Foto: Polícia Nacional da Espanha
A Polícia Nacional da Espanha anunciou, nesta segunda-feira (12 de janeiro de 2026), a maior apreensão de cocaína em alto-mar da história do país: quase 10 toneladas (exatamente 9.994 kg) da droga, escondidas em uma carga declarada de sal, a bordo de um navio cargueiro que partiu do Brasil com destino à Europa.
A operação, batizada de “Maré Branca” (White Tide), resultou na prisão de 13 tripulantes — cujas nacionalidades não foram divulgadas — e na apreensão de uma arma de fogo usada para proteger o carregamento ilícito.
A embarcação, de bandeira dos Camarões, foi interceptada em águas internacionais do Oceano Atlântico, próximas às Ilhas Canárias, entre os dias 6 e 7 de janeiro.
Sem combustível, o navio precisou ser rebocado pela guarda costeira até o porto de Santa Cruz de Tenerife.
A cocaína estava distribuída em 294 fardos, camuflada entre toneladas de sal — uma tática comum no tráfico marítimo para dificultar a detecção.
Imagens divulgadas pela polícia mostram agentes usando pás e cavando manualmente para retirar os pacotes da droga, formando uma linha humana para transportá-los até o píer.
Colaboração internacional
A ação contou com cooperação multinacional, envolvendo a Polícia Federal do Brasil, a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), a Agência Nacional de Crimes do Reino Unido (NCA) e autoridades da França e Portugal.
A Polícia Federal brasileira confirmou participação, destacando que o navio fez escalas em portos brasileiros em dezembro de 2025, e que acompanha as investigações para reprimir o crime organizado transnacional.As autoridades espanholas atribuem a carga a uma organização criminosa multinacional especializada no envio de grandes volumes de cocaína da América do Sul para a Europa, com o Brasil como ponto de origem frequente.
Contexto e recordeEssa apreensão supera o recorde anterior da Polícia Nacional espanhola em alto-mar, registrado em 1999, quando foram interceptadas 7,5 toneladas.
A Espanha é um dos principais portos de entrada da cocaína na Europa, devido à sua posição geográfica e laços históricos com a América Latina. Em outubro de 2024, as autoridades já haviam registrado a maior apreensão total no país: 13 toneladas escondidas em um contêiner de bananas procedente do Equador.
O valor da carga interceptada varia conforme o mercado: estimativas baseadas em relatórios da European Union Drugs Agency indicam que, no varejo europeu, poderia alcançar até 1,09 bilhão de euros (cerca de R$ 6,8 bilhões), embora algumas fontes mencionem valores ainda mais altos em cenários especulativos.
A operação reforça o esforço conjunto contra o narcotráfico marítimo, que continua a evoluir com rotas cada vez mais sofisticadas. As investigações prosseguem na Espanha, com foco em desmantelar a rede por trás do carregamento.















