando-a como um erro técnico. Caso seja uma decisão deliberada, a quebra do ACE 69 pode levar o Brasil a retaliar ou buscar apoio no Mercosul, apesar da suspensão da Venezuela do bloco desde 2017.
  • Alternativas Comerciais: O Brasil pode redirecionar exportações para outros mercados, como a Argentina, que aumentou importações brasileiras em 50% em 2025 devido à recuperação econômica sob Milei. No entanto, a substituição do mercado venezuelano será desafiadora para Roraima, dado o peso do vizinho no comércio local.
  • Impacto a Longo Prazo: Se as tarifas persistirem, o Brasil pode enfrentar perdas econômicas regionais significativas, especialmente em Roraima, além de tensões diplomáticas com um parceiro historicamente importante.

ConclusãoAs tarifas venezuelanas, que variam de 15% a 77%, agravam o isolamento comercial do Brasil em um momento de tensão com os EUA, que também impuseram tarifas elevadas. Embora o impacto macroeconômico seja limitado devido ao pequeno peso da Venezuela nas exportações totais (0,4%), Roraima enfrenta riscos significativos, com perdas potenciais de empregos e receita. A falta de clareza sobre as motivações de Maduro — seja um erro aduaneiro, uma estratégia econômica ou uma retaliação política — exige uma resposta diplomática urgente. A narrativa de isolamento e a percepção de enfraquecimento do “globalismo” no Brasil refletem um cenário de pressões externas e internas, mas o governo brasileiro está mobilizado para mitigar os danos.

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