Países pedem retirada da COP30 de Belém

Representantes de 25 países, incluindo nações ricas e membros do Bureau Climático da ONU, pressionaram o governo brasileiro para mudar a sede da COP30, prevista para ocorrer em Belém, Pará, de 10 a 21 de novembro de 2025.
O principal motivo é o custo “extorsivo” de hospedagens na cidade, que tem infraestrutura limitada para receber os cerca de 45.000 a 60.000 participantes esperados, incluindo delegações de 193 países, chefes de estado, ativistas e empresários.
Contexto e Impactos Econômicos

  1. Crise de Hospedagem:
    • Belém, com cerca de 18.000 leitos hoteleiros, enfrenta dificuldades para acomodar a demanda. Preços de hospedagem dispararam, com exemplos como um quarto que custava R$ 300 sendo ofertado por R$ 6.000 durante o evento, e anúncios no Airbnb e Booking.com chegando a US$ 9.320 e US$ 15.266 por noite, respectivamente.
    • Países em desenvolvimento, especialmente os menos desenvolvidos (LDCs) e pequenos estados insulares (SIDS), alertaram que os custos excedem a verba diária de subsistência da ONU (US$ 149 para Belém), podendo limitar sua participação nas negociações climáticas.
  2. Impacto Econômico Local:
    • Positivo: A COP30 representa uma oportunidade para Belém, com investimentos federais de R$ 4,7 bilhões em infraestrutura, como o Parque da Cidade (70% concluído) e o Porto Futuro II, que deixarão legados como centros administrativos, museus e áreas de lazer. O turismo na cidade dobrou no primeiro semestre de 2024, e o evento pode gerar empregos e renda.
    • Negativo: A especulação imobiliária, com aluguéis inflacionados e despejos de inquilinos para lucrar com a COP, tem gerado críticas. A alta nos preços ameaça a inclusão de delegações de países mais pobres, essencial para a pressão por acordos climáticos justos, como o Fundo de Perdas e Danos.
  3. Resposta do Governo:
    • O governo brasileiro, coordenado pela Casa Civil e pela Secretaria Especial para a COP30, está negociando a redução de tarifas e ampliando a oferta de leitos. Medidas incluem dois navios de cruzeiro (MSC Seaview e Costa Diadema) com 6.000 leitos, acampamentos, uso de escolas, motéis e instalações militares, além de uma plataforma oficial de reservas para evitar preços abusivos.
    • Após uma reunião emergencial do Bureau Climático da ONU em 29 de julho de 2025, o Brasil se comprometeu a apresentar soluções até 11 de agosto.
  4. Risco de Vexame Internacional:
    • A pressão pela mudança da sede, relatada pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, reflete preocupações com a capacidade de Belém de hospedar um evento desse porte. Países como a Holanda e a Polônia já sinalizaram reduzir suas delegações devido aos custos, o que pode enfraquecer as negociações climáticas.
    • A escolha de Belém, embora simbólica por estar na Amazônia, foi criticada por não oferecer a infraestrutura de grandes centros urbanos, como São Paulo ou Rio de Janeiro.

Implicações

  • Econômicas: A COP30 poderia impulsionar a economia local, mas os preços altos e a possível exclusão de países menos desenvolvidos podem comprometer o objetivo de inclusão defendido pelo presidente Lula. A especulação imobiliária também gera tensões sociais, com relatos de inquilinos despejados para lucros durante o evento.
  • Políticas: A pressão internacional coloca o governo Lula em uma posição delicada, especialmente após o jantar no Alvorada em apoio a Alexandre de Moraes, que já evidenciou divisões internas e externas.
  • A incapacidade de resolver a crise logística pode prejudicar a imagem do Brasil como líder na agenda climática global.
  • Ambientais: A COP30 é crucial para avançar compromissos como o financiamento climático de US$ 1,3 trilhão até 2035 e a preservação de florestas tropicais. A exclusão de países pobres devido a custos pode enfraquecer acordos, especialmente os que envolvem justiça climática e proteção da Amazônia.

ConclusãoA pressão de 25 países para retirar a COP30 de Belém reflete um desafio logístico significativo, com impactos econômicos mistos: por um lado, investimentos e visibilidade para a cidade; por outro, exclusão de delegações e especulação imobiliária. O governo brasileiro está agindo para mitigar o problema, mas a crise expõe as dificuldades de sediar um evento global em uma cidade com infraestrutura limitada. A resolução até 11 de agosto será crucial para evitar um “vexame internacional” e manter o Brasil como protagonista na agenda climática.

Grok/X

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