PIX ganha novo recurso e, a partir de agora, toda e qualquer transação será rastreada pelo Banco Central

Em uma medida que promete revolucionar a segurança das transações financeiras no Brasil, o Banco Central (BC) implementou, a partir de ontem (23), a versão 2.0 do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do PIX. O novo recurso permite o rastreamento ampliado de valores envolvidos em fraudes, golpes ou situações de coerção, monitorando o fluxo completo do dinheiro por múltiplas contas bancárias.
Embora não se aplique a todas as transações cotidianas, o sistema representa um avanço significativo na transparência e na recuperação de recursos desviados, respondendo ao aumento alarmante de prejuízos com crimes digitais.O Que Muda com o MED 2.0?Lançado em 2021 como uma ferramenta inicial para devoluções, o MED original limitava o bloqueio de valores apenas à conta recebedora inicial da transação fraudulenta. O problema? Golpistas costumam transferir o dinheiro rapidamente para contas intermediárias, pulverizando os recursos e tornando a recuperação quase impossível. Com o MED 2.0, as instituições financeiras agora compartilham informações em tempo real, permitindo mapear toda a “cadeia de transações” – ou seja, seguir o rastro do dinheiro mesmo após ele sair da conta original.
“A automação representa um avanço significativo, facilitando o monitoramento de recursos frequentemente divididos em várias contas para dificultar o rastreamento”, explica o Banco Central em comunicado oficial. O compartilhamento instantâneo de dados entre bancos e fintechs deve agilizar o processo, com devoluções possíveis em até 11 dias após a contestação da vítima.

A adoção do novo mecanismo é facultativa até 2 de fevereiro de 2026, quando se tornará obrigatória para todos os participantes do sistema PIX.

Desde 1º de outubro, os usuários já contam com um “botão de contestação” nos aplicativos dos bancos, permitindo reportar fraudes diretamente, sem necessidade de atendimento humano. Essa funcionalidade, somada ao rastreamento ampliado, visa aumentar as chances de bloqueio imediato e devolução integral dos valores.

Números que Preocupam: Fraudes no PIX em AltaOs dados são alarmantes. Segundo o Banco Central, obtidos via Lei de Acesso à Informação, os prejuízos com fraudes envolvendo PIX somaram R$ 4,94 bilhões em 2024 – um salto de 70% em relação aos R$ 2,91 bilhões registrados em 2023.

Especialistas atribuem o crescimento à popularidade do sistema, que processa bilhões de transações instantâneas por mês, mas também atrai criminosos que exploram a velocidade das transferências.“O PIX se consolidou como o meio de pagamento preferido dos brasileiros, mas a sofisticação dos golpes exige respostas ágeis e integradas”, comenta o economista João Silva, professor da Universidade de Brasília (UnB). Ele destaca que o novo recurso não só facilita devoluções, mas também inibe a reutilização de contas “laranjas” em novos esquemas, fortalecendo a triagem preventiva nos bancos.

Impactos e Desafios: Mais Segurança, Mas com Privacidade em Xeque?Para os usuários comuns, o MED 2.0 traz alívio: transações legítimas não serão afetadas, e o foco permanece em casos suspeitos de fraude ou coerção. A expectativa é que a medida reduza perdas e aumente a confiança no PIX, que já é referência global em pagamentos instantâneos. No entanto, críticos apontam desafios, como a necessidade de adequações tecnológicas nos bancos e questões de privacidade no compartilhamento de dados.“É um equilíbrio delicado entre segurança e proteção de dados pessoais”, alerta Maria Oliveira, especialista em cibersegurança da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). O BC reforça que o rastreamento é estritamente regulado pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e aplica-se apenas a transações reportadas como irregulares.

Dicas para se ProtegerEnquanto o sistema evolui, o BC recomenda:

  • Aja rápido: Conteste fraudes imediatamente via app do banco para maximizar chances de recuperação.
  • Fique atento: Desconfie de pedidos urgentes de PIX ou links suspeitos.
  • Use limites: Configure tetos diários para transferências no seu app bancário.
  • Eduque-se: Acompanhe atualizações no site do Banco Central (bcb.gov.br).

Com o MED 2.0, o PIX dá um passo firme contra o crime digital, mas a vigilância coletiva continua essencial. O Brasil, pioneiro em pagamentos instantâneos, agora aposta em inteligência compartilhada para manter sua liderança – e proteger o bolso dos brasileiros.

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