Revolução no Nepal: Regime Comunista Derrubado por Protestos da Geração Z Contra Corrupção e Censura

Kathmandu, Nepal – 9 de setembro de 2025
 Em um dia histórico de caos e mudança política, o Nepal testemunhou a derrubada do regime comunista liderado pelo primeiro-ministro K.P. Sharma Oli, após intensos protestos liderados pela Geração Z que culminaram na invasão e incêndio do edifício do Parlamento. Oli, do Partido Comunista do Nepal (UML), renunciou ao cargo em meio a uma crise sem precedentes, com pelo menos 22 mortes confirmadas e mais de 300 feridos em confrontos violentos com as forças de segurança.
O movimento, inicialmente desencadeado por uma proibição de redes sociais, evoluiu para uma revolta popular contra a corrupção endêmica, nepotismo e censura, marcando o fim de uma era de instabilidade dominada por partidos comunistas. O presidente Ram Chandra Poudel aceitou a renúncia, abrindo caminho para negociações sobre um governo interino ou eleições antecipadas, enquanto o exército evacua autoridades e o aeroporto internacional permanece fechado.A Queda do Regime: Renúncia de Oli e o Colapso da CoalizãoA renúncia de Oli veio após conselhos urgentes do chefe do Exército nepali, general Ashok Raj Sigdel, que recomendou a saída para evitar mais derramamento de sangue.
Em uma carta ao presidente, Oli, de 73 anos e em seu quinto mandato desde 2024, citou a “situação extraordinária” no país como motivo para sua demissão imediata, facilitando uma “solução constitucional e política”. A coalizão instável entre o UML e o Nepali Congress, que sustentava o governo, desmoronou com a saída de pelo menos três ministros – incluindo o de Interior, Ramesh Lekhak; Agricultura, Ramnath Adhikari; e Saúde, Pradeep Paudel – que renunciaram por “responsabilidade moral” após a violência de segunda-feira.
A oposição, liderada pelo Nepali Congress, discute a formação de um governo de transição, mas os manifestantes exigem a dissolução total do Parlamento e eleições novas, sob o slogan “KP Chor, Desh Chhod” (Oli é ladrão, saia do país).Oli, conhecido por políticas pró-China e por priorizar alianças com Pequim em detrimento de laços tradicionais com a Índia, enfrentava acusações de proteger aliados corruptos e usar a censura digital para silenciar críticas. Sua renúncia foi celebrada por milhares nas ruas, mas os protestos não pararam: momentos após o anúncio, multidões invadiram o complexo do Parlamento em New Baneshwor, ateando fogo a partes do edifício e vandalizando o interior.
Vídeos virais no X mostram chamas e fumaça subindo do prédio, com bandeiras nacionais sendo agitadas e gritos de “Revolução da Geração Z!”. A casa particular de Oli em Balkot foi incendiada, assim como residências de ex-primeiros-ministros como Pushpa Kamal Dahal (Prachanda) e Sher Bahadur Deuba, o presidente Poudel e o ministro Lekhak.
Até o Hotel Hilton, ligado a um líder governista, foi alvo de vandalismo e fogo.O Estopim: Protestos da Geração Z Contra Censura e CorrupçãoOs distúrbios começaram na segunda-feira (8 de setembro), quando milhares de jovens, principalmente da Geração Z, se reuniram em Kathmandu para protestar contra a proibição imposta pelo governo a mais de 20 plataformas de mídia social, incluindo Facebook, Instagram, WhatsApp, YouTube e X. Anunciada na semana anterior, a medida exigia registro local e supervisão governamental para combater “fake news” e crimes cibernéticos, mas foi denunciada como censura para encobrir escândalos de corrupção.
O Nepal, com 14,3 milhões de usuários de redes sociais (48% da população), depende dessas plataformas para notícias, negócios e ativismo, especialmente entre os jovens frustrados com a falta de oportunidades econômicas e a instabilidade política crônica – o país teve 14 primeiros-ministros desde 2008.O que começou como uma manifestação digital rapidamente se transformou em um levante anti-corrupção, com slogans como “Fechem a corrupção, não a internet” e “Jovens contra o comunismo”.
