Trump Acusa George Soros e Filho de Financiar Protestos Violentos e Exige Acusações sob Lei Anti-Máfia

Washington, 27 de agosto de 2025
Em uma postagem explosiva na plataforma Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou diretamente o bilionário George Soros e seu filho Alex Soros de coordenar atividades criminosas, exigindo que sejam processados sob a Lei de Organizações Corruptas e Influenciadas por Extorsão (RICO, na sigla em inglês), uma legislação originalmente criada para combater a máfia.
A declaração, feita na manhã desta quarta-feira, surge em meio a críticas recentes de Alex Soros às políticas de Trump contra o Brasil, incluindo as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciadas hoje.
Trump, sem apresentar evidências específicas, chamou a família de “psicopatas” e alertou: “Cuidado, estamos de olho em vocês!”. A acusação reacende teorias da conspiração de longa data sobre Soros, alimentadas pela extrema-direita, e pode intensificar tensões diplomáticas globais, especialmente com o Brasil, onde Alex Soros tem influência via sua fundação filantrópica.
A postagem de Trump, que viralizou rapidamente nas redes sociais, afirma: “George Soros e seu maravilhoso filho de extrema esquerda deveriam ser acusados de RICO por seu apoio a protestos violentos e muito mais, em todos os Estados Unidos da América. Não vamos permitir que esses lunáticos destruam a América novamente, nunca dando a ela a chance de ‘RESPIRAR’ e ser LIVRE. Soros e seu grupo de psicopatas causaram grandes danos ao nosso país! Isso inclui seus amigos loucos da Costa Oeste. Cuidado, estamos de olho em vocês! Obrigado pela atenção!”.

A lei RICO, promulgada em 1970, permite processar indivíduos e organizações por padrões de crimes como extorsão, fraude e violência organizada, com penas que podem chegar a décadas de prisão e confisco de bens.Contexto da Acusação e Motivações de TrumpA retórica de Trump contra Soros não é nova, mas ganha intensidade em 2025, com o presidente em seu segundo mandato focado em combater o que chama de “interferências estrangeiras” e “agendas radicais”. Soros, um investidor húngaro-americano de 95 anos com fortuna estimada em US$ 7,2 bilhões, é fundador da Open Society Foundations, uma rede filantrópica com US$ 25 bilhões em ativos que apoia causas progressistas, como direitos humanos, democracia e migração. Críticos de direita, incluindo Trump, o acusam de financiar protestos violentos, como os de 2020 contra o racismo (Black Lives Matter) e manifestações recentes contra políticas de Trump em 2025, sem provas concretas.O timing da postagem parece ligado às críticas recentes de Alex Soros, filho de George e presidente do conselho da Open Society desde 2023. Na semana passada, durante visitas ao Brasil, Alex se reuniu com ministros como Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente) e Anielle Franco (Igualdade Racial), além de participar de eventos no BNDES e discutir a COP30. Em entrevistas à Folha de S.Paulo e ao InfoMoney, ele classificou as tarifas e sanções de Trump contra o Brasil como uma “tentativa de mudança de regime” para favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro e enfraquecer Lula, afirmando que “Trump está tornando Lula mais popular” e que as ações “sairão pela culatra”. Alex também criticou Trump como um “bully” (valentão) que respeita apenas quem é “mais rico ou poderoso”, citando falhas em interferências em países como Canadá, Romênia e Austrália.Trump, que revogou vistos de autoridades brasileiras como o ministro Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky e impôs tarifas de 50% sobre US$ 18 bilhões em exportações brasileiras (incluindo aço hoje), vê Soros como financiador de “agendas anti-americanas”. Em fevereiro de 2025, Trump congelou fundos da USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional), alegando que ela financiava ONGs ligadas a Soros para promover “ideologia woke” globalmente, incluindo no Brasil. Isso impactou parcerias da Open Society com a USAID em programas de diversidade e direitos, segundo o Daily Signal.Histórico de Tensões entre Trump e SorosSoros e Trump são rivais de longa data. Desde 2017, Soros chamou Trump de “aprendiz de ditador” em Davos, prevendo falhas em suas políticas. Trump, por sua vez, acusou Soros de financiar protestos contra sua indicação à Suprema Corte, Brett Kavanaugh, em 2018, e de orquestrar a “caravana de migrantes” da América Central em 2018. Teorias da conspiração, amplificadas pela extrema-direita, retratam Soros como um “marionetista global” financiando “revoluções coloridas” e migração em massa, frequentemente com tons antissemitas – Soros é judeu sobrevivente do Holocausto. Em 2018, um apoiador de Trump enviou bombas à casa de Soros, e o atirador de Pittsburgh citou Soros em seu manifesto.No X (antigo Twitter), a postagem de Trump gerou reações polarizadas. Contas conservadoras como

@DC_Draino

e

@ShadowofEzra

celebram: “RICO charges incoming?” e “Trump exposes Soros!”, com milhares de likes e reposts ligando a protestos nos EUA e interferências no Brasil. Usuários de esquerda, como

@EdKrassen

, chamam de “fascismo”, comparando a Stalin e Hitler. No Brasil, posts em português ecoam o tema, com

@RonaldoSouzaBr2

traduzindo a postagem e

@autoeducacao1

explicando a lei RICO. Há especulações de que isso se conecta ao tiroteio em uma escola católica em Minnesota hoje, mas sem evidências.Impactos e PerspectivasA acusação pode levar a investigações do Departamento de Justiça, especialmente com Pam Bondi como procuradora-geral indicada por Trump, mas especialistas duvidam de sucesso sem provas – a RICO exige padrões de crimes comprovados. Para o Brasil, isso agrava a “guerra comercial”: Alex Soros defendeu soberania digital e regulação de big techs, áreas pressionadas por Trump. A Open Society, que doou para causas como a bolsa Marielle Franco, pode enfrentar sanções indiretas via USAID.Analistas como Max Primorac (ex-USAID) veem isso como golpe em redes “radicais”, mas alertam para riscos de antissemitismo. Soros respondeu historicamente via Open Society, negando financiamentos violentos. Trump, em meio a tarifas sobre aço brasileiro (US$ 2,9 bilhões afetados), usa isso para mobilizar sua base. Se prosseguir, pode isolar os EUA diplomaticamente, beneficiando rivais como China. Fique atento: o DOJ pode anunciar ações, mas o impacto retórico é imediato, reacendendo debates sobre filantropia e poder global.

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