PL Prepara Ato Pró-Bolsonaro e Promete Paralisar o Brasil em Resposta a Sanções e Medidas Judiciais

O Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou a organização de uma manifestação em apoio ao político, com a promessa de que “o Brasil vai parar”. A convocação, liderada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ocorre em resposta às medidas cautelares impostas ao ex-presidente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e às sanções dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro. Segundo o Poder360, a data e o local do ato serão definidos em reunião na próxima segunda-feira (21), mas aliados já falam em mobilizar apoiadores em todo o país para protestar contra o que chamam de “perseguição política” a Bolsonaro.

Contexto das ManifestaçõesA decisão do PL de ir às ruas foi impulsionada por dois eventos recentes. Primeiro, a operação da Polícia Federal (PF), autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que impôs a Bolsonaro medidas como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados — incluindo seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) —, veto ao uso de redes sociais e recolhimento noturno. A PF apreendeu US$ 14 mil, R$ 8 mil e um pen drive na residência do ex-presidente, que nega conhecer o dispositivo.

Segundo, a escalada de tensões com os EUA, após o governo de Donald Trump revogar os vistos de Moraes, de outros sete ministros do STF (Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes), do procurador-geral Paulo Gonet e de suas famílias, além de conceder residência permanente (green card) a Eduardo Bolsonaro e seus familiares. O governo americano também anunciou tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, com ameaça de elevação para 100% a partir de 21 de julho, e indicou que países da União Europeia (UE) podem aderir às sanções comerciais, segundo a Reuters e postagens no X.

Em nota publicada no Instagram, o PL declarou: “É hora de a sociedade brasileira se posicionar com coragem. O povo deve voltar às ruas, de forma pacífica e ordeira, para exigir respeito à Constituição, à liberdade e à democracia”. Sóstenes Cavalcante reforçou a convocação no X, afirmando: “Brasil nas ruas já!”. O blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, que está nos EUA com Eduardo, também defendeu a mobilização, sugerindo que será “de uma forma nunca antes vista”.

Reações e MobilizaçãoA convocação do PL ocorre em um momento de alta polarização. O ato é comparado por analistas a manifestações anteriores, como a de 25 de fevereiro de 2024 na Avenida Paulista, que reuniu 185 mil pessoas, segundo a USP, ou 600 mil, conforme a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O objetivo, segundo o pesquisador Pablo Ortellado, é “aumentar o custo político” de uma eventual prisão de Bolsonaro, que enfrenta acusações de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes, com pena potencial superior a 40 anos.

O ex-presidente, que nega as acusações, usou as redes sociais para reforçar o discurso de vitimização, afirmando que as medidas cautelares visam sua “suprema humilhação”. Ele também agradeceu o apoio de Trump, que em carta publicada no Truth Social pediu o fim imediato do processo contra Bolsonaro, chamando-o de “injusto”.

No entanto, a mobilização enfrenta desafios. O ato de 29 de junho na Paulista, que criticava o STF e defendia a anistia aos condenados do 8 de Janeiro, teve baixa adesão, com governadores e figuras como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Michelle Bolsonaro ausentes. O PL espera que a nova manifestação, impulsionada pelas sanções americanas e pela tornozeleira de Bolsonaro, atraia maior apoio. Governadores bolsonaristas, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Cláudio Castro (PL-RJ), Jorginho Mello (PL-SC) e Romeu Zema (Novo-MG), sinalizaram presença.

Riscos e ImplicaçõesA promessa de “parar o Brasil” levanta preocupações sobre possíveis paralisações econômicas, especialmente em um momento de pressão internacional com tarifas americanas e a potencial adesão da UE. O governo Lula, que enfrenta críticas pela condução da economia, teme que protestos em larga escala agravem a crise. Lula prometeu retaliar as tarifas americanas com medidas equivalentes e estuda ações na Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

O STF, por sua vez, mantém sua postura de independência. Moraes vinculou as ações de Eduardo nos EUA, apoiadas financeiramente por Bolsonaro com cerca de US$ 2 milhões, a tentativas de obstrução da Justiça. O julgamento da ação penal contra Bolsonaro, previsto para agosto ou setembro, pode ser influenciado pela pressão pública, mas o Supremo reitera que decidirá com base em evidências.

PerspectivasO ato pró-Bolsonaro, ainda sem data definida, será um teste para a capacidade de mobilização do bolsonarismo em um cenário de crise diplomática e econômica. A adesão de países europeus às tarifas americanas, se confirmada, pode intensificar o isolamento do Brasil, enquanto a manifestação do PL busca capitalizar o descontentamento com o STF e Lula. A promessa de “parar o Brasil” reflete a estratégia de polarização do PL, mas analistas alertam que atos massivos, mesmo pacíficos, podem reacender tensões semelhantes às do 8 de Janeiro, desafiando a estabilidade política do país.

 

Fontes: Poder360, BBC News Brasil, Folha de S.Paulo, Reuters, UOL, G1, postagens no X

 

Grok/X

Mostrar mais artigos relacionados
Mostrar mais em Política
.