Trump se Prepara para Sanções ao Banco do Brasil e Bloqueio ao Diesel Russo: Tensões Comerciais Aumentam entre EUA e Brasil

Brasília, 02 de setembro de 2025
Em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que inicia nesta terça-feira (2), o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia uma nova ofensiva comercial contra o Brasil.
Fontes em Washington revelam que as medidas em estudo incluem sanções específicas ao Banco do Brasil (BB) e restrições às importações de óleo diesel da Rússia, principal fornecedor do combustível para o mercado brasileiro.
A escalada de tensões, que já resultou em tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em julho, pode aprofundar uma guerra comercial entre as duas nações, afetando setores como agricultura, transporte e finanças.Contexto Político e Econômico das MedidasAs ações propostas pelo governo Trump estão ancoradas em dois eixos principais: retaliação política ao que o presidente americano chama de “perseguição” a Bolsonaro, seu aliado ideológico, e pressão econômica para isolar a Rússia na guerra contra a Ucrânia.
Em julho, Trump invocou a Lei Magnitsky para sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, alegando violações de direitos humanos e censura. Agora, o foco se volta ao Banco do Brasil, instituição estatal acusada de facilitar transações ligadas a figuras sancionadas, como Moraes, que teria recebido um cartão de crédito da bandeira Elo do banco após o cancelamento de um Mastercard internacional.
De acordo com reportagens da CNN Brasil e do Mixvale, as sanções ao BB poderiam incluir multas bilionárias, restrições ao acesso a sistemas de pagamento americanos e limitações a operações internacionais, semelhantes às aplicadas a bancos como BNP Paribas (US$ 9 bilhões em 2014) e Standard Chartered (US$ 1,1 bilhão em 2019) por violações de sanções.
O banco, em nota, afirma atuar em conformidade com normas globais, mas o setor financeiro brasileiro expressa preocupação com o impacto em linhas de crédito para exportadores.Paralelamente, as restrições ao diesel russo visam cortar receitas de Moscou, que financia sua invasão à Ucrânia. Trump já impôs uma tarifa adicional de 25% sobre importações indianas em agosto por compras de petróleo russo, elevando o total para 50%, e ameaça medidas semelhantes a outros países. O Brasil, segundo maior comprador de diesel russo após a Turquia, importou US$ 5,4 bilhões do produto em 2024, representando 60% a 66% das aquisições totais de diesel – essencial para o país, onde 25% do mercado é abastecido por importações, dado o déficit de refino interno.
Indicador
Dados 2024
Impacto Potencial de Sanções
Importações de Diesel Russo pelo Brasil
US$ 5,4 bilhões (66% do total importado)
Aumento de preços em até US$ 0,15/galão; inflação no transporte e alimentos
Participação da Rússia no Mercado Global de Diesel
~10%
Desequilíbrio global de oferta, com preços subindo 5-10%
Tarifas Atuais dos EUA sobre Produtos Brasileiros
50% (com isenções para aviões, energia e suco de laranja)
Expansão para 100% em caso de retaliação brasileira
Sanções ao BB (Exemplos Históricos)
Multas de US$ 340 mi a US$ 9 bi em bancos estrangeiros
Limitação de transações internacionais; impacto em exportações de soja, carne e celulose

Dados compilados de fontes como Abicom, ANP e relatórios da CNN e Estadão

.Reações no Brasil e no MundoO governo Lula reage com indignação, classificando as medidas como “inaceitáveis” e uma interferência na soberania brasileira. O presidente afirmou em entrevista ao New York Times que está disposto a negociar comércio, mas não misturar política com economia, e estuda retaliações, como tarifas sobre produtos americanos. Senadores brasileiros, como Tereza Cristina (PP-MS), que visitaram Washington em agosto, alertaram o Itamaraty sobre os riscos, especialmente para o agronegócio, dependente de fertilizantes russos (US$ 1,98 bilhão importados no primeiro semestre de 2025).

Empresários do setor de combustíveis, como Sérgio Araújo, presidente da Abicom, preveem alta nos preços do diesel em caso de bloqueio, com planos de contingência incluindo reativação de fornecedores americanos – ironicamente, o que Trump deseja. Distribuidoras como Vibra, Ipiranga e Raízen, que importam diesel russo, enfatizam compliance, mas admitem que o produto é 2-15 centavos de dólar mais barato por galão. Analistas da StoneX e Argus Media indicam que o abastecimento não seria afetado imediatamente, mas os custos subiriam, pressionando a inflação.No X (antigo Twitter), a notícia viralizou, com posts de perfis como

@AnaliseEnergia

e

@namcios

destacando o risco ao BB e ao diesel russo, enquanto

@emd_worldwide

critica a política externa de Lula por aproximar o Brasil da Rússia e da China, pintando um “alvo tarifário nas costas do país”

. Críticos bolsonaristas veem as sanções como defesa à “liberdade de expressão”, enquanto apoiadores de Lula as rotulam de “imperialismo”.Internacionalmente, a BBC e o Financial Times alertam para impactos globais: sanções secundárias poderiam elevar preços do petróleo em US$ 5-10 por barril, afetando a economia mundial, mas Trump aposta na produção recorde americana para mitigar isso

. A Índia, já tarifada, e a China, maior compradora russa, monitoram o cenário, enquanto a Otan, via secretário-geral Mark Rutte, avisa que países como Brasil podem ser “atingidos duramente”.Perspectivas e RiscosEspecialistas divergem sobre a efetividade das medidas. Enquanto Trump usa tarifas como “arma para acabar com guerras”, analistas como Isaac Levi, do Centre for Research on Energy and Clean Air, preveem que o Brasil poderia ser o “próximo alvo” após a Índia, mas o impacto no suprimento global de diesel seria limitado pela capacidade ociosa da Opec+

. No entanto, para o Brasil, o custo poderia ser alto: alta na inflação (já em 9% na Rússia, mas com efeitos cascata aqui), desequilíbrio no agro e tensão diplomática no Brics.O julgamento de Bolsonaro, que acusa o ex-presidente de tentativa de golpe, coincide com essas ameaças, sugerindo que Trump usa o comércio para influenciar a justiça brasileira – uma tática criticada por Lula como “imperialista”. Audências no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) estão marcadas para discutir as tarifas atuais, mas novas sanções podem ser anunciadas a qualquer momento.

Enquanto o mundo assiste, o Brasil se prepara para um embate que mistura política, energia e economia. Diálogo ou retaliação? A resposta definirá o futuro das relações bilaterais.

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