- Declaração de Marcelo Ebrard: O secretário de Economia mexicana, em resposta a questionamentos sobre a possibilidade de um ALC bilateral similar ao USMCA (acordo entre México, EUA e Canadá), afirmou que os acordos com o Brasil são limitados a “complementaridade econômica”. Isso se refere a mecanismos de cooperação setorial, como facilitação de investimentos e remoção de barreiras não tarifárias em áreas específicas (ex.: automotivo e agro), mas sem redução ampla de tarifas ou integração plena de mercados.
- Reforço de Claudia Sheinbaum: A presidente mexicana, em coletiva no Palácio Nacional, foi categórica: “Não estamos pensando em um acordo de livre comércio […], mas sim em um acordo de colaboração”. Ela enfatizou o foco em parcerias “estratégicas” para o desenvolvimento sustentável, sem avançar para um ALC integral. O vídeo da declaração, transmitido pela Presidência mexicana, circulou amplamente em veículos como Metrópoles e CNN Brasil, com tradução para o português.
Essas falas ocorreram no contexto da visita brasileira, que inclui discussões sobre cooperação em energia renovável, infraestrutura e comércio bilateral. No entanto, o México prioriza sua integração com a América do Norte, onde 80% de suas exportações vão para os EUA e Canadá, sob o guarda-chuva do USMCA.Contexto Histórico das Relações Comerciais Brasil-MéxicoO Brasil e o México, ambos membros do Mercosul e da Aliança do Pacífico (como observadores), têm uma relação comercial consolidada, mas limitada por barreiras protecionistas e diferenças econômicas:
- Acordo de Complementaridade Econômica (ACE 53): Assinado em 2002 e atualizado em 2015, permite comércio preferencial em mais de 1.300 produtos, com reduções tarifárias de até 100% em itens como automóveis, plásticos e alimentos processados. No entanto, não é um ALC pleno, pois exclui setores sensíveis (ex.: etanol brasileiro e veículos mexicanos) e impõe regras de origem rigorosas.
- Volume de Comércio Atual: Em 2024, o comércio bilateral atingiu US$ 12 bilhões, com superávit mexicano de US$ 2,5 bilhões (exportações mexicanas: US$ 7,3 bi; importações: US$ 4,7 bi).
- Principais produtos: México exporta veículos e eletrônicos para o Brasil; Brasil envia soja, carne e aviões (Embraer). Apesar do crescimento de 15% em 2024, o México representa apenas 1,5% das exportações brasileiras, longe dos EUA (12%) ou China (30%).
- Esforços Recentes do Brasil: O governo Lula tem impulsionado negociações para um ALC bilateral ou integração Mercosul-Aliança do Pacífico, motivado pela desaceleração econômica (PIB projetado em 2% para 2025) e pelas tarifas de 10-25% impostas por Trump a importações latino-americanas. A visita de Alckmin, iniciada em 27/08/2025, visava explorar “oportunidades em cadeias de valor regionais”, mas a resposta mexicana frustra essas ambições.
- Razões Mexicanas para a Recusa: Analistas apontam para a dependência do México do USMCA (que gera 4 milhões de empregos diretos) e receios de diluição de benefícios com o Brasil, cuja economia é mais fechada (tarifa média de 13% vs. 7% mexicana). Além disso, o México evita confrontos com os EUA, especialmente após as ameaças de Trump de rever o acordo se o México se aproximar de rivais como o Brasil ou China.
Implicações Econômicas e PolíticasEssa declaração pode impactar os laços sul-americanos, especialmente em um ano de eleições no Brasil (2026) e com o México sob novo governo desde outubro de 2024 (Sheinbaum, do Morena, sucessora de López Obrador). Aqui vai uma tabela resumindo os principais efeitos potenciais:
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Aspecto
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Impacto no Brasil
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Impacto no México
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Comentários
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Comércio Bilateral
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Manutenção de barreiras; possível queda de 5-10% em exportações de manufaturados brasileiros (ex.: autopeças).
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Proteção de setores como automotivo (maquiladoras ligadas aos EUA).
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Sem ALC, o comércio fica estagnado em US$ 12 bi/ano, vs. potencial de US$ 20 bi com integração plena.
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Investimentos
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Reduz atratividade para FDI mexicano (ex.: Cemex ou Bimbo no Brasil); foco em cooperações pontuais como energia eólica.
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Ênfase em “colaboração” para projetos conjuntos, sem compromissos vinculantes.
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Delegação de Alckmin discute US$ 5 bi em investimentos potenciais, mas sem avanços concretos.
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Relações Regionais
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Dificulta integração Mercosul-Aliança do Pacífico; Brasil pode pivotar para Ásia ou UE.
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Reforça alinhamento com EUA/Canadá; evita retaliações de Trump.
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No contexto de tarifas americanas, México prioriza “nearshoring” com norte-americanos.
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Política Interna
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Críticas à diplomacia de Lula (já sob aprovação de 24%); possível “vexame” na mídia oposicionista.
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Fortalece imagem de Sheinbaum como defensora de interesses nacionais.
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No X (antigo Twitter), posts criticam a viagem como “infrutífera”, com repercussão em perfis como
@NewsLiberdade
e @SamPancher
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- Riscos Globais: Com as tarifas de Trump (efetivas desde julho 2025), ambos os países buscam diversificação, mas o México opta por cautela. O FMI projeta crescimento mexicano de 1,8% em 2025 (impactado por migração industrial dos EUA), vs. 2% brasileiro. Um ALC poderia mitigar isso, mas a recusa mexicana reflete prioridades assimétricas.
- Perspectivas Futuras: Apesar da negativa, Sheinbaum mencionou “acordos de colaboração” em áreas como transição energética e inovação. O Brasil pode pressionar via OMC ou CELAC, mas analistas como os do Valor Econômico veem pouca chance de reversão em 2025.
Em resumo, a declaração de Sheinbaum marca um obstáculo para a agenda comercial brasileira, destacando as assimetrias na América Latina. Fontes como CNN Brasil e Valor Econômico confirmam o tom oficial, sem indícios de mudança imediata.















