Crise nos Correios: Déficit Pode Alcançar R$ 10 Bilhões Até o Fim de 2025 e Pressiona Contas Públicas

Brasília, 25 de novembro de 2025 – A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) enfrenta uma das piores crises financeiras de sua história, com projeções de prejuízo que podem somar R$ 10 bilhões até o encerramento deste ano.
O rombo, que já acumula R$ 4,4 bilhões no primeiro semestre, tem raízes em uma combinação de queda nas receitas, aumento de custos operacionais e perda drástica de participação no mercado de encomendas – que despencou de 51% para 25% nos últimos anos. A situação não só ameaça a sustentabilidade da estatal, mas também impacta diretamente o orçamento federal, forçando o governo a contingenciar R$ 3,3 bilhões em despesas de ministérios para compensar o desequilíbrio fiscal.
O Que Está Por Trás do Rombo?Os Correios, outrora um pilar lucrativo das estatais federais, acumulam prejuízos crescentes desde 2022, impulsionados por fatores estruturais. “Nos últimos anos, enfrentamos um cenário difícil: queda nas receitas, aumento dos custos e perda de espaço no mercado de encomendas”, admite a própria empresa em documento interno obtido pelo Valor Econômico.

A universalização do serviço postal, que obriga entregas em todo o território nacional, representa um custo fixo de R$ 5,4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, segundo nota da estatal.

Além disso, a concorrência feroz de players privados, como empresas de logística modernas, expôs a falta de investimentos em tecnologia e automação. Provisões judiciais e despesas com o Postal Saúde, plano de saúde dos funcionários, agravam o quadro. O relatório bimestral de receitas e despesas do Ministério do Planejamento e Orçamento, divulgado na sexta-feira (21), dobrou a estimativa de déficit primário dos Correios para R$ 5,8 bilhões em 2025, contribuindo para elevar o rombo total das estatais federais de R$ 5,5 bilhões para R$ 9,2 bilhões – acima da meta de R$ 6 bilhões prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

“O aumento na projeção do déficit em R$ 3,7 bilhões decorre principalmente do impacto da reprogramação dos Correios”, explica o relatório oficial, que já desconta R$ 4,2 bilhões em despesas relacionadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Sem intervenções, o cenário piora: projeções internas apontam para um prejuízo de R$ 23 bilhões em 2026.

Medidas Urgentes: Empréstimo de R$ 20 Bilhões e Plano de ReestruturaçãoEm resposta à crise, os Correios aprovaram na quarta-feira (19) um plano de reestruturação financeira, que inclui a busca por um empréstimo de até R$ 20 bilhões junto a bancos como Banco do Brasil, BTG Pactual e Citibank. As propostas devem ser apresentadas até esta terça-feira (25), com expectativa de captar ao menos R$ 10 bilhões a uma taxa máxima de 120% do CDI para equilibrar as contas imediatas e financiar investimentos iniciais.
O plano, dividido em etapas, prevê:

  • Estabilização imediata: Revisão de contratos, reforço de controles e recuperação da regularidade nas entregas.
  • Modernização (2026-2027): Automação logística, fechamento de até 1.000 agências deficitárias, venda de imóveis para arrecadar R$ 1,5 bilhão e redução do contingente de 83 mil funcionários em pelo menos 10 mil via Programa de Demissão Voluntária (PDV).
  • Crescimento sustentável: Parcerias estratégicas, fusões, aquisições e adoção de tecnologias de ponta, com meta de retorno ao lucro em 2027.

O aporte do Tesouro Nacional para cobrir o déficit das estatais subirá para R$ 13,4 bilhões em 2025, pressionando o resultado primário do governo para R$ 34,3 bilhões negativos – dentro do limite de tolerância de R$ 31 bilhões, mas exigindo o contingenciamento de R$ 3,3 bilhões em gastos ministeriais.

Impactos nas Contas Públicas e na SociedadeA crise dos Correios não é isolada: ela reverbera nas finanças federais, agravando o desafio de cumprimento da meta fiscal em um ano de crescimento econômico modesto. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, classificou a situação como “muito ruim” e “estrutural”, alertando para um impacto fiscal potencialmente maior em 2026.
Analistas apontam que a estatal, responsável por serviços essenciais como entrega de correspondências oficiais e benefícios sociais, não pode colapsar sem afetar milhões de brasileiros, especialmente em regiões remotas.“Esse rombo alguém tem que pagar, e quem está pagando é o governo federal”, destacou o Jornal Nacional, enfatizando a complexidade da solução.
Críticos, como economistas da oposição, questionam a gestão da estatal e cobram maior transparência nas negociações bancárias, enquanto sindicatos de trabalhadores temem demissões em massa.O Que Esperar e Dicas para UsuáriosCom negociações em andamento, o sucesso do empréstimo será crucial para evitar um colapso. O governo reforça que monitora o caso de perto, mas especialistas como Durigan admitem que “problemas graves” demandam reformas profundas.
Para os usuários, a recomendação é monitorar atrasos nas entregas e optar por alternativas privadas em envios urgentes, enquanto o plano avança.A trajetória dos Correios serve de alerta para a necessidade de modernização no setor público. Sem ações decisivas, o que era um serviço universal pode se tornar um peso insustentável para o contribuinte brasileiro.
O acompanhamento das propostas bancárias nesta semana definirá se 2025 termina com um alívio ou com mais incertezas.

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