Maior circulação do vírus tipo 2 da dengue contribui para o aumento de casos em São Paulo e ocorrência de quadros clínicos mais graves

Época de férias, muito calor e pancadas de chuva no final do dia. Este é um cenário típico do verão, momento de ligar o sinal de alerta não só para o protetor solar, mas também para as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Neste período há um aumento dessas doenças, as chamadas arboviroses, causadas pelos arbovírus, que inclui o vírus da dengue, zika e chikungunya.

Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que até 11 de novembro de 2019 foram confirmados 390 mil casos de dengue no Estado de São Paulo, com 256 óbitos. Além disso, houve ainda 72 casos de zika e 280 de chikungunya, sem registro de óbitos. Os números de casos de dengue não são tão altos quando comparados com os da epidemia de 2015, com 709 mil casos e 513 óbitos, mas o que preocupa é a maior dispersão do vírus tipo 2 da dengue no Estado.

O Ministério da Saúde confirma que, no fim de 2018, houve alteração de sorotipo da dengue no Brasil. Quando isso acontece, o número de pessoas suscetíveis a contrair o vírus aumenta. De acordo com a dra. Ligia Pierrotti, infectologista do Delboni Auriemo, laboratório que integra a Dasa, com a maior circulação do sorotipo 2 da dengue, mesmo os pacientes que já tiveram dengue tipo 1, por exemplo, estão suscetíveis a infecções, o que contribui para o aumento de casos e até mesmo para a ocorrência de quadros clínicos mais graves.

Para os especialistas, é importante conscientizar a população de que existem quatro tipos de vírus da dengue e, portanto, é possível ter a doença mais de uma vez. Pesquisas do órgão mostram que 98% dos brasileiros sabem o que é a dengue e conhecem as medidas de prevenção, o grande desafio é transformar essas informações em ação.

Medidas de prevenção*:
• Tampe os tonéis e caixas d’água;
• Mantenha as calhas sempre limpas;
• Deixe garrafas sempre viradas com a boca para baixo;
• Mantenha lixeiras bem tampadas;
• Deixe ralos limpos e com aplicação de tela;
• Limpe semanalmente ou preencha pratos de vasos de plantas com areia;
• Limpe com escova ou bucha os potes de água para animais;
• Retire água acumulada na área de serviço, atrás da máquina de lavar roupa;
• Cubra e faça a manutenção periódica de áreas de piscinas e de hidromassagem;
• Atenção com bromélia, babosa e outras plantas que podem acumular água;
• Lonas usadas para cobrir objetos devem estar bem esticadas, para evitar formação de poças d’água.

* Fonte: ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar

Principais sintomas:
• Chikungunya: febre alta de início rápido, dores intensas e inchaço nas articulações dos pés e mãos; manchas vermelhas na pele e coceira intensa podem ocorrer.
• Dengue: febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, perda de apetite, manchas e erupções na pele (principalmente na região do tórax e membros superiores), náuseas e vômitos, tontura, moleza e cansaço extremo.
• Zika: febre baixa, dor nas articulações, dor muscular, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, conjuntivite e erupções cutâneas avermelhadas que podem coçar.

A infectologista alerta que a dengue e a chikungunya podem evoluir com quadros muito graves, que podem levar à morte. Daí a importância da procura imediata dos serviços de saúde em casos de quadros febris.

Tratamentos:

Segundo a dra. Ligia não existe medicação específica para o combate aos vírus que causam zika, dengue e chikungunya. Por isso, a recomendação de tratamento depende dos sintomas apresentados. No caso da dengue, o médico responsável poderá pedir o monitoramento do hemograma do paciente. “Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios só podem ser tomados após recomendação médica”, finaliza a médica.

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