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A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para investigar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suas ações nos Estados Unidos, que, segundo o órgão, visam desacreditar e intimidar o Judiciário brasileiro. O pedido, encaminhado pelo procurador-geral Paulo Gonet, será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, devido à conexão com investigações como o inquérito das fake news e a ação penal sobre tentativa de golpe de Estado.
Acusações e Contexto
A PGR alega que Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do mandato em março de 2025 para residir nos EUA, tem adotado um “tom intimidatório” em postagens nas redes sociais e entrevistas à imprensa, buscando sanções internacionais contra autoridades brasileiras, especialmente o ministro Alexandre de Moraes. Segundo Gonet, o deputado tenta interferir em processos criminais, incluindo a ação penal contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de liderar uma tentativa de golpe após as eleições de 2022. As ações de Eduardo incluiriam lobby junto a figuras como o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que admitiu a possibilidade de sanções contra Moraes.
O procurador aponta possíveis crimes, como coação no curso do processo, embaraço à investigação de organização criminosa e tentativa de abolir o Estado de Direito. Gonet destaca que as ações do deputado têm “motivação retaliatória” contra o STF, a Polícia Federal (PF) e a própria PGR, ameaçando inclusive familiares de autoridades.
Pedidos da PGR
Além da abertura do inquérito, a PGR solicita:
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Depoimento de Jair Bolsonaro: Por ser considerado beneficiário das ações de Eduardo e responsável financeiro por sua estadia nos EUA.
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Oitiva de Lindbergh Farias: O deputado do PT-RJ, que apresentou representação criminal contra Eduardo, deve ser ouvido para esclarecer fatos e apresentar documentos.
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Monitoramento de redes sociais: Preservação de publicações de Eduardo para apuração.
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Colaboração diplomática: Oitiva de autoridades brasileiras nos EUA que possam ter informações relevantes.
Reação de Eduardo Bolsonaro
Em vídeo publicado em 25 de maio de 2025, Eduardo criticou o STF, especialmente Moraes, e afirmou que busca “criar um ambiente para anistiar” os presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ele comparou suas ações a campanhas de petistas, como a de Dilma Rousseff na ONU em 2016, e negou irregularidades, alegando denunciar “violações de direitos humanos e perseguições políticas”.
Contexto Político
O pedido da PGR foi motivado por uma representação do deputado Lindbergh Farias, que acusou Eduardo de conspirar contra a soberania nacional ao buscar sanções contra Moraes, incluindo a chamada “pena de morte financeira” (bloqueio de ativos e vistos). A liderança do PT na Câmara chegou a pedir a prisão preventiva do deputado, argumentando risco à ordem pública e à independência do Judiciário.
A possibilidade de sanções dos EUA contra Moraes, endossada por Rubio, mobilizou o governo brasileiro, que intensificou diálogos diplomáticos para evitar um conflito internacional. A PGR considera que as ações de Eduardo configuram uma “ofensiva sem precedentes” para deslegitimar o STF e interferir em processos judiciais.
Implicações
A investigação, se autorizada, pode agravar a crise entre o Judiciário e aliados de Jair Bolsonaro, que enfrentam múltiplos inquéritos no STF. A conduta de Eduardo é vista como parte de uma estratégia para pressionar o Judiciário e proteger seu pai, réu por tentativa de golpe. O caso também levanta debates sobre soberania nacional, com críticas de que o deputado busca intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil.
O STF deve decidir nas próximas horas sobre a abertura do inquérito, com potenciais desdobramentos para as relações Brasil-EUA e para o cenário político interno, especialmente em meio às tensões envolvendo o Judiciário e o bolsonarismo.
GROK/X















