Preço do Café Deve Subir na Próxima Semana

O café, bebida essencial no dia a dia de milhões de brasileiros, pode ficar ainda mais caro a partir da próxima semana.

 

  Analistas do mercado preveem um aumento de até 10% nos preços ao consumidor, impulsionado pela seca prolongada nas principais regiões produtoras do Brasil, queda na produção global e uma demanda internacional em ascensão. Com a saca de 60 kg do arábica negociada a R$ 2.621,78 na Bolsa de Nova York (NYBOT) nesta quarta-feira (24), o setor alerta para impactos na inflação da cesta básica e nos bolsos dos consumidores.Fatores Climáticos: A Seca que Não Dá TréguaO principal vilão da alta é o clima adverso. No Brasil, maior produtor mundial de café, a estiagem intensa em Minas Gerais e São Paulo – responsáveis por mais de 70% da produção nacional – comprometeu a safra 2025/26. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção deve cair 4,4% em relação ao ano anterior, totalizando 51,8 milhões de sacas. A florada, que ocorre entre setembro e novembro, depende de chuvas regulares, mas a previsão meteorológica indica pouca precipitação na segunda quinzena deste mês, agravando o cenário.“Sem chuvas adequadas agora, teremos uma safra menor, o que pressiona os preços para cima”, explica Celírio Inácio, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Ele estima que os valores no varejo subam de 10% a 15% nos próximos 40 a 60 dias, com reflexos imediatos na próxima semana devido à recomposição de estoques por indústrias e supermercados.

No exterior, o Vietnã e a Indonésia, líderes na produção de robusta, enfrentam secas e chuvas excessivas, reduzindo a oferta global em 16,5%, conforme relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

Demanda em Alta e Estoques Baixos: Uma “Tempestade Perfeita”Além do clima, o consumo global de café atingiu recorde de 170,2 milhões de sacas na safra 2024/25, com estoques finais apertados em 31,8 milhões de sacas, segundo a Organização Internacional do Café (OIC). Países como China e EUA impulsionam a demanda por cafés premium e artesanais, enquanto tarifas impostas pelos EUA – de até 50% sobre importações brasileiras – encarecem o comércio.

Nos últimos quatro meses, o preço no varejo já subiu 35% no Brasil, e a bienalidade negativa do cafeeiro (anos alternados de alta e baixa produção) reforça a tendência para 2025.

No mercado internacional, os contratos futuros de arábica na NYBOT fecharam em US$ 372,93 por libra-peso nesta semana, alta de 1,22% em um dia e 36,4% em relação a setembro de 2024.

Previsões de instituições como Citigroup e ING apontam para médias de US$ 2,68 a US$ 2,80 por libra em 2025, com picos de até US$ 4,41/lb já registrados em fevereiro.

Impactos no Brasil: Do Produtor ao ConsumidorPara os cafeicultores, a alta é uma oportunidade mista: margens de lucro melhoram, mas custos com insumos (fertilizantes e defensivos) subiram 20% em 2025, erodindo ganhos.

No varejo, o quilo de café torrado e moído, que custava R$ 39,63 em agosto de 2024, pode ultrapassar R$ 56 em breve, contribuindo para uma inflação de 20% a 25% no setor, segundo a Abic.

Consumidores sentirão o impacto em cafés expressos, que podem encarecer de R$ 0,20 a R$ 0,50 por xícara em cafeterias, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro.Especialistas como Vanusia Nogueira, da OIC, descrevem o momento como uma “tempestade perfeita”: oferta restrita, demanda crescente e volatilidade climática.

No entanto, há otimismo para 2026, se as floradas de setembro-outubro forem favoráveis, podendo estabilizar preços no segundo semestre.O Que Fazer? Dicas para Consumidores e Setor

  • Estocar com moderação: Compre em quantidades razoáveis para evitar desperdício, priorizando marcas com selos de sustentabilidade.
  • Alternativas: Experimente blends com robusta, mais resistentes e baratos, ou cafés nacionais de cooperativas.
  • Para produtores: Invista em irrigação e variedades resistentes, como recomendado pela Embrapa.

O setor cafeeiro brasileiro, que exportou US$ 8,2 bilhões em 2024, monitora de perto a COP30 em Belém (2026), onde mudanças climáticas serão debatidas. Enquanto isso, o brasileiro pode se preparar para um café mais salgado – literalmente.

Grok/X

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