Brasília, 22 de julho de 2025 – O Ministério da Educação (MEC) anunciou a suspensão da aquisição e distribuição de livros didáticos de História e Ciências para o ano letivo de 2026, devido a restrições orçamentárias.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União na última semana, afeta milhões de estudantes da rede pública do ensino fundamental e médio em todo o Brasil, que ficarão sem materiais atualizados dessas disciplinas no próximo ano.O corte é reflexo de um orçamento reduzido para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), que enfrenta dificuldades financeiras agravadas pela crise fiscal do governo federal. Segundo o MEC, o orçamento de 2025 para o PNLD foi reduzido em 30% em relação ao ano anterior, comprometendo a renovação de livros didáticos para disciplinas específicas.
A escolha por priorizar outras áreas, como Matemática e Língua Portuguesa, foi justificada pelo ministério como uma medida para “otimizar recursos escassos”.Impactos na EducaçãoA ausência de livros de História e Ciências deve impactar diretamente o ensino em escolas públicas, especialmente em regiões mais pobres, onde o material didático é a principal ferramenta de apoio ao aprendizado.
Professores e especialistas alertam que a falta de livros atualizados pode comprometer o desenvolvimento de habilidades críticas, como análise histórica e pensamento científico, além de dificultar o cumprimento do currículo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).“Sem livros de História, como vamos ensinar os alunos a entender o passado e refletir sobre o presente? E sem Ciências, como formar cidadãos preparados para os desafios ambientais e tecnológicos?”, questionou Maria Helena Guimarães, presidente da Associação Brasileira de Educação (ABE), em entrevista ao Estadão. Ela destacou que a medida pode aprofundar desigualdades educacionais, já que escolas particulares não enfrentam o mesmo problema.Reações e CríticasA decisão do MEC gerou forte repercussão entre educadores, pais e estudantes. Em posts no X, usuários classificaram a medida como “um retrocesso inaceitável” e criticaram a gestão do ministro da Educação, Camilo Santana, por priorizar outras áreas em detrimento de disciplinas fundamentais.
Sindicatos de professores, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), prometem mobilizações para pressionar o governo a reverter o corte.O MEC, por sua vez, afirmou que está buscando alternativas, como a reutilização de livros de anos anteriores e o incentivo a materiais digitais gratuitos.
No entanto, a solução é vista com ceticismo por especialistas, que apontam a falta de infraestrutura tecnológica em muitas escolas públicas, especialmente em áreas rurais, como um obstáculo para o uso de recursos digitais.Contexto OrçamentárioO orçamento do MEC para 2025, aprovado pelo Congresso Nacional, sofreu cortes significativos devido às restrições impostas pelo arcabouço fiscal. O PNLD, que em 2023 distribuiu cerca de 160 milhões de livros para 40 milhões de alunos, teve sua verba reduzida de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,75 bilhão.
Além disso, atrasos na entrega de materiais didáticos já vinham sendo registrados desde 2024, o que agravou a situação para 2026.Fontes do ministério, sob anonimato, revelaram ao G1 que o governo estuda parcerias com estados e municípios para suprir a lacuna, mas não há garantias de que essas iniciativas sejam suficientes para atender a demanda. O MEC também planeja uma revisão do PNLD para 2027, com foco em maior eficiência na alocação de recursos.Consequências a Longo PrazoEspecialistas alertam que a falta de livros didáticos pode ter impactos duradouros no desempenho escolar e na formação de estudantes. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que a ausência de materiais didáticos adequados reduz em até 20% o rendimento em disciplinas como História e Ciências, especialmente no ensino fundamental II (6º ao 9º ano).
Além disso, a medida pode agravar o cenário de desigualdade educacional no Brasil, que já enfrenta desafios como altas taxas de evasão escolar e defasagem de aprendizado pós-pandemia. “Estamos hipotecando o futuro de uma geração por falta de planejamento e priorização da educação”, afirmou Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.PerspectivasO MEC informou que está em diálogo com o Ministério da Economia para tentar recompor o orçamento do PNLD ainda em 2025, mas não há prazos definidos para uma solução.
Enquanto isso, professores planejam recorrer a materiais alternativos, como apostilas impressas localmente e recursos online, embora reconheçam que essas opções não substituem integralmente os livros didáticos.A decisão de cortar livros de História e Ciências reforça o debate sobre a valorização da educação no Brasil e coloca pressão sobre o governo para rever suas prioridades orçamentárias.
Sem uma solução rápida, o ano letivo de 2026 pode começar com um déficit significativo no acesso a materiais essenciais para o aprendizado.
Grok/X















