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Uma pesquisa da Futura Inteligência, divulgada em 27 de junho de 2025 pela revista Exame, aponta um cenário desafiador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa de segundo turno nas eleições presidenciais de 2026. O levantamento mostra que Lula seria derrotado por três nomes da direita — o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — com diferenças superiores a 10 pontos percentuais, fora da margem de erro.
Resultados da Pesquisa
Na simulação de segundo turno, os resultados são os seguintes:
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Jair Bolsonaro x Lula: Bolsonaro lidera com 50% das intenções de voto contra 37,4% de Lula, uma diferença de 12,6 pontos percentuais. Apesar de estar inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro mantém forte apoio popular.
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Michelle Bolsonaro x Lula: A ex-primeira-dama aparece com 48,4% contra 38% de Lula, uma vantagem de 10,4 pontos percentuais, consolidando-se como um nome competitivo no campo bolsonarista.
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Tarcísio de Freitas x Lula: O governador paulista tem 46,5% das intenções de voto contra 34,9% de Lula, uma diferença de 11,6 pontos percentuais. Essa é a primeira vez, desde julho de 2023, que Tarcísio aparece à frente de Lula fora da margem de erro, com um crescimento de 5,4 pontos em relação ao levantamento de maio de 2025, enquanto Lula caiu 6,1 pontos.
Além desses cenários, outros nomes como o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) e o ex-governador Ciro Gomes (PDT) também superariam Lula em um segundo turno, com diferenças de 5 a 9 pontos percentuais.
Já os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil) e Romeu Zema (Novo) aparecem numericamente à frente, mas em empate técnico dentro da margem de erro.
Metodologia da Pesquisa
A pesquisa Futura Inteligência entrevistou 2.000 brasileiros adultos entre os dias 12 e 23 de junho de 2025. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. No cenário de Tarcísio contra Lula, 15,8% dos entrevistados indicaram voto branco ou nulo, e 2,8% estão indecisos.
Contexto Político
Segundo José Luiz Soares Orrico, fundador da Futura, a eleição de 2026, ainda a mais de um ano de distância, está fora do radar da maioria da população. Em um levantamento espontâneo, 63,2% dos entrevistados disseram não saber ou não responderam em quem votariam, enquanto Lula lidera com 23,3%, seguido por Bolsonaro (19,2%) e Tarcísio (7,2%). Na pesquisa estimulada de primeiro turno, Lula aparece à frente em três cenários, mas perde para Bolsonaro e Michelle em outros.
Orrico destaca que nomes como Tarcísio e Ratinho Jr. mostram uma tendência de crescimento, beneficiados pelo aumento de sua visibilidade e pela boa avaliação de suas gestões como governadores. Ele avalia que o resultado da eleição dependerá da capacidade da centro-direita de unificar um único candidato contra Lula, o que poderia consolidar a oposição.
Desafios para Lula
A pesquisa também revela um aumento na desaprovação do governo Lula, com uma queda de 8 pontos percentuais na aprovação em relação ao último levantamento, enquanto a avaliação negativa subiu 2,8 pontos. Esse cenário reflete um momento de polarização política, com a direita ampliando suas opções eleitorais e nomes como Michelle e Tarcísio ganhando protagonismo, mesmo sem candidaturas oficialmente confirmadas.
Enquanto Bolsonaro, inelegível, segue como uma figura central, a ascensão de Tarcísio e Michelle sugere uma diversificação no campo da direita, que busca manter sua influência sem depender exclusivamente do ex-presidente. Tarcísio, embora negue intenção de concorrer à Presidência e afirme que buscará a reeleição em São Paulo, é cotado como um dos principais nomes do bolsonarismo para 2026.
Perspectivas
Com a eleição presidencial ainda distante, a pesquisa indica que o cenário político permanece fluido.
A polarização entre Lula e nomes ligados ao bolsonarismo continua forte, mas a consolidação de novos atores, como Tarcísio e Michelle, pode redefinir as estratégias da oposição. Para Lula, o desafio será recuperar terreno e ampliar seu alcance entre eleitores conservadores, enquanto a direita busca um nome capaz de unificar seu campo e capitalizar a insatisfação com o atual governo.
Fonte: Exame, 27 de junho de 2025















