Número de Empresas Inadimplentes no Brasil Bate Recorde Histórico em 2025

São Paulo, 22 de julho de 2025 – O Brasil alcançou um novo recorde histórico de inadimplência empresarial, com 7,3 milhões de empresas em situação de dívida atrasada em março de 2025, equivalente a 31,9% dos negócios ativos no país, segundo dados da Serasa Experian divulgados pela CNN Brasil e SBT News.
O montante total das dívidas atingiu R$ 169,8 bilhões, também o maior valor registrado desde o início da série histórica em 2016, impulsionado por juros altos, crédito restrito e um cenário econômico desafiador.Crise Atinge Micro e Pequenas EmpresasDo total de empresas inadimplentes, 6,9 milhões são micro e pequenas empresas (MPEs), que acumulam 48 milhões de débitos, totalizando R$ 146,2 bilhões, conforme a FecomercioSP.
O setor de serviços lidera a lista, com 53% dos negócios no vermelho, seguido pelo comércio (34,8%) e indústria (8%). A economista Camila Abdelmalack, da Serasa Experian, explica que as MPEs são as mais afetadas devido ao menor capital de giro e maior dependência de crédito bancário, que se tornou mais caro com a taxa Selic em 14,75%. “O cenário reflete os efeitos prolongados de juros elevados e dificuldades de acesso ao crédito”, afirmou Abdelmalack ao SBT News.

O aumento da inadimplência também se reflete no crescimento de pedidos de recuperação judicial, que atingiram 2.273 solicitações em 2024, um salto de 61,8% em relação ao ano anterior, segundo a CNN Brasil. Nos primeiros meses de 2025, foram registrados 162 pedidos em janeiro e 122 em fevereiro, indicando a continuidade da tendência de reestruturação financeira como última alternativa para muitos negócios evitarem a falência.

Fatores por Trás do RecordeO principal fator para o recorde de inadimplência é o ambiente macroeconômico adverso. A alta da Selic, mantida em 14,75% pelo Banco Central, encareceu o custo do crédito, dificultando o financiamento para empresas. Além disso, a inflação acumulada de 6,3% no primeiro semestre de 2025, segundo o IBGE, reduziu a demanda por bens e serviços, impactando o faturamento das empresas. “Quando os juros sobem, o custo do crédito aumenta, afetando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento”, explicou Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, ao Poder360.

A instabilidade cambial e a desaceleração econômica global, incluindo tarifas de 25% impostas pelos EUA sobre exportações brasileiras de aço e alumínio, também contribuíram para a crise, reduzindo a competitividade de setores industriais, conforme a Coface. Em termos regionais, o Distrito Federal (40,9%), Alagoas (40,3%) e Pará (39,8%) registraram as maiores taxas de inadimplência empresarial, segundo a SBT News.

Repercussão e ImpactosA escalada da inadimplência gerou alarme entre especialistas e reações nas redes sociais. Usuários no X, como

@eusouomatt

, criticaram a gestão econômica do governo Lula, apontando que “o amor custa caro” ao citar os 7,3 milhões de empresas inadimplentes e os 70 milhões de consumidores negativados. A FecomercioSP destacou que a crise expõe a fragilidade do setor produtivo, com micro e pequenas empresas enfrentando dificuldades para acessar crédito e manter operações.

O impacto vai além das finanças das empresas. A inadimplência recorde limita investimentos, reduz a geração de empregos e aumenta o risco de falências, afetando a economia como um todo. Em 2024, o passivo das empresas inadimplentes já havia atingido R$ 156,1 bilhões em outubro, com cada CNPJ devendo, em média, 7,4 contas negativadas, segundo o Poder360.

Medidas e PerspectivasA Serasa Experian lançou o portal Limpa Nome PJ, que permite às MPEs renegociar dívidas com condições especiais, mas especialistas defendem medidas mais amplas, como redução de juros, ampliação do crédito produtivo e simplificação tributária. “Sem reformas estruturais, a sustentabilidade dos negócios continuará ameaçada”, alertou a FecomercioSP.

Apesar do cenário crítico, há sinais de resiliência. A CNC projeta uma leve recuperação no varejo para o segundo semestre, impulsionada pelas vendas de fim de ano, mas o crescimento depende de uma estabilização dos juros e da inflação. Para 2026, o FMI prevê um crescimento moderado de 2,5% para o Brasil, mas a recuperação das empresas dependerá de políticas públicas eficazes e de um ambiente econômico mais favorável.O recorde de inadimplência empresarial em 2025 reforça a urgência de ações para aliviar a pressão sobre os negócios, especialmente as MPEs, que formam a base da economia brasileira. Sem medidas concretas, o país pode enfrentar uma onda de falências e um agravamento da crise econômica.


Fontes:

  • CNN Brasil
  • SBT News
  • FecomercioSP
  • Poder360
  • Serasa Experian
  • Posts no X

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