(Presidência da República) Ricardo Stuckert/PR
Brasília, 04 de julho de 2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece ter abandonado de vez a ideia de um “governo de unidade”, adotando novamente o discurso polarizado de “nós contra eles”, conforme destacado em recente matéria de capa da revista VEJA.
A mudança na retórica do presidente ocorre em meio a desafios para recuperar sua popularidade e pavimentar o caminho para uma possível reeleição em 2026.Segundo análises, Lula tem intensificado a narrativa de confronto entre o “povo trabalhador” e as elites, apelando para medidas populistas, como a distribuição de benefícios sociais, em uma tentativa de reconquistar apoio popular em um cenário político marcado pela polarização.
Essa estratégia vem após críticas à sua gestão, incluindo dificuldades em lidar com um Congresso conservador e embates com setores econômicos, como a Faria Lima, e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A postura de Lula também reflete uma resposta à aliança entre o centrão, setores financeiros e bolsonaristas, que ele classifica como um “golpe dos ricaços” para proteger interesses de milionários.Essa guinada retórica marca um afastamento da promessa inicial de unificar o país, feita durante a campanha de 2022, quando Lula se apresentou como líder de uma frente ampla para derrotar Bolsonaro.
Analistas apontam que o presidente, enfrentando um cenário de economia fragilizada e aumento da pobreza, busca mobilizar sua base histórica, especialmente nas camadas mais pobres, com políticas distributivas e um discurso que antagoniza as elites econômicas e políticas.No entanto, a estratégia não está isenta de riscos.
A intensificação do discurso divisivo pode aprofundar a polarização no Brasil, dificultando negociações com o Congresso, onde o governo não possui maioria. Além disso, a aposta em medidas populistas, como a ampliação de benefícios sociais, levanta preocupações sobre a sustentabilidade fiscal, em um contexto de restrições orçamentárias e pressões por reformas econômicas.
A mudança de tom de Lula também foi criticada por setores que esperavam uma postura mais conciliatória, capaz de unir diferentes espectros políticos para enfrentar os desafios do país. Posts recentes no X, como os da VEJA e outros comentaristas, reforçam que o presidente está retomando um discurso que opõe “pobres contra super-ricos genéricos” para justificar medidas como aumento de impostos, que podem impactar a todos.
O futuro político de Lula dependerá de sua capacidade de equilibrar essas estratégias com a necessidade de governabilidade em um cenário fragmentado, onde a harmonia entre os Poderes, já tensionada pelo recente conflito sobre o IOF, segue sendo um desafio central.
Fontes: VEJA, posts no X















