O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em 6 de agosto de 2025, durante um evento em Brasília, que pretende discutir com os líderes da Índia (Narendra Modi) e da China (Xi Jinping) uma resposta conjunta do grupo BRICS às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Ele rejeitou a oferta de diálogo direto do presidente norte-americano Donald Trump, que sugeriu que Lula poderia ligar para discutir as tarifas, afirmando que prefere coordenar esforços com aliados do BRICS e utilizar todos os recursos disponíveis, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC), para defender os interesses brasileiros.
Lula destacou que o Brasil não anunciou tarifas retaliatórias contra produtos americanos, mas está preparado para adotar medidas para proteger sua economia, incluindo apoio às empresas brasileiras afetadas pelas tarifas de 50% impostas pelos EUA. Ele também classificou o dia em que Trump anunciou essas tarifas como “o mais lamentável” nas relações bilaterais entre Brasil e EUA, enfatizando a soberania do Brasil e a necessidade de respeito mútuo.
Contexto das tarifas e do BRICS:
- Tarifas dos EUA: Trump impôs tarifas de 50% sobre bens brasileiros e 25% sobre bens indianos, além de ameaçar um adicional de 10% a países que se alinhem com políticas do BRICS consideradas “anti-americanas”. Ele justificou as tarifas citando, entre outros, o que chama de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta julgamento por tentativa de golpe após as eleições de 2022.
- Resposta do BRICS: Durante a cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, em julho de 2025, líderes do grupo, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros como Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos, expressaram preocupação com o aumento de tarifas unilaterais, criticando indiretamente as políticas de Trump. Lula defendeu que o BRICS busca alternativas ao dólar no comércio global, mas de forma gradual e responsável, o que irritou Trump, que já havia ameaçado tarifas de até 100% contra tentativas de enfraquecer o dólar.
- Posicionamento de outros líderes: A China condenou o uso de tarifas como coerção, enquanto a África do Sul afirmou que o BRICS não busca competir com outras potências. A Índia, por sua vez, mantém uma posição mais cautelosa, equilibrando sua relação com os EUA e o BRICS, já que não tem interesse em minar o dólar, segundo o ministro das Relações Exteriores indiano, S. Jaishankar.
Implicações:Lula aposta na coordenação com Modi e Xi para fortalecer a posição do BRICS frente às pressões econômicas dos EUA, sinalizando uma mudança para uma abordagem multipolar no comércio global. No entanto, a resposta conjunta do BRICS enfrenta desafios devido às diferenças internas e à dependência de alguns membros, como a Indonésia, do comércio com os EUA. Além disso, a ausência de líderes como Xi Jinping na cúpula do Rio sugere dificuldades em manter uma frente unificada.
Grok/X















