Inadimplência no Brasil Atinge Recorde Histórico em 2025

 
A inadimplência no Brasil realmente alcançou níveis recordes históricos em 2025, afetando tanto consumidores quanto empresas. De acordo com dados recentes de instituições como a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a Serasa Experian e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de devedores continua crescendo, impulsionado por fatores como juros elevados (Selic em 14,75% ao ano, o maior em 19 anos), inflação persistente, redução de renda familiar e dificuldades no acesso ao crédito.
Isso cria um ciclo vicioso que impacta o consumo, o faturamento das empresas e a economia como um todo. Abaixo, explico os principais dados e tendências baseados em relatórios oficiais até julho de 2025 (os mais recentes disponíveis próximos à data atual de 9 de setembro de 2025).Inadimplência de Consumidores (Pessoas Físicas)
O Indicador de Inadimplência da CNDL/SPC Brasil revela um aumento contínuo no número de brasileiros negativados, atingindo patamares alarmantes. Em junho de 2025, o Brasil registrou 71,28 milhões de consumidores inadimplentes, o que representa 42,89% da população adulta — o maior índice da série histórica.
Esse número reflete um crescimento anual de 7,73% em relação a junho de 2024 e um aumento mensal de 0,93% em relação a maio.Aqui vai uma tabela com a evolução mensal ao longo de 2025 (dados da CNDL/SPC Brasil):
Mês
Número de Inadimplentes (milhões)
Percentual da População Adulta
Variação Anual (%)
Variação Mensal (%)
Fevereiro
68,76
41,50%
+3,22
-0,04
Março
69,60 (aprox.)
~41,80%
+3,89
+1,54
Abril
70,29
42,36%
+4,59
+1,09
Maio
70,73
42,59%
~+5,00
+0,78
Junho
71,28
42,89%
+7,73
+0,93

 

  • Perfil dos inadimplentes: A faixa etária mais afetada é de 30 a 39 anos (cerca de 23,7% do total, ou mais de 17 milhões de pessoas, com 50-51% dessa faixa etária negativada).
  • Mulheres representam 51,1% dos casos, e homens 48,9%. O tempo médio de atraso das dívidas é de 28,1 meses (cerca de 2,3 anos), com foco em dívidas de até R$ 1.000 (43,48% dos casos).

 

  • Valor médio das dívidas: Cada inadimplente deve, em média, R$ 4.689 em abril, com os bancos concentrando 66,74% das pendências (principalmente cartões de crédito, empréstimos e financiamentos).

 

  • Outros indicadores: A CNC reportou que a inadimplência atingiu 30,2% da população em julho (maior nível desde setembro de 2023), com endividamento familiar em 78,2% em maio. A Serasa indica quase 77 milhões de inadimplentes em maio, também um recorde desde 2016.

 

O presidente da CNDL, José César da Costa, destaca que “a inadimplência segue em patamares tão elevados, atingindo um novo pico”, atribuindo o fenômeno a imprevistos, redução de renda e falta de controle orçamentário. Prioridades como contas essenciais (água, luz, internet) são pagas primeiro, adiando outras dívidas.Inadimplência de EmpresasO cenário é igualmente crítico para as empresas, com recordes batidos pela Serasa Experian e FecomercioSP.

Em março de 2025, o Brasil alcançou mais de 7 milhões de empresas inadimplentes (94% micro e pequenas), totalizando dívidas de R$ 170 bilhões — o maior índice desde 2016. Em abril, o número subiu para 6,51 milhões (com dívidas totais de R$ 117,5 bilhões), e projeções indicam continuidade da alta no início de 2025.
  • Setores mais afetados: Serviços lideram, seguidos por comércio e indústria. Estados como Maranhão (43% de inadimplência empresarial), Distrito Federal (40,9%) e Alagoas (40,3%) têm as maiores taxas; Santa Catarina (24,5%) e Espírito Santo (24,8%) as menores.

 

  • Impactos: Há um aumento de 61,8% nos pedidos de recuperação judicial em 2024 (2.273 casos), com a tendência se mantendo em 2025 (162 em janeiro e 122 em fevereiro). Micro e pequenas empresas respondem por 6,8 milhões de inadimplentes, com 47 milhões de débitos pendentes somando R$ 141,6 bilhões.

Causas e Consequências

  • Fatores principais: Juros altos (Selic em 14,75%), inflação, crédito restrito e desaceleração econômica. O endividamento familiar cresceu apesar de um mercado de trabalho aquecido (renda média de R$ 3.410/mês no 1º trimestre). Programas como o Desenrola Brasil ajudaram, mas foram insuficientes.
  • Efeitos na economia: Redução na busca por crédito (-7,33% em abril vs. 2024), queda no faturamento de pequenas empresas (-1,2% no 1º trimestre) e risco de desaceleração no segundo semestre. Bancos estão cautelosos, mas o sistema financeiro não corre risco imediato, segundo a Febraban. No entanto, 12,5% das famílias afirmam não ter condições de pagar dívidas, impactando a saúde emocional (aumento de ansiedade e depressão).
  • Projeções para 2025: A CNC prevê endividamento 1,1 ponto percentual maior e inadimplência 1,4 ponto acima do fim de 2024. Quedas na Selic só a partir do fim de 2025 ou 2026.

 

Dicas para Evitar ou Sair da InadimplênciaPara lidar com isso, especialistas como o professor Eduardo Fraga (Universidade Presbiteriana Mackenzie) e o app GuiaBolso recomendam:

  1. Controle orçamentário: Registre receitas e despesas diárias; priorize essenciais.
  2. Renegociação: Use plataformas como Serasa Limpa Nome ou Desenrola Brasil para parcelar dívidas com descontos.
  3. Busca por crédito consciente: Evite rotativo de cartão (84,5% das dívidas); opte por empréstimos com taxas baixas.
  4. Aumento de renda: Busque fontes extras, como freelances, e corte gastos supérfluos.
  5. Educação financeira: Monitore score de crédito e evite novas dívidas impulsivas.

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