Washington/Caracas, 26 de agosto de 2025, 13:35 BRT –
Um relatório confidencial de inteligência, obtido pela revista colombiana Semana e pela emissora Blu Radio, revelou detalhes explosivos sobre as operações transnacionais do Cartel of the Suns, suposta organização de narcotráfico liderada por altos oficiais militares venezuelanos, com ramificações nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e no Irã.
O documento, elaborado por agências de inteligência do Oriente Médio em colaboração com a DEA (Agência Antidrogas dos EUA) e compartilhado com autoridades colombianas em março de 2025, aponta que o cartel, ligado ao regime de Nicolás Maduro, opera uma rede sofisticada de lavagem de dinheiro em Dubai e financia atividades ilícitas em parceria com o Hezbollah e o governo iraniano. A revelação intensifica as tensões regionais, com a presença naval americana no Caribe e a mobilização de milícias venezuelanas, enquanto o Brasil monitora o impacto na fronteira amazônica.Detalhes do Relatório: Dubai como Hub Financeiro, Irã como FinanciadorO relatório detalha como o Cartel of the Suns, nomeado pelas insígnias solares nos uniformes da Guarda Nacional Bolivariana, utiliza Dubai como um centro de lavagem de bilhões de dólares provenientes do tráfico de cocaína.
A cidade, conhecida por sua discrição financeira, serve como ponto de convergência para lucros ilícitos do cartel, do ELN (Exército de Libertação Nacional) e de dissidentes das FARC, que controlam plantações de coca na região de Catatumbo, na fronteira Colômbia-Venezuela. Fontes da inteligência indicam que empresas de fachada e contas offshore em Dubai, protegidas por redes diplomáticas, movimentaram pelo menos US$ 2 bilhões entre 2023 e 2024, com parte dos fundos destinada ao Hezbollah para financiar operações no Líbano e na Síria.No Irã, o cartel estabeleceu laços com o governo de Teerã, que oferece suporte logístico e financeiro via Hezbollah. O relatório aponta que o Irã facilita a criação de “corredores aéreos e marítimos” para o tráfico de drogas, com rotas que partem de pistas clandestinas venezuelanas para o Caribe, África Ocidental e Europa. Esses corredores são protegidos por oficiais venezuelanos, incluindo membros da Diretoria Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), em troca de propinas. O documento cita evidências de transferências de ouro extraído ilegalmente da Venezuela para o Irã, contornando sanções americanas, com valores estimados em US$ 500 milhões em 2024.
Esses recursos financiam atividades militares do Hezbollah, incluindo aquisição de armas e treinamento.Contexto Geopolítico: Pressão dos EUA e Resposta VenezuelanaA divulgação ocorre em um momento de alta tensão. Em 8 de agosto de 2025, os EUA, sob ordens do presidente Donald Trump, enviaram uma frota naval ao Caribe Sul, incluindo três destróieres (USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson), um esquadrão anfíbio (USS Iwo Jima) e cerca de 4.000 fuzileiros navais, para combater o narcotráfico. A operação visa desmantelar o Cartel of the Suns, classificado como Organização Terrorista Global pelo Departamento do Tesouro em julho. A recompensa pela captura de Maduro foi elevada para US$ 50 milhões, com acusações de narcoterrorismo baseadas em indiciamentos de 2020.Maduro respondeu mobilizando 4,5 milhões de milicianos bolivarianos em 18 de agosto, declarando “alerta máximo” contra “ameaças imperialistas”.
O chanceler Yván Gil chamou o relatório de “ficção americana” para justificar intervenções, enquanto Diosdado Cabello, número dois do regime, acusou a Colômbia de ser um “fantoche dos EUA”. A Venezuela nega a existência do cartel, alegando que as acusações são parte de uma campanha de desestabilização.Implicações Regionais: Impactos no Brasil e na ColômbiaNa Colômbia, o relatório reforça a cooperação com os EUA, com o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, destacando a apreensão de 601 toneladas de cocaína em 2025, 16% acima de 2024.
Ele confirmou que Bogotá intensificará operações na fronteira, mas pediu respeito à soberania. O documento também expõe conflitos entre o ELN e a 33ª Frente das FARC, patrocinados pelo regime venezuelano, pelo controle de rotas de tráfico em Catatumbo.No Brasil, o impacto é sentido na fronteira amazônica, onde o fluxo de refugiados venezuelanos disparou (15 mil entradas em agosto, +40% ante julho), impulsionado pelo alistamento forçado nas milícias. O governo Lula, que mantém laços com Maduro, reforçou a Operação Ágata com 8.000 tropas em Roraima, mas nega envolvimento em supostas operações de apoio, como a rumorada “Operação Imeri” para evacuar Maduro. O Itamaraty expressou “preocupação com a escalada” e busca mediação via CELAC, enquanto a oposição cobra investigações sobre infiltrações criminosas, como o Tren de Aragua, em solo brasileiro.
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Aspecto
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Detalhes das Operações
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Impactos Regionais
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Dubai (EAU)
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Lavagem de US$ 2 bi via empresas de fachada
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Risco de sanções internacionais aos EAU; monitoramento da Interpol
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Irã/Hezbollah
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Financiamento de operações militares; rotas aéreas
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Contorno de sanções; apoio a atividades terroristas no Oriente Médio
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Fronteira Colômbia-Venezuela
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Corredores de tráfico em Catatumbo
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Conflitos ELN-FARC; 601 ton. de cocaína apreendidas em 2025
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Brasil
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Monitoramento de refugiados e crime transfronteiriço
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15 mil entradas; reforço militar em Roraima
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Reações e Ceticismo: Verdade ou Narrativa?O regime venezuelano, apoiado por aliados como Cuba e Rússia, rejeita o relatório como “propaganda sionista” dos EUA e Israel, enquanto analistas como Fernando Casado, autor de El Mito del Cartel de los Soles, argumentam que as evidências são frágeis e recicladas de acusações antigas.
No entanto, fontes do CSIS e da Semana corroboram a credibilidade do documento, citando interceptações de comunicações e depoimentos de desertores venezuelanos.
A oposição, liderada por María Corina Machado, usa as revelações para pressionar por sanções globais.A comunidade internacional, incluindo ONU e Interpol, enfrenta apelos por investigações conjuntas. Enquanto isso, a presença naval americana e a mobilização venezuelana mantêm a América do Sul em alerta, com o Brasil em posição delicada entre solidariedade regional e pressões dos EUA. A crise expõe as complexidades do narcotráfico transnacional, com ramificações que vão da Amazônia ao Oriente Médio.
Grok/X















