Países Europeus Podem Aderir aos EUA em Tarifas Contra o Brasil, Aumentando Pressão sobre Economia Brasileira

Em um novo desdobramento da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, fontes indicam que países da União Europeia (UE) estão considerando a possibilidade de se alinhar aos EUA na imposição de tarifas comerciais contra o Brasil, conforme reportado em postagens na rede social X e por veículos como The New York Times.
A medida seria uma resposta à escalada de tensões provocada pela decisão do governo de Donald Trump de impor tarifas de 50% sobre exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, além de conceder vistos permanentes a Eduardo Bolsonaro e sua família e revogar os vistos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A possibilidade de sanções europeias, incluindo tarifas de até 100%, intensifica o risco de isolamento econômico do Brasil e agrava a crise política interna.Contexto da CriseA decisão americana de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada em 9 de julho, foi justificada por Trump como retaliação à suposta “caça às bruxas” conduzida pelo STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de Trump. O ministro Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que investigam Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, foi alvo direto, com a revogação de vistos de entrada nos EUA para ele, outros sete ministros (Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes), Gonet e suas famílias. Além disso, a Casa Branca anunciou a concessão de residência permanente (green card) a Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA desde março de 2025 e tem articulado com autoridades americanas para pressionar o Judiciário brasileiro.
O governo americano também sinalizou, segundo a Folha de S.Paulo, que novas sanções podem ser implementadas a partir de 21 de julho, incluindo a possibilidade de aplicação da Lei Magnitsky, que prevê congelamento de ativos financeiros e proibições de viagem. A menção a uma possível coordenação com a Otan e a adesão de países europeus às tarifas contra o Brasil, conforme postagens no X, eleva a crise a um nível multilateral.Possível Envolvimento da União EuropeiaEmbora não haja confirmação oficial de que a UE adotará tarifas contra o Brasil, a Reuters e o The New York Times relatam que líderes europeus, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, estão sob pressão para responder às tarifas americanas de 30% sobre exportações da UE, previstas para 1º de agosto.
A UE, que enfrenta suas próprias negociações comerciais com os EUA, pode considerar medidas retaliatórias conjuntas contra países-alvo de Trump, incluindo o Brasil, para fortalecer sua posição negocial. Uma postagem no X de um eurodeputado alemão elogiou a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às ameaças de Trump, sugerindo que a Europa deveria adotar uma postura semelhante de defesa da soberania, mas outras fontes indicam que a UE avalia alinhar-se aos EUA para evitar maiores perdas comerciais.

A BBC destaca que a UE está buscando redesenhar o mapa do comércio global, fortalecendo laços com países como Índia, África do Sul e nações da América do Sul, mas o Brasil, devido às tensões com os EUA, pode ser alvo de medidas punitivas para pressionar o governo Lula a ceder em negociações comerciais ou na condução do caso Bolsonaro. A possibilidade de tarifas europeias de 100%, mencionada em postagens no X, seria devastadora para exportações brasileiras como café, soja e carne, que têm a UE como um dos principais mercados.

Reações no BrasilO presidente Lula reagiu com firmeza, prometendo retaliar com tarifas equivalentes às impostas pelos EUA, com base na Lei de Reciprocidade Econômica aprovada pelo Congresso Nacional. Em entrevista à Record, Lula declarou: “Se ele cobrar 50% de nós, cobraremos 50% dele”, enfatizando que o Brasil “não aceitará tutela de ninguém”. O governo brasileiro também estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e impor restrições a vistos de autoridades americanas.

No STF, a revogação dos vistos foi recebida como uma tentativa de intimidação, mas Moraes reiterou que “a soberania brasileira é inegociável”. O procurador-geral Paulo Gonet, em artigo no The New York Times, rejeitou qualquer interferência externa nos processos judiciais brasileiros, afirmando que as acusações contra Bolsonaro são de competência exclusiva do Judiciário nacional.

Impactos Econômicos e PolíticosO Brasil, 15º maior parceiro comercial dos EUA, com um superávit comercial americano de US$ 7,4 bilhões em 2024, enfrenta riscos significativos. As tarifas de 50% já anunciadas pelos EUA podem elevar preços de produtos como café e suco de laranja nos mercados internacionais, enquanto a adesão da UE a tarifas de até 100% poderia custar bilhões ao agronegócio brasileiro, que depende fortemente de exportações para a Europa.

No cenário político, a crise fortalece a narrativa bolsonarista de perseguição, com Eduardo Bolsonaro capitalizando o apoio de Trump para mobilizar sua base. No entanto, analistas apontam que a interferência externa pode unir setores da sociedade brasileira em defesa da soberania, beneficiando Lula, cuja popularidade enfrenta desafios às vésperas das eleições de 2026.

PerspectivasA possibilidade de países europeus aderirem às tarifas americanas contra o Brasil, embora ainda incerta, representa uma ameaça significativa à economia brasileira e às relações diplomáticas. A UE, que busca evitar uma guerra comercial com os EUA, pode optar por medidas seletivas contra o Brasil para pressionar negociações, mas isso dependerá do desenrolar das conversas entre Bruxelas e Washington até 1º de agosto. Enquanto isso, o Brasil prepara respostas na OMC e avalia sanções contra empresas americanas, como big techs, para proteger seus interesses.A crise, alimentada pela aliança entre Trump e Bolsonaro, coloca o Brasil em uma encruzilhada geopolítica, com implicações que vão além do comércio e tocam a autonomia de suas instituições. A próxima semana será decisiva, com o governo Lula sob pressão para evitar um isolamento econômico enquanto defende a independência do Judiciário.

Fontes: The New York Times, Reuters, BBC, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, postagens no X
Grok/X

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