Trump tem êxito na negociação do cessar-fogo entre Índia e Paquistão

O presidente Donald Trump desempenhou um papel significativo na negociação de um cessar-fogo entre Índia e Paquistão, após uma escalada de tensões que ameaçava evoluir para um conflito nuclear.
A crise teve início com um ataque terrorista em 22 de abril, em Pahalgam, na Caxemira administrada pela Índia, que matou 26 pessoas, majoritariamente turistas hindus. A Índia atribuiu o ataque a militantes apoiados pelo Paquistão, o que Islamabad negou, e retaliou com ataques aéreos em 7 de maio, atingindo nove alvos descritos como “infraestrutura terrorista” em território paquistanês e na Caxemira administrada pelo Paquistão.
O Paquistão respondeu com contra-ataques, incluindo drones e mísseis, e ambos os lados relataram baixas civis e militares, com o Paquistão afirmando que os ataques indianos mataram mais de 30 pessoas.
Inicialmente, Trump adotou uma postura mais passiva. Em 25 de abril, ele afirmou que Índia e Paquistão “resolveriam a situação de uma forma ou de outra”, destacando que conhecia os líderes de ambos os países e que o conflito na Caxemira era histórico, exagerando ao dizer que durava “mil anos”. Essa abordagem inicial foi criticada por analistas como Praveen Donthi, do International Crisis Group, que alertou para o risco de subestimar a gravidade da situação entre duas potências nucleares. Posts no X na época refletiam um sentimento de que Trump estava dando à Índia liberdade para agir, diferente de sua oferta de mediação em 2019.
No entanto, à medida que os confrontos se intensificaram, Trump mudou sua abordagem. Em 6 e 7 de maio, ele descreveu a situação como “uma vergonha” e expressou esperança de que o conflito “terminasse rapidamente”, oferecendo ajuda para mediar. A posição dos EUA evoluiu para uma diplomacia mais ativa nos dias seguintes. O Secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance engajaram-se diretamente com os primeiros-ministros Narendra Modi (Índia) e Shehbaz Sharif (Paquistão), além de outras autoridades, como os conselheiros de segurança nacional Ajit Doval e Asim Malik. Rubio também conversou com aliados, como a Arábia Saudita, para coordenar esforços de desescalada.
O ponto de virada veio na noite de 9 de maio, após intensas negociações mediadas pelos EUA. Em 10 de maio, Trump anunciou em sua rede social que Índia e Paquistão haviam concordado com um “cessar-fogo imediato e completo”, parabenizando ambos os países por usarem “bom senso e grande inteligência”.
O cessar-fogo entrou em vigor às 17h (horário local) daquele dia, confirmado por uma ligação entre os Diretores Gerais de Operações Militares dos dois países, conforme relatado pelo Secretário de Relações Exteriores da Índia, Vikram Misri. O Paquistão também confirmou o acordo, com o ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, enfatizando o compromisso com a paz sem comprometer a soberania.
Embora a Índia tenha negado oficialmente que os EUA tiveram um papel central, afirmando que o cessar-fogo foi negociado diretamente entre os dois países, Rubio destacou que ele e Vance estiveram em contato com líderes de ambos os lados nos últimos 48 horas, elogiando Modi e Sharif por escolherem “o caminho da paz”. A mediação americana foi crucial para evitar uma guerra total, especialmente considerando o histórico de intervenções dos EUA em crises anteriores, como em 1999 (Kargil) e 2019, quando o então Secretário de Estado Mike Pompeo evitou um “conflagrante nuclear”.
A situação, no entanto, expôs fragilidades. A ausência de mecanismos bilaterais de gestão de crises entre Índia e Paquistão, como apontado pelo ex-conselheiro de segurança nacional paquistanês Moeed Yusuf, tornou a intervenção de terceiros essencial. Além disso, a relutância inicial de Trump em se envolver profundamente refletiu sua visão de que os EUA não deveriam ser “o policial do mundo”, uma mudança em relação a administrações anteriores.
Analistas como John Mearsheimer sugeriram que Trump poderia ter usado incentivos econômicos, como tarifas favoráveis à Índia, para pressionar pela desescalada, mas não há evidências de que isso ocorreu.
Apesar do cessar-fogo, as tensões subjacentes permanecem. A disputa pela Caxemira, as acusações mútuas de apoio ao terrorismo e a falta de diálogo direto continuam a ameaçar a estabilidade.
O envolvimento americano, embora bem-sucedido em evitar um conflito imediato, não aborda as raízes do problema, que exigem uma solução estrutural e bilateral, algo dificultado pela rivalidade histórica e pela política interna de ambos os países.
GROK/X

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