(Antonio Cruz/Agência Brasil)
A nova reportagem sobre o INSS ganha contornos críticos nesta quarta-feira (21 de janeiro de 2026), com dados oficiais revelando que a fila de requerimentos pendentes triplicou em relação ao início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O que era prometido como prioridade — zerar as esperas durante a campanha de 2022 — transformou-se em um dos maiores gargalos da gestão atual, levando o Ministério Público Federal (MPF) a abrir investigação para apurar possíveis irregularidades administrativas e omissões na condução do instituto.
De acordo com os números mais recentes divulgados pelo próprio INSS (atualizados até novembro de 2025), a fila atingiu 2,96 milhões de requerimentos em análise, o maior patamar histórico. No final de 2022, ao final do governo anterior, eram cerca de 1,09 milhão de pedidos pendentes.
No início do mandato de Lula, em janeiro de 2023, o estoque já estava em torno de 1,2 milhão — o que significa um aumento de aproximadamente 171% a 172% em menos de três anos, aproximando-se de uma triplicação efetiva quando comparado aos patamares mais baixos recentes.Promessa de campanha não cumpridaDurante a campanha eleitoral de 2022, Lula afirmou repetidamente que seria possível zerar a fila graças à digitalização e à modernização do sistema. Em discurso no Congresso em 1º de janeiro de 2023, ele reforçou: “Vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS”.
O ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), que deixou o cargo em maio de 2025 em meio ao escândalo de fraudes, chegou a projetar prazos de 45 dias para análises em 2024 — meta não atingida.O INSS atribui parte do crescimento a mudanças legislativas que ampliaram a rede de proteção (como ajustes no BPC e em benefícios por incapacidade), além de um aumento expressivo no volume de pedidos.
No entanto, críticos apontam para falhas na gestão, como a priorização de revisões de benefícios (pente-fino) em detrimento de novas concessões, supostamente para conter gastos previdenciários em 2024 e 2025.MPF abre investigaçãoDiante da persistência do problema e de denúncias de aposentados e pensionistas sobre atrasos excessivos — em alguns casos superiores a 180 dias para perícias no Nordeste —, o Ministério Público Federal instaurou inquérito civil para investigar possíveis violações ao princípio da eficiência administrativa (art. 37 da Constituição).
O foco inclui:
- Atrasos sistemáticos em perícias médicas e análises de benefícios como BPC (933 mil pendentes em novembro/2025).
- Falta de transparência na alocação de recursos e servidores.
- Impacto da crise orçamentária e da interrupção temporária de programas como o Atestmed.
O MPF já solicitou informações detalhadas ao INSS e ao Ministério da Previdência, com possibilidade de ações civis públicas para obrigar medidas corretivas urgentes.
Medidas em curso e críticasO presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, anunciou recentemente a retomada de bônus para servidores que analisarem processos extras, criação de “filas extraordinárias” para categorias prioritárias (como salário-maternidade e aposentadorias por idade) e cooperação interestadual para redistribuir demandas. Na região Sul e em São Paulo, a espera média é de até 45 dias, contra 188 dias no Nordeste.Apesar disso, a oposição e entidades de aposentados classificam o cenário como “vergonhoso” e cobram explicações do governo.
O pico atual supera em 45,5% o recorde do governo Bolsonaro (2,03 milhões em janeiro de 2020), reforçando o debate sobre a capacidade do INSS em equilibrar eficiência e controle fiscal.
A fila do INSS segue como um dos principais pontos de desgaste da gestão Lula, especialmente em ano pré-eleitoral, com impactos diretos em milhões de brasileiros que dependem de benefícios para sobreviver. O Palácio do Planalto ainda não se manifestou oficialmente sobre a investigação do MPF.















