Dolar (Pixabay)
Déficit em transações correntes cresce 4% ante 2024, mas é integralmente financiado por recorde de investimentos estrangeiros diretos; resultado é o pior desde 2014.
Brasília, 27 de janeiro de 2026 – As contas externas brasileiras fecharam o ano de 2025 com um déficit recorde em 11 anos, somando US$ 68,8 bilhões (equivalente a cerca de R$ 362 bilhões, dependendo da cotação média do dólar no período).
O valor representa 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB) e foi divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central (BC).O resultado marca um aumento de aproximadamente 4% em relação a 2024, quando o rombo foi de US$ 66,2 bilhões (3,03% do PIB).
Trata-se do pior desempenho anual desde 2014, quando o déficit chegou a US$ 110,4 bilhões, em meio a um cenário de crise econômica e desvalorização cambial mais acentuada.O principal fator para o agravamento do déficit foi a redução no superávit comercial (exportações menos importações), que caiu em cerca de US$ 5,9 bilhões na comparação anual.
Esse movimento foi parcialmente compensado por melhoras em outras contas, como a redução no déficit de serviços (US$ 2,2 bilhões a menos) e estabilização em renda primária (remessas de lucros, dividendos e juros ao exterior).Apesar do rombo maior, o BC destacou que o déficit foi integralmente financiado por entradas de capital externo.
Os Investimentos Diretos no País (IDP) bateram recorde, alcançando US$ 77,7 bilhões em 2025 (3,41% do PIB), superando os US$ 74,1 bilhões de 2024. Esse fluxo de recursos estrangeiros – vindos principalmente de setores como infraestrutura, energia, indústria e serviços – cobriu o saldo negativo das transações correntes e ainda gerou leve superávit na conta financeira.Em dezembro de 2025, o déficit em transações correntes foi de apenas US$ 3,4 bilhões, bem abaixo dos US$ 10,2 bilhões registrados em dezembro de 2024, ajudado por um superávit comercial mais robusto no mês e redução nos gastos com serviços.
O Banco Central avaliou que o cenário das transações correntes se manteve “robusto” ao longo de 2025, com tendência de aumento do déficit até fevereiro, seguida de estabilização até novembro e melhora em dezembro. Para 2026, analistas do BC projetam algum alívio no déficit, impulsionado por possível expansão das exportações, estabilidade nas importações e menor dinamismo da economia doméstica, que pode reduzir saídas de renda e serviços.
O resultado reforça debates sobre a sustentabilidade externa do país em um contexto de juros altos globais, remessas crescentes de lucros e dependência de capitais estrangeiros para equilibrar as contas.
Economistas monitoram de perto o impacto no câmbio e na confiança dos investidores.Fontes: Banco Central do Brasil, G1, Gazeta do Povo, Agência Brasil e relatórios oficiais divulgados em 26/01/2026.















