© Marcello Casal JrAgência Brasil
Uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Datafolha aponta que 72% dos brasileiros percebem uma piora significativa no orçamento familiar em comparação com o ano passado. O levantamento, realizado entre os dias 5 e 10 de novembro com 2.004 entrevistados em 135 municípios, reflete o impacto persistente da inflação, do desemprego e da alta nos preços de itens básicos.
Os números que apertam
- 72% afirmam que o dinheiro “não dá para nada” ou “dá apenas para o básico”, contra 58% em novembro de 2024.
- 19% dizem que o orçamento “dá para o básico com sobra”, uma queda de 10 pontos percentuais.
- Apenas 9% relatam conforto financeiro, o menor índice desde 2021.
A percepção de aperto é mais intensa entre as mulheres (78%), moradores do Nordeste (81%) e famílias com renda até dois salários mínimos (84%).
Entre os mais ricos, o índice cai para 51%.Vilões do orçamentoOs entrevistados apontaram os principais responsáveis pelo encarecimento da vida:
- Alimentos – 89% citaram o aumento no preço de arroz, feijão, carne e leite.
- Combustíveis e transporte – 76%.
- Energia elétrica e gás de cozinha – 68%.
“Compro metade do que comprava há um ano com o mesmo dinheiro”, resume a auxiliar de limpeza Maria José, 45 anos, moradora de Recife (PE). “A feira virou luxo.”
Contexto econômicoO estudo ocorre em meio a uma inflação acumulada de 5,8% nos últimos 12 meses (IPCA-15), acima da meta do Banco Central. O desemprego, embora em queda para 7,7%, ainda atinge 8,3 milhões de pessoas, segundo o IBGE.
A alta do dólar – que encarece importados como trigo e fertilizantes – também pressiona os preços internos.Reação do governoEm nota, o Ministério da Economia afirmou que “o Auxílio Brasil ampliado e o controle fiscal estão contendo danos maiores” e destacou a criação de 1,8 milhão de vagas formais em 2025.
Críticos, porém, apontam que os programas sociais não acompanham a inflação de alimentos, que subiu 50% acima do IPCA geral.
O que vem por aí?Especialistas consultados pelo Datafolha preveem alívio apenas no segundo semestre de 2026, caso haja corte mais agressivo na Selic e safra recorde de grãos.
Até lá, 62% dos entrevistados planejam reduzir gastos com lazer e educação, e 41% consideram trocar o emprego atual por bicos informais.A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais. Os dados completos estão disponíveis no site do Datafolha.















