O aumento da inadimplência também se reflete no crescimento de pedidos de recuperação judicial, que atingiram 2.273 solicitações em 2024, um salto de 61,8% em relação ao ano anterior, segundo a CNN Brasil. Nos primeiros meses de 2025, foram registrados 162 pedidos em janeiro e 122 em fevereiro, indicando a continuidade da tendência de reestruturação financeira como última alternativa para muitos negócios evitarem a falência.
Fatores por Trás do RecordeO principal fator para o recorde de inadimplência é o ambiente macroeconômico adverso. A alta da Selic, mantida em 14,75% pelo Banco Central, encareceu o custo do crédito, dificultando o financiamento para empresas. Além disso, a inflação acumulada de 6,3% no primeiro semestre de 2025, segundo o IBGE, reduziu a demanda por bens e serviços, impactando o faturamento das empresas. “Quando os juros sobem, o custo do crédito aumenta, afetando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento”, explicou Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, ao Poder360.
A instabilidade cambial e a desaceleração econômica global, incluindo tarifas de 25% impostas pelos EUA sobre exportações brasileiras de aço e alumínio, também contribuíram para a crise, reduzindo a competitividade de setores industriais, conforme a Coface. Em termos regionais, o Distrito Federal (40,9%), Alagoas (40,3%) e Pará (39,8%) registraram as maiores taxas de inadimplência empresarial, segundo a SBT News.
Repercussão e ImpactosA escalada da inadimplência gerou alarme entre especialistas e reações nas redes sociais. Usuários no X, como
, criticaram a gestão econômica do governo Lula, apontando que “o amor custa caro” ao citar os 7,3 milhões de empresas inadimplentes e os 70 milhões de consumidores negativados. A FecomercioSP destacou que a crise expõe a fragilidade do setor produtivo, com micro e pequenas empresas enfrentando dificuldades para acessar crédito e manter operações.
O impacto vai além das finanças das empresas. A inadimplência recorde limita investimentos, reduz a geração de empregos e aumenta o risco de falências, afetando a economia como um todo. Em 2024, o passivo das empresas inadimplentes já havia atingido R$ 156,1 bilhões em outubro, com cada CNPJ devendo, em média, 7,4 contas negativadas, segundo o Poder360.
Medidas e PerspectivasA Serasa Experian lançou o portal Limpa Nome PJ, que permite às MPEs renegociar dívidas com condições especiais, mas especialistas defendem medidas mais amplas, como redução de juros, ampliação do crédito produtivo e simplificação tributária. “Sem reformas estruturais, a sustentabilidade dos negócios continuará ameaçada”, alertou a FecomercioSP.
Apesar do cenário crítico, há sinais de resiliência. A CNC projeta uma leve recuperação no varejo para o segundo semestre, impulsionada pelas vendas de fim de ano, mas o crescimento depende de uma estabilização dos juros e da inflação. Para 2026, o FMI prevê um crescimento moderado de 2,5% para o Brasil, mas a recuperação das empresas dependerá de políticas públicas eficazes e de um ambiente econômico mais favorável.O recorde de inadimplência empresarial em 2025 reforça a urgência de ações para aliviar a pressão sobre os negócios, especialmente as MPEs, que formam a base da economia brasileira. Sem medidas concretas, o país pode enfrentar uma onda de falências e um agravamento da crise econômica.
Fontes:
- CNN Brasil
- SBT News
- FecomercioSP
- Poder360
- Serasa Experian
- Posts no X















