Brasília, 16 de julho de 2025 – O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou, na terça-feira (15), um pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara dos Deputados, sob a justificativa de que Lula é responsável pela crise diplomática com os Estados Unidos. O documento, assinado por 72 parlamentares, foi entregue ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e alega que ações do governo brasileiro violaram a Lei nº 1.079/1950, que regula crimes de responsabilidade passíveis de impeachment.
Entre os motivos elencados por Ferreira, destacam-se: a aproximação do Brasil com o Irã, incluindo a autorização para atracamento de navios de guerra iranianos; a campanha de Lula contra o uso do dólar no comércio internacional por meio do BRICS, sem debate com o Congresso; e a recusa em classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista, ignorando apelos dos EUA. Segundo o deputado, essas decisões “comprometeram a dignidade da Nação” e atraíram retaliações econômicas, como a tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre importações brasileiras, anunciada pelo presidente Donald Trump e prevista para entrar em vigor em 1º de agosto de 2025.
A crise diplomática foi intensificada após Trump vincular as tarifas à perseguição judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tramar um golpe após as eleições de 2022, o que Trump classificou como uma “caça às bruxas”. Lula respondeu prometendo retaliar com medidas equivalentes, caso as tarifas sejam implementadas, com base na Lei de Reciprocidade Econômica aprovada pelo Congresso.
O pedido de impeachment argumenta que as ações de Lula geraram prejuízos econômicos diretos a trabalhadores, exportadores e setores produtivos, comprometendo a estabilidade macroeconômica do país. Apesar de reconhecer que a condução da política externa é prerrogativa presidencial, Ferreira alega que as decisões de Lula configuram crimes de responsabilidade por expor o Brasil a sanções internacionais.
O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido, mas o vice-presidente Geraldo Alckmin mencionou negociações comerciais em curso, sem resposta dos EUA a uma proposta feita há dois meses. Setores como café e petróleo, representados por entidades como a Fiesp, pedem uma solução diplomática para evitar escalada no conflito comercial.
A tramitação do pedido depende de análise pelo presidente da Câmara, que decidirá se o processo será arquivado ou encaminhado para avaliação. Analistas apontam que, em um Congresso polarizado, o avanço do impeachment enfrenta resistência, mas reflete o crescente embate político entre governo e oposição em meio à crise com os EUA.
Com informações de Reuters, Metrópoles e Gazeta do Povo.















