Rombo nas contas públicas cresce em junho e dívida bruta chega 76,6% do PIB

O Banco Central divulgados em 31 de julho de 2025, o setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais) registrou um déficit primário de R$ 47,091 bilhões em junho, pior do que os R$ 40,873 bilhões de déficit em junho de 2024.
A dívida bruta do governo geral alcançou 76,6% do PIB, equivalente a R$ 9,388 trilhões, um aumento de 0,5 ponto percentual em relação a maio (76,1% do PIB, R$ 9,264 trilhões).
A dívida líquida também subiu, atingindo 62,9% do PIB (R$ 7,702 trilhões), o maior patamar da série histórica iniciada em 2001.
O aumento da dívida bruta foi impulsionado principalmente pelos gastos com juros (+0,7 ponto percentual) e emissões líquidas de dívida (+0,5 ponto percentual), parcialmente compensados pela valorização cambial (-0,2 ponto percentual) e pelo crescimento do PIB (-0,5 ponto percentual).
Apesar do déficit em junho, o acumulado do primeiro semestre de 2025 mostra um superávit primário de R$ 22,029 bilhões, uma melhora de R$ 65,5 bilhões em relação ao déficit de R$ 43,448 bilhões no mesmo período de 2024, influenciada pelo calendário de pagamento de precatórios.O resultado nominal (que inclui juros) foi um déficit de R$ 108,107 bilhões em junho, melhor que os R$ 135,724 bilhões de junho de 2024, beneficiado por ganhos de R$ 20,9 bilhões com swaps cambiais.
Em 12 meses, o déficit nominal acumulado é de R$ 894,388 bilhões (7,3% do PIB). A trajetória de alta da dívida, que cresceu 5,4 pontos percentuais no governo Lula, é uma preocupação para o mercado, com projeções do Tesouro indicando que a dívida bruta pode chegar a 79% do PIB em 2025 e 84% até 2028
O aumento do déficit primário em junho de 2025 e a elevação da dívida bruta para 76,6% do PIB têm impactos econômicos significativos, com implicações de curto e longo prazo para o Brasil.
Abaixo, explico os principais efeitos:1. Pressão sobre a Sustentabilidade Fiscal

  • O que significa: A dívida bruta em 76,6% do PIB indica que o governo deve um valor equivalente a mais de três quartos da economia brasileira. O déficit primário de R$ 47,091 bilhões em junho mostra que as despesas superaram as receitas, excluindo juros, o que força o governo a emitir mais dívida para financiar suas operações.

 

  • Impacto:
    • Curto prazo: A necessidade de emitir mais títulos públicos aumenta a oferta de dívida no mercado, o que pode elevar as taxas de juros exigidas por investidores, encarecendo o financiamento do governo.
    • Longo prazo: Uma trajetória ascendente da dívida (projeções do Tesouro apontam para 79% do PIB em 2025 e 84% até 2028) pode gerar desconfiança sobre a capacidade do governo de honrar seus compromissos, aumentando o risco-país e dificultando o acesso a crédito externo.

2. Aumento dos Gastos com Juros

  • O que significa: O déficit nominal de R$ 108,107 bilhões em junho inclui o pagamento de juros, que consome uma parte significativa do orçamento. A dívida bruta crescente implica maiores desembolsos para cobrir esses juros.

 

  • Impacto:
    • Curto prazo: Menos recursos ficam disponíveis para investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura, limitando o crescimento econômico.
    • Longo prazo: O efeito “bola de neve” pode ocorrer se os juros da dívida crescerem mais rápido que o PIB, tornando a dívida insustentável sem ajustes fiscais drásticos, como aumento de impostos ou corte de gastos.

3. Impacto na Confiança do Mercado

  • O que significa: O aumento da dívida e do déficit primário é monitorado por investidores e agências de rating. A piora de indicadores fiscais pode sinalizar falta de controle das contas públicas.

 

  • Impacto:
    • Curto prazo: A desconfiança pode levar à desvalorização do real, já que investidores estrangeiros podem reduzir sua exposição ao Brasil, exigindo prêmios de risco mais altos para manter títulos brasileiros.
    • Longo prazo: Uma eventual queda na classificação de crédito do Brasil pelas agências de rating (o país já está em grau especulativo) elevaria ainda mais os custos de financiamento, tanto para o governo quanto para empresas.

4. Inflação e Política Monetária

  • O que significa: A necessidade de financiar o déficit com emissão de dívida pode aumentar a liquidez na economia, gerando pressões inflacionárias. Além disso, a percepção de risco fiscal pode forçar o Banco Central a manter ou elevar a taxa Selic para conter a inflação.

 

  • Impacto:
    • Curto prazo: Juros mais altos encarecem o crédito para consumidores e empresas, reduzindo consumo e investimento, o que desacelera a economia.
    • Longo prazo: Um ciclo prolongado de juros altos pode limitar o crescimento do PIB, dificultando a redução da relação dívida/PIB, já que o denominador (PIB) cresce menos.

5. Efeitos na Economia Real

  • O que significa: A piora das contas públicas reduz a capacidade do governo de implementar políticas anticíclicas (como estímulos econômicos em crises) e pode levar a medidas de austeridade.

 

  • Impacto:
    • Curto prazo: Menor investimento público e aumento de impostos (caso o governo opte por essa via) podem reduzir a renda disponível das famílias e a competitividade das empresas.
    • Longo prazo: A falta de investimentos em infraestrutura e serviços públicos essenciais prejudica a produtividade da economia, limitando o crescimento sustentável.

6. Contexto Positivo e Atenuantes

  • O que significa: Apesar do déficit em junho, o primeiro semestre de 2025 registrou um superávit primário de R$ 22,029 bilhões, beneficiado pelo adiamento de precatórios e ganhos com swaps cambiais. Isso indica alguma melhora na gestão fiscal em relação a 2024.

 

  • Impacto:
    • Curto prazo: O superávit acumulado pode acalmar temporariamente os mercados, reduzindo a volatilidade do câmbio e dos juros.
    • Longo prazo: No entanto, a dependência de fatores temporários (como swaps e precatórios) não resolve o problema estrutural do crescimento da dívida, exigindo reformas como a tributária ou administrativa para equilibrar as contas.

7. Implicações Políticas

  • O que significa: A deterioração fiscal ocorre em um contexto de pressão política para aumentar gastos sociais e investimentos, especialmente sob o governo Lula, que busca cumprir promessas de campanha.

 

  • Impacto:
    • Curto prazo: Conflitos entre o Executivo e o Congresso sobre o orçamento podem gerar incertezas, afetando a confiança dos investidores.
    • Longo prazo: A necessidade de reformas fiscais pode enfrentar resistência política, adiando soluções e prolongando a vulnerabilidade econômica.

ConclusãoO aumento do déficit primário e da dívida bruta em junho de 2025 reforça a necessidade de medidas para conter o crescimento das despesas e aumentar a arrecadação de forma sustentável. Sem ajustes, o Brasil enfrenta riscos de maior custo de financiamento, inflação, juros altos e menor crescimento econômico. O superávit do semestre oferece um alívio temporário, mas a trajetória da dívida exige reformas estruturais para evitar uma crise fiscal no médio prazo. A capacidade do governo de equilibrar demandas sociais com responsabilidade fiscal será crucial para mitigar esses impactos.

Grok/X

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