© Marcello Casal JrAgência Brasil
A Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril de 2025 pela Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU), investigou fraudes de R$ 6,3 bilhões em descontos não autorizados em benefícios do INSS entre 2019 e 2024. Algumas entidades envolvidas têm ligações com o PT e o Centrão, conforme reportagens e fontes confiáveis.
Entidades Envolvidas e Suas Ligações:
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Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos):
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Ligação com o PT: O vice-presidente do sindicato é José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula. O Sindnapi é historicamente ligado à Força Sindical, que tem proximidade com o PT em pautas trabalhistas.
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Detalhes: Foi alvo de busca e apreensão e descredenciado judicialmente. A CGU constatou que 76,9% de 26 beneficiários entrevistados não autorizaram descontos ao Sindnapi. O sindicato arrecadou R$ 90,5 milhões em 2023, com crescimento de 78% nos descontos entre 2020 e 2021. A PF aponta indícios de associações sem consentimento, com 20 mil pedidos de exclusão em janeiro de 2024.
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Defesa: O Sindnapi nega irregularidades, afirma apoiar investigações e diz atuar com autorizações formais.
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Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais):
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Ligação com o Centrão: Considerada agressiva no esquema, a Conafer tem elos com políticos do Centrão. Seu principal vínculo no governo Lula foi André Fidelis, ex-diretor de benefícios do INSS, exonerado em julho de 2024 após reportagens sobre fraudes. Fidelis assinava parcerias que permitiam descontos.
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Detalhes: Alvo de buscas, a entidade multiplicava descontos aproveitando brechas em acordos de cooperação técnica com o INSS.
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Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura):
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Ligação com o PT: Tem laços históricos com o PT via sindicatos rurais. Seu presidente, Aristides Veras, foi vereador e vice-prefeito pelo PT em Itabira (MG).
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Detalhes: Também alvo de buscas, surpreendeu fontes do INSS por seu envolvimento, já que é vista como “organizada e republicana”. Aproveitava a facilidade de comprovar aposentadorias rurais até 2019, quando a MP 871 dificultou o processo, embora brechas persistissem.
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Contexto do Esquema:
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Funcionamento: Entidades firmavam Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS, permitindo descontos de mensalidades (R$ 20 a R$ 50) diretamente nos benefícios, supostamente para serviços como assistência jurídica ou descontos em academias e planos de saúde. Muitos descontos eram feitos sem autorização, com suspeitas de falsificação de assinaturas. Em 1.300 casos analisados pela CGU, 97% dos aposentados negaram consentimento.
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Impacto: Os R$ 6,3 bilhões incluem valores legais e ilegais, mas a extensão da ilegalidade ainda está sob análise. A PF cumpriu 211 mandados de busca e apreensão, sequestrou bens de mais de R$ 1 bilhão e decretou seis prisões temporárias em 13 estados e no DF.
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Servidores Afastados: Além do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto (indicado por Carlos Lupi, PDT), cinco servidores foram afastados, incluindo um policial federal que dava suporte ao esquema.
Reações e Implicações:
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Governo Lula: A operação é delicada por atingir a credibilidade do INSS. Lula determinou o afastamento de Stefanutto após reunião com a PF e CGU.
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Oposição: Parlamentares do PL acusam o governo Lula de corrupção e mencionam a possibilidade de uma CPI, citando o “lamaçal de corrupção”.
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Aposentados: Beneficiários podem pedir exclusão de descontos pelo Meu INSS, Central 135 ou diretamente às entidades.
Críticas e Contexto Histórico:
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O esquema ganhou força após mudanças normativas em 2022, durante o governo Bolsonaro, que facilitaram descontos associativos.
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O INSS foi criticado por não realizar um censo previdenciário rigoroso para coibir filiações falsas. O TCU estima que 29 associações arrecadam R$ 1,55 bilhão anualmente, muitas sem fins lucrativos, mas lucrando com descontos.
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A Instrução Normativa nº 162/2024, do governo Lula, passou a exigir biometria e assinatura eletrônica, mas não resolveu descontos anteriores.
Observação:
As ligações com PT e Centrão refletem redes de influência política, mas não implicam necessariamente envolvimento direto de partidos.
O Sindnapi, por exemplo, é mais ligado à Força Sindical do que ao PT em si, embora a presença de Frei Chico gere associação. A Conafer opera em redes do Centrão, que transcendem governos. A investigação segue para esclarecer a extensão das responsabilidades.















