- Mercado de Trabalho: O Caged registrou uma queda de 32% na criação de empregos formais em julho de 2025 (129.775 vagas) em relação a julho de 2024, o pior resultado para o mês desde 2020. A taxa de desemprego, embora ainda baixa (5,8% no 2º trimestre), mostra sinais de estagnação, com menor rotatividade devido à rigidez trabalhista.
- Consumo e Inadimplência: O varejo acumula quedas mensais consecutivas (-0,3% em abril, -0,4% em maio e -0,1% em junho), impactado por crédito caro e inadimplência recorde. As famílias, especialmente de baixa renda, destinam 80% do orçamento a bens essenciais, cuja inflação acumulada é de 55% desde 2020.
- Atividade Econômica: O IBC-Br, prévia do PIB, caiu 0,7% em junho, após recuo similar em maio. A indústria cresceu apenas 0,3% no 4º trimestre de 2024, enquanto o setor agropecuário retraiu 2,3%. Serviços ainda sustentam crescimento (0,4%), mas em ritmo menor.
- PIB Trimestral: O PIB do 1º trimestre de 2025 cresceu 1,4%, mas sem o impulso do agro, o avanço foi de apenas 0,2% (taxa anualizada de 0,8%). Projeções para o 2º trimestre indicam crescimento de 0,2% a 0,4%, segundo a Fiesp.
Causas da DesaceleraçãoA combinação de fatores internos e externos explica a perda de fôlego:
- Juros Altos: A Selic, em 15% ao ano (com projeção de 15,25% até dezembro), eleva os juros reais a 9,8%, encarecendo crédito (crescimento de 6,5% em 2025, contra 10,6% em 2024) e desestimulando investimentos e consumo. O Banco Central prioriza o controle inflacionário.
- Inflação Persistente: O IPCA acumula 5,5% em 12 meses até julho, acima do teto da meta (4,5%). Alimentos in natura e serviços pressionam os preços, com o dólar a R$ 5,92 elevando custos de importados.
- Política Fiscal Limitada: Após estímulos expansionistas em 2024, o crescimento dos gastos públicos caiu para 2% em 2025. O déficit primário elevado (R$ 177 bilhões em 2023) e a dívida pública geram desconfiança no mercado.
- Choques Externos: Tarifas de 10% impostas pelos EUA sobre exportações brasileiras (aço, soja, carne) reduzem a competitividade. O FMI destaca esses choques como risco ao comércio global, impactando o Brasil.
- Desempenho Setorial: A indústria e o varejo enfrentam retração, enquanto o agro perde força após safras recordes. A Tendências Consultoria aponta desaceleração em 22 estados, com exceção de regiões agroexportadoras como o Centro-Oeste.
Projeções para 2025 e 2026As revisões para baixo nas estimativas de crescimento refletem o cenário desafiador. A tabela abaixo resume as projeções:
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Instituição/Fonte
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PIB 2025
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PIB 2024 (realizado)
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Comentário
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CNI
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2,3%
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3,4%
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Redução de 0,1 p.p.; menor crescimento em 5 anos.
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FMI
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2,0%
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3,4%
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Impacto das tarifas de Trump; inflação em 5,3%.
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Boletim Focus (BC/Mercado)
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1,97%
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3,4%
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Selic projetada em 15% até o fim de 2025.
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Fiesp
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2,4%
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3,4%
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Consumo familiar cresce apenas 0,6%.
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Tendências Consultoria
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~2,0%
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3,4%
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Desaceleração em 22 estados; agro sustenta Centro-Oeste.
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Governo (Haddad)
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2,1%
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3,4%
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Pouso suave, com riscos fiscais.
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- Cenário para 2025: O crescimento deve ficar entre 1,97% e 2,4%, com média de 2%. A inflação projetada é de 5,65%, com cortes na Selic improváveis antes de 2026 (Copom prevê 13,75% no fim de 2026).
- Cenário para 2026: Projeções indicam crescimento entre 1,6% e 3%, com inflação caindo para 4,3%. A recuperação depende de estabilidade fiscal, redução de juros e menor impacto das tarifas externas.
- Riscos: Persistência da inflação de serviços, aumento do desemprego (acima de 6,1%) ou deterioração fiscal podem levar a uma recessão técnica. Por outro lado, uma safra forte e reformas estruturais podem sustentar crescimento modesto.
Perspectivas e RecomendaçõesApesar da desaceleração, a economia brasileira evita uma recessão iminente, sustentada pelo mercado de trabalho resiliente (desemprego em 5,8%) e setores como serviços e tecnologia. No entanto, a aprovação do governo Lula caiu para 24%, refletindo insatisfação com o cenário econômico. Para empresas, a FecomercioSP recomenda estratégias defensivas, como foco em retenção de talentos e digitalização, enquanto consumidores devem priorizar planejamento financeiro diante do crédito caro.















