PP e União Brasil vão deixar de apoiar o governo Lula, anuncia Mendonça FIlho

O deputado federal Mendonça Filho (União Brasil-PE) anunciou que o União Brasil e o Progressistas (PP) decidiram deixar de apoiar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão, que marca o rompimento da federação União Progressista com a base governista, foi motivada por críticas à condução fiscal do governo, especialmente a proposta de aumento de impostos, como a medida provisória que trata da elevação do ICMS. O anúncio foi feito em meio a tensões internas e disputas regionais que já vinham abalando a relação entre os partidos e o Planalto.

A federação União Progressista, formada em abril de 2025 por União Brasil e PP, reúne a maior bancada da Câmara, com 108 deputados, e a terceira maior do Senado, além de controlar quatro ministérios na gestão petista. No entanto, a aliança tem enfrentado divergências internas, com líderes como Mendonça Filho defendendo uma postura de oposição desde o início. Em entrevista à CNN Brasil, Mendonça afirmou que a federação “não compactua com a escalada do desequilíbrio fiscal” do governo Lula, sinalizando o fechamento de questão contra medidas fiscais propostas pelo Planalto.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), também reforçou o afastamento, declarando à CNN Brasil que a federação deve se desligar do governo em breve, consolidando sua posição para as eleições de 2026. Caiado, que lançou sua pré-candidatura à Presidência, destacou a necessidade de uma postura independente, com foco em responsabilidade fiscal e redução do tamanho do Estado.

Apesar de o União Brasil ainda manter três ministérios (Comunicações, Turismo e Integração Regional) e o PP controlar a pasta dos Esportes, a relação com o governo já vinha se deteriorando. Parlamentares do União Brasil, especialmente os egressos do antigo DEM, como Mendonça Filho, têm histórico de oposição ao PT, o que dificultava a adesão plena à base aliada. Além disso, a escolha de Mendonça como relator da PEC da Segurança Pública, sem consulta ao Planalto, gerou atritos com o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Em Pernambuco, as tensões locais entre Mendonça Filho e o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, agravaram as disputas internas da federação. Mendonça chegou a considerar a saída do União Brasil devido à federação com o PP, apontando a falta de resolução de conflitos regionais como um obstáculo à coesão política.

O rompimento representa um desafio significativo para a governabilidade de Lula, que já enfrenta dificuldades para consolidar uma base sólida no Congresso. A federação União Progressista, com seu peso político e mais de R$ 1 bilhão em fundo eleitoral para 2026, pretende se posicionar como uma força de centro-direita, potencialmente apoiando candidaturas como a de Caiado ou até de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), caso Jair Bolsonaro (PL) permaneça inelegível.

O Planalto não se pronunciou oficialmente até o fechamento desta matéria, mas a saída de PP e União Brasil pode dificultar a aprovação de pautas econômicas, como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal, além de aumentar a pressão por uma minireforma ministerial. A decisão da federação também reflete o reposicionamento estratégico para as eleições de 2026, com o objetivo de capitalizar o desgaste do governo Lula e atrair eleitores de centro e direita.

A redação tentou contato com o Palácio do Planalto e os líderes do União Brasil e PP, mas não obteve retorno até o momento.
Grok/X

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