Teerã, 5 de janeiro de 2026 –
As manifestações antigoverno que eclodiram no final de dezembro de 2025 no Irã entraram em sua segunda semana com intensidade crescente, transformando-se na maior onda de protestos desde o movimento “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022.
O que começou como greves de comerciantes no Grande Bazar de Teerã, motivadas pelo colapso econômico e pela desvalorização recorde do rial, evoluiu para uma revolta aberta contra o regime da República Islâmica, com gritos de “Morte ao ditador” (referindo-se ao Líder Supremo Ali Khamenei) ecoando em dezenas de cidades.
As imagens capturadas nas ruas mostram multidões enfrentando forças de segurança em Teerã e outras províncias, com incêndios em veículos policiais, barricadas e confrontos diretos.
As mulheres continuam na linha de frente, desafiando o uso obrigatório do hijab e unindo-se aos gritos contra o regime — um eco direto dos protestos de 2022.
De acordo com relatórios de grupos de direitos humanos e fontes independentes, os protestos já se espalharam por mais de 30 cidades e 22 das 31 províncias do país. O número de mortos confirmados varia entre 10 e 17 (incluindo manifestantes e, em alguns casos, forças de segurança), com dezenas de feridos e centenas de prisões.
Funerais de vítimas transformaram-se em novas manifestações, com relatos de jovens armados em algumas regiões.O presidente Masoud Pezeshkian reconheceu as “queixas legítimas” dos manifestantes e prometeu diálogo, mas o Líder Supremo Ali Khamenei adotou tom mais duro, afirmando que “os agitadores devem ser colocados no seu lugar” e culpando “inimigos externos”.
Autoridades colocaram o país em “modo de sobrevivência”, com feriado forçado de quatro dias e ameaças de repressão severa.A crise econômica é o gatilho principal: inflação acima de 40%, cortes constantes de energia e água, e o rial atingindo mínimas históricas. Mas os slogans vão além — “Nem Gaza nem Líbano, minha vida pelo Irã” reflete rejeição à política externa expansionista, enquanto pedidos de regime change e apoio ao príncipe Reza Pahlavi (filho do último xá) indicam demandas políticas profundas.
Internacionalmente, o presidente dos EUA Donald Trump ameaçou intervir se houver massacre de manifestantes, declarando que os EUA estão “prontos e armados”. Israel, por meio do premiê Benjamin Netanyahu, expressou apoio aos iranianos, afirmando que “pode ser o momento decisivo para o povo determinar seu destino”.
A Índia emitiu alerta de viagem para seus cidadãos no Irã.Analistas divergem: alguns veem risco real de colapso sistêmico pela combinação de derrotas militares recentes (como a guerra de 12 dias com Israel em 2025 e a queda de Assad na Síria), fragilidade interna e perda de apoio até entre a base tradicional do regime.
Outros alertam que a Guarda Revolucionária (IRGC) ainda mantém controle militar e pode sobreviver com repressão brutal, como em crises passadas.Por enquanto, o regime resiste, mas a união entre bazares, universidades e bairros populares cria uma pressão inédita.
O Irã de 2026 vive dias decisivos — o desfecho pode ser repressão total, concessões forçadas ou, pela primeira vez em décadas, uma mudança real de regime. A situação evolui hora a hora.















