Ucrânia deixa Brasil sem embaixador após insatisfações com Lula

Brasília, 22 de julho de 2025 – O governo da Ucrânia decidiu não nomear um novo embaixador para sua representação diplomática em Brasília, deixando a embaixada brasileira sem um representante de alto escalão. A decisão, confirmada por fontes ligadas à chancelaria ucraniana ao Metrópoles nesta segunda-feira (21/7), reflete insatisfações do governo de Volodymyr Zelensky com posturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vistas como favoráveis à Rússia.

A embaixada ucraniana no Brasil está sem um chefe desde o início de junho, quando o diplomata Andrii Melnyk deixou o posto para assumir um cargo na Organização das Nações Unidas (ONU). No mundo diplomático, manter uma embaixada sem embaixador é interpretado como um sinal de descontentamento com o país anfitrião, podendo indicar um rebaixamento nas relações bilaterais.

Tensões DiplomáticasAs relações entre Brasil e Ucrânia têm sido marcadas por atritos desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023. O governo ucraniano critica gestos e declarações do presidente brasileiro, que, segundo Kiev, demonstram uma postura pró-Rússia. Um dos principais pontos de tensão foi a viagem de Lula a Moscou, em maio de 2025, para participar das comemorações do 80º aniversário do Dia da Vitória. A visita foi classificada por autoridades ucranianas como um “ato hostil”, especialmente por não ter sido acompanhada de um encontro com Zelensky ou uma visita a Kiev, apesar de convites formais feitos pelo líder ucraniano.

Além disso, a Ucrânia recusou pelo menos duas tentativas de conversas telefônicas entre Lula e Zelensky, considerando as iniciativas brasileiras como “cinismo” para “mascarar” uma suposta aproximação com Vladimir Putin. Um diplomata ucraniano, sob anonimato, chegou a afirmar que o convite de Zelensky para Lula visitar Kiev está na mesa há mais de um ano e oito meses, sem resposta do governo brasileiro.

Neutralidade Brasileira em QuestãoO governo brasileiro, por sua vez, nega qualquer crise diplomática. Segundo fontes do Itamaraty, o diálogo a nível ministerial funciona bem, e o Brasil busca resgatar a “diplomacia presidencial” entre Lula e Zelensky, que praticamente não se comunicam desde o ano passado. Um funcionário da diplomacia brasileira, que pediu anonimato, afirmou ao Metrópoles que a demora na nomeação de um novo embaixador ucraniano é um processo “normal” e que o Brasil é considerado um país “muito importante” para a Ucrânia.

No entanto, analistas apontam que a postura de neutralidade do Brasil, defendida pelo Itamaraty, tem sido questionada. Declarações de Lula, como a sugestão de que a Ucrânia deveria ceder território para alcançar a paz, e a abstenção do Brasil em votações na ONU condenando a Rússia pela invasão, foram interpretadas por Kiev como alinhamento com Moscou. Além disso, a proposta sino-brasileira para um cessar-fogo, que não prevê a retirada de tropas russas do território ucraniano, foi rejeitada por Zelensky por ser considerada favorável à Rússia.

Contexto Regional e GlobalEnquanto a Ucrânia anunciou planos para expandir sua presença diplomática em países da América Latina, como Equador, República Dominicana, Panamá e Uruguai, a ausência de um embaixador no Brasil destaca a deterioração das relações bilaterais. A decisão de Kiev ocorre em um momento em que o governo ucraniano busca fortalecer laços com a região, mas vê o Brasil, sob a liderança de Lula, como um obstáculo devido às suas posturas no conflito russo-ucraniano.

Por outro lado, o Brasil mantém sua posição de buscar o diálogo e evitar o isolamento de qualquer parte no conflito. “Não acreditamos na solução militar, mas na capacidade de negociação para encontrar a paz”, afirmou um diplomata brasileiro na Ucrânia, destacando a visão do país de promover uma diplomacia de inclusão, em contraste com a abordagem de sanções adotada por potências ocidentais.

Perspectivas FuturasA ausência de um embaixador ucraniano no Brasil deve se prolongar até pelo menos o final de julho, quando o governo de Zelensky planeja decidir sobre a nomeação de um novo representante. Enquanto isso, a embaixada em Brasília será gerida por um conselheiro no papel de Encarregado de Negócios.

A situação reflete um momento delicado nas relações entre Brasil e Ucrânia, com implicações para a política externa brasileira. A insistência de Lula em manter uma postura de neutralidade, somada à sua aproximação com líderes como Putin e Xi Jinping, continua a gerar desconforto em Kiev, que busca apoio inequívoco contra a agressão russa. Resta saber se os esforços brasileiros para retomar o diálogo presidencial com Zelensky serão suficientes para reverter o atual cenário de tensão.

 

Grok/X

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