Os protestos se espalharam para Pokhara, Biratnagar e Bharatpur, com invasões a complexos governamentais. A polícia respondeu com canhões d’água, gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição letal, resultando em 22 mortes (a maioria em Kathmandu) e mais de 300 feridos. Relatos indicam que gás lacrimogêneo invadiu hospitais, e o Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos expressou “choque” com o uso excessivo de força, exigindo investigações. Organizações como a Anistia Internacional condenaram a violência, e a Índia, vizinha influente, emitiu alertas para seus cidadãos.
Nas redes sociais, o movimento ganhou tração com hashtags como #GenZRevolution e #EndCommunistRule, com posts virais alegando que o regime comunista foi “derrubado” pela juventude. Um usuário no X postou: “Nepal acabou de derrubar o governo comunista feminista hoje. Isso é protesto da Gen Z”, enquanto outro destacou: “Alívio para a Índia se o governo comunista for derrubado, mas a China não vai permitir”.
Manifestantes da ONG Hami Nepal enfatizaram que se trata de uma “revolta da Geração Z” contra a “má governança e favoritismo”, com demandas não negociáveis: dissolução do Parlamento, renúncias em massa e suspensão de oficiais responsáveis pela repressão.Evacuação Dramática e Paralisia NacionalCom a violência escalando, o Exército nepali mobilizou helicópteros para evacuar mais de 300 autoridades, incluindo ministros e secretários, de complexos como Bhaisepati para locais seguros, incluindo o Aeroporto Internacional Tribhuvan, que foi fechado, cancelando todos os voos.
Vôos da Índia (IndiGo, Air India) foram desviados, e manifestantes usaram drones e fogos para atrapalhar operações. Um toque de recolher foi imposto em Kathmandu, Lalitpur e Bhaktapur, com proibições a reuniões, mas foi ignorado, com pneus queimados bloqueando ruas. O Ministério das Relações Exteriores da Índia emitiu um advisory para seus nacionais, recomendando cautela e fornecendo números de emergência, enquanto fronteiras com a Índia foram colocadas em alerta máximo, com rumores de que Oli poderia fugir para Dubai.
O chefe do Exército e agências de segurança emitiram um comunicado conjunto apelando por “restrição” e diálogo político urgente. Posts no X mostram cenas caóticas: “Parlamento em chamas agora. Protestos fora de controle após renúncia de Oli – crise política explosiva”.Contexto: Um Regime Comunista em Crise EndêmicaO Nepal não é um estado comunista pleno, mas tem sido dominado por partidos comunistas como o UML e o Maoista Centre desde a abolição da monarquia em 2008, após uma guerra civil maoista (1996-2006). Oli, líder do UML, formou coalizões instáveis, mas escândalos como a compra superfaturada de aviões da Airbus em 2017 e o desvio de R$ 14 bilhões no Aeroporto de Pokhara (financiado pela China) alimentaram a raiva.
A proibição de mídias sociais foi vista como o estopim para suprimir críticas, em um país com economia frágil dependente de remessas e turismo. Analistas notam paralelos com protestos pró-monarquia em março de 2025, onde o ex-rei Gyanendra Shah criticou o “governo comunista” por instabilidade e corrupção, sugerindo um possível retorno à monarquia hindu.A Índia, preocupada com a influência chinesa via Iniciativa Cinturão e Rota, monitora de perto, enquanto a China pode intervir para estabilizar aliados.
Grupos de direitos humanos alertam para um vácuo de poder que agrava a desigualdade, com o desemprego em alta entre jovens.O Futuro Incerto: De Revolução a Estabilidade?Com o regime de Oli derrubado, a oposição discute um governo interino, mas os manifestantes insistem em reformas radicais.
O presidente Poudel convocou uma reunião de emergência com líderes partidários, mas a instabilidade persiste. Analistas preveem eleições antecipadas, mas alertam para riscos de mais violência ou intervenção externa. Enquanto fumaça sobe do Parlamento, a Geração Z declara: “Isso não acaba aqui – o comunismo caiu, agora reconstruímos o Nepal”. Atualizações serão fornecidas conforme a situação evoluir.

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