(Presidência da República) Ricardo Stuckert/PR
Um novo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta quarta-feira (23), aponta que a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu 57,4%, o maior índice registrado em seu terceiro mandato.
O estudo, que reflete o sentimento de eleitores em todo o Brasil, mostra um crescimento de 7 pontos percentuais na reprovação desde janeiro de 2025, quando o índice estava em 50,4%. A aprovação, por outro lado, caiu para 39,2%, a menor marca desde o início da gestão, enquanto 3,4% dos entrevistados não souberam ou não opinaram.
Metodologia e Contexto
O levantamento foi realizado entre os dias 16 e 19 de abril de 2025, com 2.020 eleitores entrevistados presencialmente em 160 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. O aumento na desaprovação consolida uma tendência de queda na popularidade do governo Lula, observada em pesquisas anteriores, e ocorre em um momento de desafios econômicos e políticos, incluindo críticas à condução da economia e à falta de programas inovadores.
Recorte Regional e Demográfico
A pesquisa destaca variações regionais significativas. O Nordeste continua sendo a região com maior aprovação ao governo (51,6%), embora a desaprovação também tenha crescido, chegando a 43,9%. No Sul, a reprovação é mais acentuada, atingindo 64,8%, seguida por Norte/Centro-Oeste (59,4%) e Sudeste (58,5%). Em estados específicos, como São Paulo, a desaprovação já alcançava 63,1% em fevereiro, enquanto em Curitiba, no Paraná, o índice chegou a 67,4% em abril, segundo levantamentos regionais do mesmo instituto.
Entre os recortes demográficos, a desaprovação é maior entre homens (57,8%), evangélicos (66,9%) e eleitores com ensino superior (62,7%). Por outro lado, Lula mantém maior apoio entre mulheres, jovens de 16 a 24 anos, idosos e eleitores com ensino fundamental completo, especialmente no Nordeste.
Avaliação da Gestão
Além da desaprovação geral, o levantamento detalha a percepção sobre a qualidade da gestão. Para 45% dos entrevistados, o governo é classificado como “ruim” ou “péssimo” (35,8% péssimo e 9,2% ruim), enquanto 28,8% o consideram “ótimo” ou “bom” (9% ótimo e 19,8% bom). A percepção de que a gestão é “péssima” cresceu significativamente, passando de 31,3% em janeiro para 35,8% em abril.
Fatores da Queda na Popularidade
Especialistas apontam que a queda na aprovação está associada a fatores como a alta no preço dos alimentos, a “crise do Pix” e a percepção de estagnação em programas sociais inovadores. Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, destacou em entrevista à CNN que “a falta de propostas atrativas e a requentação de programas do passado” têm pesado na avaliação do governo. A reforma ministerial, iniciada em fevereiro com a saída de Nísia Trindade do Ministério da Saúde, foi uma tentativa de reverter a crise de popularidade, mas os resultados ainda não se refletiram positivamente nas pesquisas.
Cenário Eleitoral para 2026
O levantamento também testou cenários para as eleições presidenciais de 2026. Em uma simulação de primeiro turno, Jair Bolsonaro (PL), apesar de inelegível, aparece com 38,5% das intenções de voto, contra 33,3% de Lula. Em um eventual segundo turno, Bolsonaro venceria com 45,1% contra 40,2% do petista. Caso Michelle Bolsonaro substitua o ex-presidente, a disputa com Lula fica tecnicamente empatada, com 31,7% para a ex-primeira-dama e 33,7% para o atual presidente.
Reação do Governo
Em resposta à crescente desaprovação, o governo tem intensificado esforços de comunicação, com viagens ministeriais para divulgar ações e investimentos na atuação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) nas redes sociais. No entanto, aliados do PT, como o vice-presidente do partido, Washington Quaquá, têm criticado a falta de um “núcleo político” sólido, o que pode dificultar a recuperação da popularidade antes das eleições de 2026.
O Que Vem Pela Frente?
Com a desaprovação em alta e a aprovação em queda, o governo Lula enfrenta o desafio de reconquistar a confiança da população em um cenário de polarização política e pressão econômica. Para analistas, a capacidade de apresentar resultados concretos e programas que atendam às expectativas dos brasileiros será crucial para reverter o quadro atual.
Fontes: Paraná Pesquisas, CNN Brasil, Poder360, Exame















