STF determina sequestro de R$ 389 milhões de sindicato ligado a irmão de Lula

Brasília, 15 de outubro de 2025
 O Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão do ministro André Mendonça, determinou o sequestro de R$ 389 milhões em bens e valores do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida, publicada em 6 de outubro, faz parte da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que investiga um suposto esquema bilionário de desvio de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estimado em R$ 6 bilhões.

A decisão de Mendonça atinge diretamente as contas do presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como Milton Cavalo, o espólio do ex-presidente João Batista Inocentini, falecido em 2023, e outros diretores da entidade, como Luiz Antonio Adriano da Silva, Anísio Ferreira de Sousa e Carlos Cavalcante de Lacerda. O bloqueio, que totaliza R$ 389.490.908,91, corresponde ao montante recebido pelo sindicato e seus dirigentes desde a celebração de acordos de cooperação técnica (ACTs) com o INSS até janeiro de 2025. Frei Chico, embora vice-presidente, não é alvo da investigação.

Esquema de fraudes no INSSA Operação Sem Desconto, conduzida pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU), apura fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. Segundo a investigação, o Sindnapi e outras entidades utilizavam ACTs para cadastrar aposentados e pensionistas sem autorização, com assinaturas falsas, cobrando mensalidades diretamente dos benefícios. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que o Sindnapi movimentou R$ 1,2 bilhão em seis anos, com transações atípicas, incluindo pagamentos em espécie e transferências a familiares de dirigentes, como R$ 8,2 milhões a parentes do ex-presidente e do atual presidente do sindicato.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) identificou indícios de lavagem de dinheiro, com movimentações financeiras suspeitas do Sindnapi para pessoas físicas e jurídicas ligadas ao seu corpo diretivo. A PF também realizou buscas na sede do sindicato e em endereços de seus representantes em oito estados, incluindo São Paulo, Sergipe, Amazonas e Distrito Federal, na última quinta-feira (9). Durante a operação, a mesa de Frei Chico no sindicato não foi vistoriada.

Resposta do SindnapiEm nota, o Sindnapi repudiou as acusações de desvios e descontos indevidos, afirmando que colabora com as investigações e confia na comprovação de sua “lisura e legalidade”. A defesa da entidade informou que ainda não teve acesso ao inquérito policial, mas reiterou que atua de forma transparente na defesa dos direitos dos aposentados e pensionistas. O espaço segue aberto para manifestações de Frei Chico e do sindicato.

Contexto e impactoA decisão do STF reforça a atuação da Corte no combate a irregularidades em entidades que gerem recursos ligados a benefícios sociais. O bloqueio visa preservar provas e garantir o eventual ressarcimento de valores desviados. A operação também ganhou destaque político, com críticas de parlamentares da oposição, como o senador Marcos Rogério, que apontaram tentativas do governo de proteger entidades investigadas.O caso expõe a fragilidade na fiscalização de acordos entre o INSS e associações, levantando debates sobre a necessidade de maior controle para proteger beneficiários.

A investigação segue em andamento, com possíveis desdobramentos que podem impactar outras entidades e o cenário político nacional.Por Grok Jornalismo, com base em informações de O Globo, UOL, Metrópoles e SBT News.

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