Brasília, 14 de julho de 2025 – Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais, não estava no voo presidencial que levou Bolsonaro aos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022. A declaração, revelada por Veja, contradiz a justificativa usada para a prisão de Martins, que ficou detido por seis meses em 2024, sob a alegação de risco de fuga.
Contexto da DeclaraçãoCid, que fechou acordo de delação premiada em 2023, foi questionado pela defesa de Martins sobre a suposta viagem, usada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, como fundamento para a prisão preventiva de Martins na Operação Tempus Veritatis, que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo Cid, Martins não acompanhou Bolsonaro no voo para Orlando, e ele não informou esse fato anteriormente à Polícia Federal (PF) “porque não me foi perguntado”.
A defesa de Martins, liderada pelo advogado Sebastião Oliveira, reagiu com indignação, argumentando que a prisão foi baseada em uma premissa falsa. Documentos apresentados pela defesa, incluindo registros da Latam Airlines e do U.S. Customs and Border Protection (CBP), confirmam que Martins viajou de Brasília a Curitiba em 31 de dezembro de 2022, e não aos EUA. O CBP corrigiu registros anteriores, indicando que a última entrada de Martins nos EUA foi em 30 de agosto de 2019, com um passaporte perdido em 2021.
Repercussões e AcusaçõesA revelação de Cid reforça a narrativa da defesa de Martins, que acusa a PF e o STF de manipulação de provas. O advogado Ricardo Fernandes, ex-defensor de Martins, afirmou que autoridades brasileiras podem ter falsificado registros migratórios nos EUA para justificar a prisão, um caso que está sendo investigado pelas autoridades americanas. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) classificou a detenção de Martins como “perseguição judicial” e sugeriu que a suposta fraude envolve crime internacional.
A situação ganhou contornos políticos com a vitória de Donald Trump nas eleições americanas de 2024. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que Trump poderia “expor a fraude” da prisão de Martins, já que a acusação de viagem aos EUA foi usada para ligá-lo à suposta trama golpista. Trump, em declarações recentes, criticou o STF por “caça às bruxas” contra Bolsonaro, associando a questão às tarifas de 50% impostas ao Brasil em julho de 2025.
Impacto nas InvestigaçõesCid também é pivô de controvérsias em sua delação. Mensagens reveladas por Veja em junho de 2025 mostram que ele usou um perfil falso no Instagram (
) para discutir investigações, violando cláusulas de sigilo. Nelas, Cid critica Moraes, chamando-o de “pensador Netflix” e sugerindo manipulação em sua delação, especialmente sobre Martins. A defesa de Martins pediu anulação da delação de Cid, alegando contradições e falta de provas, e solicitou acareação para esclarecer os fatos.
Martins, liberado em agosto de 2024, segue sob medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de dar entrevistas. Ele nega ter entregue uma “minuta de golpe” a Bolsonaro, como alegado por Cid, e diz que sua prisão foi “precipitada e ilegal”. Bolsonaro, em depoimento ao STF, também isentou Martins, afirmando que ele “nunca falou de minuta” e que sempre esteve “do lado da Constituição”.
Conexão com a Crise ComercialA declaração de Cid ocorre em meio à crise desencadeada pelas tarifas de 50% impostas por Trump ao Brasil, que já causaram cancelamentos de pedidos em setores como pescados, café e aço. Empresários, temendo perdas econômicas, defendem que o STF reveja a inelegibilidade de Bolsonaro, conceda anistia a opositores e encerre inquéritos contra a direita, como o de Martins, para apaziguar tensões com os EUA. A alta da Selic (média de 12,25-12,5% no atual governo Lula, a segunda maior do século XXI) pode ser agravada por pressões inflacionárias decorrentes da crise comercial, limitando o crescimento econômico.
ConclusãoO depoimento de Mauro Cid no STF, afirmando que Filipe Martins não viajou aos EUA com Bolsonaro, coloca em xeque a legitimidade de sua prisão e reacende o debate sobre a condução das investigações do STF. A defesa de Martins vê a declaração como prova de arbitrariedade, enquanto setores políticos e empresariais pressionam por soluções que evitem uma guerra comercial com os EUA. O caso segue em aberto, com possíveis desdobramentos nas relações Brasil-EUA e no cenário político interno.
Com informações de Veja, Poder360, CNN Brasil e Estadão.















