(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O Governo Lula mantém um silêncio oficial diante da grave crise no Irã, onde protestos contra o regime teocrático do aiatolá Ali Khamenei já deixaram centenas de mortos confirmados — e estimativas de fontes oposicionistas apontam para milhares de vítimas, incluindo crianças, em meio a uma repressão violenta classificada por ONGs como um possível “massacre”.
Desde 28 de dezembro de 2025, manifestações iniciadas por uma crise econômica profunda (inflação acima de 40%, desvalorização drástica do rial iraniano e alta nos preços de alimentos e combustíveis) evoluíram para um levante nacional contra o regime. Slogans como “Morte ao ditador”, “Khamenei assassino” e pedidos pela volta da monarquia Pahlavi ecoam em todas as 31 províncias, em centenas de cidades, tornando-se a maior onda de contestação desde os protestos de 2022 pela morte de Mahsa Amini.A resposta do governo iraniano tem sido brutal: forças de segurança (Guarda Revolucionária, Basij e polícia) usam munição real, pellets de metal e gás lacrimogêneo contra manifestantes desarmados.
Desde o início de janeiro de 2026, um apagão quase total de internet (confirmado por NetBlocks) impede a circulação de informações independentes, dificultando a verificação de números exatos. Hospitais em Teerã, Shiraz e outras cidades estão sobrecarregados, com relatos de corpos empilhados e feridos negados atendimento.Balanço de vítimas (até 13 de janeiro de 2026)
As estimativas variam devido ao blackout e à falta de acesso oficial:
- HRANA (Human Rights Activists News Agency, baseada nos EUA): Confirmou 490 a 544 manifestantes mortos + 47-48 forças de segurança, totalizando mais de 500-572 mortos verificados. Mais de 10.600-10.681 presos. Centenas de casos em investigação, com potencial para superar 1.200.
- Iran Human Rights (IHRNGO, Noruega): Confirmou pelo menos 192 a 648 manifestantes mortos, incluindo crianças e menores. Relatos não verificados sugerem centenas ou mais de 2.000.
- Fontes oposicionistas e exiladas (Iran International, Time Magazine): Estimativas mais altas, como 2.000 mortos em 48 horas (por volta de 10 de janeiro), 6.000 (baseado em relatos hospitalares, excluindo corpos levados diretamente a necrotérios) ou até 12.000 (considerado o “maior massacre da história moderna iraniana” por alguns). Essas cifras são especulativas e não confirmadas independentemente por ONGs amplamente aceitas como HRANA ou Amnesty International.
- Amnesty International e Human Rights Watch: Documentaram dezenas de mortes iniciais (ex.: pelo menos 28 entre 31/dez e 3/jan, incluindo crianças), com uso indiscriminado de força letal.
O regime não divulga números oficiais de manifestantes mortos (apenas de forças de segurança, alegando cerca de 109-114). Crianças estão entre as vítimas confirmadas por várias ONGs.















