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Nova York, 22 de setembro de 2025 –
Durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, que teve início nesta segunda-feira em Nova York, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou uma intensa agenda de reuniões bilaterais e multilaterais com líderes de 11 países, mas o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, não está na lista.
A ausência de um encontro entre os dois líderes reflete as tensões crescentes nas relações entre Brasil e Estados Unidos, marcadas por disputas comerciais, sanções e divergências políticas.Uma Semana de Alto Nível sob TensãoA Assembleia Geral, que celebra os 80 anos da ONU, ocorre em meio a crises globais, como os conflitos em Gaza, Ucrânia e Sudão, além de desafios climáticos e humanitários.
O Brasil, por tradição, abrirá os discursos dos chefes de Estado na terça-feira (23), com Lula discursando logo antes de Trump. Apesar da proximidade física no evento, não há previsão de um encontro formal entre os dois, algo que analistas consideram um reflexo do atual desgaste bilateral.
Trump priorizou reuniões com líderes de países estratégicos para os interesses americanos, incluindo aliados no Oriente Médio, Europa e Ásia.
Entre os confirmados estão:
- Volodymyr Zelensky (Ucrânia), para discutir apoio contra a Rússia e uma possível negociação de paz;
- Javier Milei (Argentina), com foco em comércio e alinhamento ideológico;
- Líderes de monarquias árabes, como Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, em uma reunião multilateral sobre Gaza e estabilidade regional;
- Prabowo Subianto (Indonésia), Recep Tayyip Erdogan (Turquia), Shehbaz Sharif (Paquistão), Abdel Fattah el-Sisi (Egito) e Benjamin Netanyahu (Israel), para abordar questões de comércio, segurança e conflitos no Oriente Médio.
Além disso, Trump deve se encontrar com o secretário-geral da ONU, António Guterres, mas o Brasil ficou de fora da agenda oficial.
Por que Lula foi Excluído?As relações entre Brasil e EUA azedaram desde a posse de Trump em 2025. O presidente americano impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, como soja e aço, além de sanções a autoridades do governo Lula, incluindo o ministro Alexandre Padilha, que teve o visto negado e não viajou a Nova York.
Trump também pressionou pela anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe em 2022, o que gerou atritos com Brasília.O Itamaraty não solicitou uma reunião bilateral, e a Casa Branca também não fez convite. Segundo o assessor especial Celso Amorim, um encontro com Trump só seria viável com “gestos concretos” que justifiquem o diálogo. “Não há clima para conversas enquanto houver sanções e pressões”, disse Amorim em entrevista à BBC.
Apesar disso, a proximidade dos discursos de Lula e Trump pode resultar em um breve “esbarrão” nos bastidores, embora sem agenda formal.
Agenda de Lula na ONU Lula, por sua vez, tem uma agenda cheia. Além de abrir os debates, ele participará da Conferência sobre a Solução de Dois Estados para a Palestina, da cúpula “Em Defesa da Democracia” (sem convite aos EUA) e de eventos preparatórios para a COP30, que o Brasil sediará em Belém.
O presidente deve defender o multilateralismo, o comércio livre e compromissos climáticos, com críticas indiretas às políticas protecionistas de Trump.Reações e ImpactosA exclusão de Lula da agenda de Trump gerou reações no Brasil. No X, a notícia viralizou, com posts como o do perfil
@Poder360
destacando o “desencontro” e acumulando centenas de visualizações. Usuários conservadores classificaram a ausência como uma “humilhação” para Lula, enquanto apoiadores do governo acusaram Trump de “chantagem diplomática”. Analistas, como Matias Spektor, da FGV, sugerem que o gesto de Trump é um “recado velado” ao Brasil, em um momento de fragilidade nas relações bilaterais.
Com o Brasil enfrentando pressões econômicas e diplomáticas, a falta de diálogo com os EUA na ONU pode complicar negociações futuras, especialmente em temas como comércio e mudanças climáticas. Acompanhe a cobertura ao vivo da Assembleia Geral para atualizações sobre os desdobramentos.
Fontes: Poder360, CNN Brasil, Reuters, BBC















