O governador Tarcísio de Freitas e o presidente Lula (Fernando Nascimento/Governo de SP e Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
Uma série de pesquisas eleitorais divulgadas nesta semana aponta uma ascensão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas simulações para a Presidência da República em 2026, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra quedas em suas intenções de voto e vantagens cada vez menores sobre potenciais adversários.
Levantamentos como os da Futura/Apex e Genial/Quaest mostram o petista perdendo terreno, especialmente em cenários de segundo turno, em um momento de desgaste econômico e críticas à gestão federal.Tendências que preocupam o PlanaltoA pesquisa Futura/Apex, divulgada na terça-feira (11), revela que Lula seria derrotado por Tarcísio em um hipotético segundo turno, com 39,5% das intenções de voto contra 46,5% do governador paulista – uma diferença de sete pontos, superior à margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
O estudo, que ouviu 2 mil eleitores entre 12 e 23 de outubro, destaca o crescimento consistente de Tarcísio, que ganhou mais de seis pontos desde agosto.
O petista também aparece atrás de outros nomes da direita, como Ratinho Júnior (PSD-PR), Michelle Bolsonaro (PL) e o inelegível Jair Bolsonaro (PL), com margens de até 12 pontos.Já o levantamento Genial/Quaest, publicado nesta quinta-feira (13), confirma a liderança de Lula em cenários de primeiro turno, mas com vantagens reduzidas: contra Tarcísio, a diferença caiu de 12 para apenas cinco pontos (41% a 36%). Em outubro, o presidente tinha 46% contra 34% do rival. O instituto, que entrevistou 2.004 pessoas entre 10 e 14 de novembro em 120 municípios, aponta que Lula oscila entre 31% e 39% nos dez cenários testados, enquanto Tarcísio varia de 16% a 21%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Outras sondagens recentes reforçam o movimento:
- Paraná Pesquisas (11/11): Lula cai para 36% no primeiro turno (era 37,4% em outubro), enquanto Tarcísio sobe para 23,2% (de 22,3%). No segundo turno, o petista empata tecnicamente com o governador.
- AtlasIntel/Bloomberg (28/08): Empate numérico no segundo turno, com Tarcísio em 48,4% e Lula em 46,6%, após queda na aprovação do presidente de 50,2% para 47,9%.
Fatores por trás da viradaAnalistas atribuem o avanço de Tarcísio à sua gestão em São Paulo, marcada por investimentos em infraestrutura e segurança pública, contrastando com os desafios nacionais de Lula. A inflação acumulada de 5,8% no ano, o desemprego em 7,7% e a recente operação policial no Rio de Janeiro – que expôs falhas na segurança – pesam contra o governo federal.
Além disso, a rejeição a Lula atinge 53% na Quaest, a maior entre os testados, contra 40% de Tarcísio.
“O eleitorado da direita está se reorganizando em torno de nomes pragmáticos como Tarcísio, que evoca o bolsonarismo sem os excessos”, avalia o cientista político Cláudio Couto, da FGV. “Lula, por outro lado, sofre com a fadiga após três anos de mandato instável.”
Regionalmente, Tarcísio ganha força no Sul e Sudeste: na Quaest, ele empata com Lula no Sul (25,9% a 23,6%).
No Nordeste, bastião petista, a vantagem de Lula cai para 48,2% contra 12%.
Reações políticasO ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, solicitou ao STF autorização para se encontrar com Tarcísio na quarta-feira (12), animado com os números da Paraná Pesquisas. O encontro visa discutir estratégias para 2026, com o governador paulista visto como o “herdeiro natural” do bolsonarismo. Aliados de Lula, como o ministro da Fazenda Fernando Haddad, minimizam os dados: “Pesquisas em novembro de 2025 são volúveis; o foco é na economia e nos programas sociais”, disse em coletiva.A oposição, liderada pelo PL, usa os resultados para pressionar: deputados bolsonaristas protocolaram requerimentos na CPMI do INSS para investigar supostas fraudes que afetam aposentados, ligando o desgaste ao governo petista. Já o Republicanos, partido de Tarcísio, nega pré-candidatura oficial, mas o governador admitiu em entrevista ao G1 que “não foge do debate nacional”.O que as pesquisas dizem sobre rejeição?Um recorte da Paraná Pesquisas mostra Lula com 48,6% de rejeição para 2026, atrás apenas de Flávio Bolsonaro (51,8%) e Jair Bolsonaro (50%). Tarcísio tem a menor, em 38,8%, o que facilita sua consolidação como alternativa da direita.
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Candidato
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Intenções de Voto (2º Turno vs. Lula)
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Rejeição (%)
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Variação Recente
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Tarcísio de Freitas
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46,5% (Futura) / 36% (Quaest)
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38,8 (Paraná) / 40 (Quaest)
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+6 pp (Futura)
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Lula
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39,5% (Futura) / 41% (Quaest)
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48,6 (Paraná) / 53 (Quaest)
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-4 a -7 pp
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Michelle Bolsonaro
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45% (Futura)
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47,9 (Paraná) / 61 (Quaest)
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Estável
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Jair Bolsonaro (inelegível)
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51% (Futura)
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50 (Paraná) / 60 (Quaest)
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+3 pp
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Fontes: Futura/Apex, Genial/Quaest, Paraná Pesquisas (novembro 2025)Perspectivas para 2026Especialistas preveem um segundo turno polarizado entre Lula e um nome da direita, com Tarcísio como favorito atual.
A Quaest indica que 66% dos brasileiros não querem nem Lula nem Bolsonaro como candidatos, abrindo espaço para “outsiders”. Com a campanha oficial só em 2026, analistas como José Luiz Orrico, da Futura, alertam: “Tendências são claras, mas eventos como a safra agrícola ou decisões do STF podem inverter o jogo.
“Os dados completos estão disponíveis nos sites dos institutos. A corrida presidencial ganha fôlego, e o Planalto já sinaliza contraofensiva com anúncios sociais no Orçamento de 2026.















