- 1º Trimestre (janeiro a março): R$ 1,7 bilhão de prejuízo, um aumento de 115% em comparação ao mesmo período de 2024 (R$ 801 milhões). Esse foi o pior início de ano da empresa desde 2017, quando os dados trimestrais começaram a ser divulgados publicamente.
- 2º Trimestre (abril a junho): R$ 2,64 bilhões de prejuízo, elevando o total semestral para R$ 4,37 bilhões.
Essa sequência marca o 11º trimestre consecutivo de prejuízos para os Correios, com nove deles ocorrendo sob a gestão do atual presidente, Fabiano Silva dos Santos (indicado no início do governo Lula). A crise financeira foi um dos motivos para Silva entregar sua carta de demissão em julho de 2025, embora ele permaneça no cargo aguardando um substituto.Causas Principais do PrejuízoA estatal enfrenta uma combinação de fatores que agravaram sua situação financeira em 2025. Entre os principais motivos citados nos relatórios e análises:
- Queda na Receita: A receita líquida caiu 11,8% no semestre, de R$ 9,283 bilhões em 2024 para R$ 8,185 bilhões em 2025. Isso se deve principalmente à redução no volume de postagens internacionais (impactado pelo programa Remessa Conforme e pela “taxa das blusinhas” — imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, implementado em agosto de 2024, que reduziu o fluxo de encomendas). O segmento de cartas, monopólio da empresa, continua em declínio (queda de 8% no semestre anterior), enquanto as encomendas cresceram apenas 1,4%, insuficiente para compensar.
- Aumento nas Despesas:
- Custos com serviços prestados subiram 3,1% no 1º trimestre, para R$ 4 bilhões.
- Despesas administrativas e gerais saltaram de R$ 1,959 bilhão em 2024 para R$ 3,414 bilhões no 1º semestre de 2025, impulsionadas por reajustes salariais (4,11% para mais de 55 mil funcionários), gratificações e benefícios previstos no Acordo Coletivo de Trabalho de 2025. A folha de pagamento sozinha consumiu R$ 2,7 bilhões no 1º trimestre, alta de 8,6%.
- Despesas financeiras aumentaram de R$ 138 milhões para R$ 283 milhões no 1º trimestre, devido a empréstimos e juros.
- Concorrência e Cenário Econômico: O avanço de concorrentes no setor de encomendas (como empresas de logística privada) e a desaceleração nas compras internacionais (devido à taxação) reduziram a participação de mercado dos Correios. Além disso, a empresa acumula obrigações bilionárias, como R$ 7,6 bilhões para cobrir déficits no fundo de pensão Postalis (oriundos de investimentos ruins entre 2011 e 2016, investigados na Operação Greenfield).
- Problemas de Fluxo de Caixa: Em julho de 2025, os Correios suspenderam pagamentos de R$ 2,75 bilhões em obrigações com fornecedores, tributos, plano de saúde (Postal Saúde) e fundo de pensão, para preservar liquidez. Isso causou atrasos em entregas e repasses a parceiros, agravando a crise operacional.
Histórico Recente de Resultados FinanceirosOs Correios alternaram entre lucros e prejuízos nos últimos anos, influenciados por gestões políticas e mudanças regulatórias. Aqui vai um resumo em tabela para comparação:
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Ano/Período
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Resultado (R$ bilhões)
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Observações
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|---|---|---|
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2021 (ano completo)
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+2,3 (lucro)
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Pico histórico, impulsionado por demissões voluntárias e enxugamento de benefícios durante o governo Bolsonaro.
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2022 (ano completo)
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-0,767 (prejuízo)
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Início da reversão, com queda em receitas internacionais.
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2023 (ano completo)
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-0,597 (prejuízo)
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Impacto inicial do Remessa Conforme.
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2024 (ano completo)
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-2,6 (prejuízo)
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Quatro vezes pior que 2023; maior rombo anual da história.
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2024 (1º semestre)
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-1,35 (prejuízo)
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Base de comparação para 2025.
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2025 (1º trimestre)
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-1,7 (prejuízo)
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Aumento de 115% vs. 2024.
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2025 (1º semestre)
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-4,37 (prejuízo)
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Aumento de 222,4% vs. 2024; terceiro ano consecutivo no vermelho.
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- Cortes Operacionais: Suspensão de férias, fim do home office (retorno obrigatório ao presencial a partir de junho de 2025), redução de gratificações e renegociação de contratos (mínimo de 10% de corte em valores).
- Novas Receitas: Lançamento do marketplace “Mais Correios” ainda em 2025; expansão em logística para órgãos públicos (saúde, educação); parcerias com e-commerce e precificação customizada para clientes internacionais.
- Investimentos: Captação de R$ 3,8 bilhões do New Development Bank (NDB, do Brics) para modernização logística e descarbonização; renovação da frota com veículos sustentáveis.
- Outras Iniciativas: Compartilhamento de unidades operacionais, otimização da malha logística e diálogo com sindicatos para novos planos de saúde (economia estimada de 30%).
A empresa afirma que sua “continuidade operacional está assegurada” graças ao suporte da União como acionista e subsídios cruzados nas tarifas. No entanto, analistas apontam que, sem aportes adicionais do governo ou privatização (cancelada em 2023), a sustentabilidade a longo prazo é incerta. Em 2024, os Correios já haviam contratado empréstimos de R$ 550 milhões, e novos financiamentos estão em negociação.Essa situação reflete desafios estruturais de estatais em setores competitivos, como o declínio das cartas e a necessidade de adaptação ao e-commerce.















