Péssimo sinal: A Economia Brasileira Desacelera em 2025

A desaceleração da economia brasileira em 2025, frequentemente descrita como “perda de fôlego”, reflete um cenário de crescimento mais lento após o robusto avanço de 3,4% em 2024. Fatores como juros altos, inflação persistente, incertezas fiscais e choques externos, como as tarifas impostas pelo governo Trump, contribuem para esse quadro.
Abaixo, apresento uma análise atualizada com base em dados disponíveis até 28 de agosto de 2025, detalhando os sinais de desaceleração, suas causas e as projeções para o futuro.Sinais de Desaceleração em 2025Indicadores recentes confirmam a perda de dinamismo econômico:

  • Mercado de Trabalho: O Caged registrou uma queda de 32% na criação de empregos formais em julho de 2025 (129.775 vagas) em relação a julho de 2024, o pior resultado para o mês desde 2020. A taxa de desemprego, embora ainda baixa (5,8% no 2º trimestre), mostra sinais de estagnação, com menor rotatividade devido à rigidez trabalhista.
  • Consumo e Inadimplência: O varejo acumula quedas mensais consecutivas (-0,3% em abril, -0,4% em maio e -0,1% em junho), impactado por crédito caro e inadimplência recorde. As famílias, especialmente de baixa renda, destinam 80% do orçamento a bens essenciais, cuja inflação acumulada é de 55% desde 2020.
  • Atividade Econômica: O IBC-Br, prévia do PIB, caiu 0,7% em junho, após recuo similar em maio. A indústria cresceu apenas 0,3% no 4º trimestre de 2024, enquanto o setor agropecuário retraiu 2,3%. Serviços ainda sustentam crescimento (0,4%), mas em ritmo menor.
  • PIB Trimestral: O PIB do 1º trimestre de 2025 cresceu 1,4%, mas sem o impulso do agro, o avanço foi de apenas 0,2% (taxa anualizada de 0,8%). Projeções para o 2º trimestre indicam crescimento de 0,2% a 0,4%, segundo a Fiesp.

Causas da DesaceleraçãoA combinação de fatores internos e externos explica a perda de fôlego:

  1. Juros Altos: A Selic, em 15% ao ano (com projeção de 15,25% até dezembro), eleva os juros reais a 9,8%, encarecendo crédito (crescimento de 6,5% em 2025, contra 10,6% em 2024) e desestimulando investimentos e consumo. O Banco Central prioriza o controle inflacionário.
  2. Inflação Persistente: O IPCA acumula 5,5% em 12 meses até julho, acima do teto da meta (4,5%). Alimentos in natura e serviços pressionam os preços, com o dólar a R$ 5,92 elevando custos de importados.
  3. Política Fiscal Limitada: Após estímulos expansionistas em 2024, o crescimento dos gastos públicos caiu para 2% em 2025. O déficit primário elevado (R$ 177 bilhões em 2023) e a dívida pública geram desconfiança no mercado.
  4. Choques Externos: Tarifas de 10% impostas pelos EUA sobre exportações brasileiras (aço, soja, carne) reduzem a competitividade. O FMI destaca esses choques como risco ao comércio global, impactando o Brasil.
  5. Desempenho Setorial: A indústria e o varejo enfrentam retração, enquanto o agro perde força após safras recordes. A Tendências Consultoria aponta desaceleração em 22 estados, com exceção de regiões agroexportadoras como o Centro-Oeste.

Projeções para 2025 e 2026As revisões para baixo nas estimativas de crescimento refletem o cenário desafiador. A tabela abaixo resume as projeções:

Instituição/Fonte
PIB 2025
PIB 2024 (realizado)
Comentário
CNI
2,3%
3,4%
Redução de 0,1 p.p.; menor crescimento em 5 anos.
FMI
2,0%
3,4%
Impacto das tarifas de Trump; inflação em 5,3%.
Boletim Focus (BC/Mercado)
1,97%
3,4%
Selic projetada em 15% até o fim de 2025.
Fiesp
2,4%
3,4%
Consumo familiar cresce apenas 0,6%.
Tendências Consultoria
~2,0%
3,4%
Desaceleração em 22 estados; agro sustenta Centro-Oeste.
Governo (Haddad)
2,1%
3,4%
Pouso suave, com riscos fiscais.

 

  • Cenário para 2025: O crescimento deve ficar entre 1,97% e 2,4%, com média de 2%. A inflação projetada é de 5,65%, com cortes na Selic improváveis antes de 2026 (Copom prevê 13,75% no fim de 2026).
  • Cenário para 2026: Projeções indicam crescimento entre 1,6% e 3%, com inflação caindo para 4,3%. A recuperação depende de estabilidade fiscal, redução de juros e menor impacto das tarifas externas.
  • Riscos: Persistência da inflação de serviços, aumento do desemprego (acima de 6,1%) ou deterioração fiscal podem levar a uma recessão técnica. Por outro lado, uma safra forte e reformas estruturais podem sustentar crescimento modesto.

 

Perspectivas e RecomendaçõesApesar da desaceleração, a economia brasileira evita uma recessão iminente, sustentada pelo mercado de trabalho resiliente (desemprego em 5,8%) e setores como serviços e tecnologia. No entanto, a aprovação do governo Lula caiu para 24%, refletindo insatisfação com o cenário econômico. Para empresas, a FecomercioSP recomenda estratégias defensivas, como foco em retenção de talentos e digitalização, enquanto consumidores devem priorizar planejamento financeiro diante do crédito caro.

Grok/X

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