A BBC destaca que a UE está buscando redesenhar o mapa do comércio global, fortalecendo laços com países como Índia, África do Sul e nações da América do Sul, mas o Brasil, devido às tensões com os EUA, pode ser alvo de medidas punitivas para pressionar o governo Lula a ceder em negociações comerciais ou na condução do caso Bolsonaro. A possibilidade de tarifas europeias de 100%, mencionada em postagens no X, seria devastadora para exportações brasileiras como café, soja e carne, que têm a UE como um dos principais mercados.
Reações no BrasilO presidente Lula reagiu com firmeza, prometendo retaliar com tarifas equivalentes às impostas pelos EUA, com base na Lei de Reciprocidade Econômica aprovada pelo Congresso Nacional. Em entrevista à Record, Lula declarou: “Se ele cobrar 50% de nós, cobraremos 50% dele”, enfatizando que o Brasil “não aceitará tutela de ninguém”. O governo brasileiro também estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e impor restrições a vistos de autoridades americanas.
No STF, a revogação dos vistos foi recebida como uma tentativa de intimidação, mas Moraes reiterou que “a soberania brasileira é inegociável”. O procurador-geral Paulo Gonet, em artigo no The New York Times, rejeitou qualquer interferência externa nos processos judiciais brasileiros, afirmando que as acusações contra Bolsonaro são de competência exclusiva do Judiciário nacional.
Impactos Econômicos e PolíticosO Brasil, 15º maior parceiro comercial dos EUA, com um superávit comercial americano de US$ 7,4 bilhões em 2024, enfrenta riscos significativos. As tarifas de 50% já anunciadas pelos EUA podem elevar preços de produtos como café e suco de laranja nos mercados internacionais, enquanto a adesão da UE a tarifas de até 100% poderia custar bilhões ao agronegócio brasileiro, que depende fortemente de exportações para a Europa.
No cenário político, a crise fortalece a narrativa bolsonarista de perseguição, com Eduardo Bolsonaro capitalizando o apoio de Trump para mobilizar sua base. No entanto, analistas apontam que a interferência externa pode unir setores da sociedade brasileira em defesa da soberania, beneficiando Lula, cuja popularidade enfrenta desafios às vésperas das eleições de 2026.
PerspectivasA possibilidade de países europeus aderirem às tarifas americanas contra o Brasil, embora ainda incerta, representa uma ameaça significativa à economia brasileira e às relações diplomáticas. A UE, que busca evitar uma guerra comercial com os EUA, pode optar por medidas seletivas contra o Brasil para pressionar negociações, mas isso dependerá do desenrolar das conversas entre Bruxelas e Washington até 1º de agosto. Enquanto isso, o Brasil prepara respostas na OMC e avalia sanções contra empresas americanas, como big techs, para proteger seus interesses.A crise, alimentada pela aliança entre Trump e Bolsonaro, coloca o Brasil em uma encruzilhada geopolítica, com implicações que vão além do comércio e tocam a autonomia de suas instituições. A próxima semana será decisiva, com o governo Lula sob pressão para evitar um isolamento econômico enquanto defende a independência do Judiciário.















