Presidente do México Declara Não Pensar em Acordo de Livre Comércio com o Brasil: Contexto e Implicações

Em 28 de agosto de 2025, A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou publicamente que não considera um acordo de livre comércio (ALC) com o Brasil, reforçando uma declaração anterior de seu secretário de Economia, Marcelo Ebrard.
Essa posição foi divulgada durante uma coletiva de imprensa oficial da Presidência mexicana, no mesmo dia em que uma delegação brasileira de alto nível, liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, está no país para negociações comerciais.
A declaração representa um revés para os esforços diplomáticos do governo Lula, que busca diversificar parcerias comerciais em meio a tensões globais, como as tarifas impostas pelo governo Trump aos países latino-americanos. Abaixo, analiso o que foi dito, o contexto histórico e as possíveis implicações econômicas, com base em fontes oficiais e reportagens recentes.
O Que Foi Dito: Declarações Oficiais

  • Declaração de Marcelo Ebrard: O secretário de Economia mexicana, em resposta a questionamentos sobre a possibilidade de um ALC bilateral similar ao USMCA (acordo entre México, EUA e Canadá), afirmou que os acordos com o Brasil são limitados a “complementaridade econômica”. Isso se refere a mecanismos de cooperação setorial, como facilitação de investimentos e remoção de barreiras não tarifárias em áreas específicas (ex.: automotivo e agro), mas sem redução ampla de tarifas ou integração plena de mercados.
  • Reforço de Claudia Sheinbaum: A presidente mexicana, em coletiva no Palácio Nacional, foi categórica: “Não estamos pensando em um acordo de livre comércio […], mas sim em um acordo de colaboração”. Ela enfatizou o foco em parcerias “estratégicas” para o desenvolvimento sustentável, sem avançar para um ALC integral. O vídeo da declaração, transmitido pela Presidência mexicana, circulou amplamente em veículos como Metrópoles e CNN Brasil, com tradução para o português.

Essas falas ocorreram no contexto da visita brasileira, que inclui discussões sobre cooperação em energia renovável, infraestrutura e comércio bilateral. No entanto, o México prioriza sua integração com a América do Norte, onde 80% de suas exportações vão para os EUA e Canadá, sob o guarda-chuva do USMCA.Contexto Histórico das Relações Comerciais Brasil-MéxicoO Brasil e o México, ambos membros do Mercosul e da Aliança do Pacífico (como observadores), têm uma relação comercial consolidada, mas limitada por barreiras protecionistas e diferenças econômicas:

  • Acordo de Complementaridade Econômica (ACE 53): Assinado em 2002 e atualizado em 2015, permite comércio preferencial em mais de 1.300 produtos, com reduções tarifárias de até 100% em itens como automóveis, plásticos e alimentos processados. No entanto, não é um ALC pleno, pois exclui setores sensíveis (ex.: etanol brasileiro e veículos mexicanos) e impõe regras de origem rigorosas.

 

  • Volume de Comércio Atual: Em 2024, o comércio bilateral atingiu US$ 12 bilhões, com superávit mexicano de US$ 2,5 bilhões (exportações mexicanas: US$ 7,3 bi; importações: US$ 4,7 bi).
  • Principais produtos: México exporta veículos e eletrônicos para o Brasil; Brasil envia soja, carne e aviões (Embraer). Apesar do crescimento de 15% em 2024, o México representa apenas 1,5% das exportações brasileiras, longe dos EUA (12%) ou China (30%).

 

  • Esforços Recentes do Brasil: O governo Lula tem impulsionado negociações para um ALC bilateral ou integração Mercosul-Aliança do Pacífico, motivado pela desaceleração econômica (PIB projetado em 2% para 2025) e pelas tarifas de 10-25% impostas por Trump a importações latino-americanas. A visita de Alckmin, iniciada em 27/08/2025, visava explorar “oportunidades em cadeias de valor regionais”, mas a resposta mexicana frustra essas ambições.

 

  • Razões Mexicanas para a Recusa: Analistas apontam para a dependência do México do USMCA (que gera 4 milhões de empregos diretos) e receios de diluição de benefícios com o Brasil, cuja economia é mais fechada (tarifa média de 13% vs. 7% mexicana). Além disso, o México evita confrontos com os EUA, especialmente após as ameaças de Trump de rever o acordo se o México se aproximar de rivais como o Brasil ou China.

Implicações Econômicas e PolíticasEssa declaração pode impactar os laços sul-americanos, especialmente em um ano de eleições no Brasil (2026) e com o México sob novo governo desde outubro de 2024 (Sheinbaum, do Morena, sucessora de López Obrador). Aqui vai uma tabela resumindo os principais efeitos potenciais:

Aspecto
Impacto no Brasil
Impacto no México
Comentários
Comércio Bilateral
Manutenção de barreiras; possível queda de 5-10% em exportações de manufaturados brasileiros (ex.: autopeças).
Proteção de setores como automotivo (maquiladoras ligadas aos EUA).
Sem ALC, o comércio fica estagnado em US$ 12 bi/ano, vs. potencial de US$ 20 bi com integração plena.
Investimentos
Reduz atratividade para FDI mexicano (ex.: Cemex ou Bimbo no Brasil); foco em cooperações pontuais como energia eólica.
Ênfase em “colaboração” para projetos conjuntos, sem compromissos vinculantes.
Delegação de Alckmin discute US$ 5 bi em investimentos potenciais, mas sem avanços concretos.
Relações Regionais
Dificulta integração Mercosul-Aliança do Pacífico; Brasil pode pivotar para Ásia ou UE.
Reforça alinhamento com EUA/Canadá; evita retaliações de Trump.
No contexto de tarifas americanas, México prioriza “nearshoring” com norte-americanos.
Política Interna
Críticas à diplomacia de Lula (já sob aprovação de 24%); possível “vexame” na mídia oposicionista.
Fortalece imagem de Sheinbaum como defensora de interesses nacionais.
No X (antigo Twitter), posts criticam a viagem como “infrutífera”, com repercussão em perfis como

@NewsLiberdade

e

@SamPancher

.

 

 

  • Riscos Globais: Com as tarifas de Trump (efetivas desde julho 2025), ambos os países buscam diversificação, mas o México opta por cautela. O FMI projeta crescimento mexicano de 1,8% em 2025 (impactado por migração industrial dos EUA), vs. 2% brasileiro. Um ALC poderia mitigar isso, mas a recusa mexicana reflete prioridades assimétricas.
  • Perspectivas Futuras: Apesar da negativa, Sheinbaum mencionou “acordos de colaboração” em áreas como transição energética e inovação. O Brasil pode pressionar via OMC ou CELAC, mas analistas como os do Valor Econômico veem pouca chance de reversão em 2025.

 

Em resumo, a declaração de Sheinbaum marca um obstáculo para a agenda comercial brasileira, destacando as assimetrias na América Latina. Fontes como CNN Brasil e Valor Econômico confirmam o tom oficial, sem indícios de mudança imediata.

Grok/X

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