Jornalistas Estrangeiros São Vítimas de Assalto em Belém às Vésperas da COP30

Belém, Pará – 4 de novembro de 2025
 Um incidente de violência urbana abalou a capital paraense no último domingo (2), quando dois jornalistas estrangeiros, uma argentina e um chileno, foram assaltados a mão armada no icônico Mercado Ver-o-Peso, um dos principais pontos turísticos da cidade.
Os profissionais, que estão no Brasil para cobrir a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), marcada para novembro de 2025 em Belém, relataram o episódio como um “choque” em meio às preparações para o evento global.
De acordo com relatos policiais e das vítimas, os jornalistas caminhavam em direção à Estação das Docas, na região central de Belém, quando foram abordados por dois homens armados com uma faca e um terçado (facão). Sob graves ameaças, os criminosos exigiram e levaram pertences pessoais: um relógio, um colar e uma carteira contendo documentos.
Felizmente, ninguém ficou ferido fisicamente, mas o trauma emocional foi evidente nos depoimentos iniciais. “Estávamos aqui para mostrar a beleza da Amazônia e os desafios climáticos, não para vivenciar isso”, disse a jornalista argentina, em entrevista ao portal local Ver-o-Fato.A ação rápida de policiais rodoviários federais (PRF), que presenciaram o crime mesmo estando de folga, evitou uma fuga completa.
Um dos suspeitos foi detido após se jogar no rio para escapar da perseguição, enquanto o outro conseguiu fugir e permanece foragido.
Os itens roubados foram recuperados e devolvidos às vítimas. A Polícia Civil do Pará informou que testemunhas serão ouvidas nos próximos dias para identificar o segundo criminoso, e que o caso está sob investigação na Delegacia de Furtos e Roubos.Preocupações com a Segurança na COP30O assalto ocorre em um momento delicado para Belém, que se prepara para receber milhares de delegados, ativistas e jornalistas de todo o mundo para a COP30, o primeiro grande evento climático da ONU na Amazônia brasileira.
A escolha da capital paraense como sede visa destacar a urgência da preservação da floresta, mas episódios como esse reacendem debates sobre a infraestrutura de segurança da cidade. Críticos apontam que a violência urbana, agravada por desigualdades sociais e o crescimento do turismo pré-evento, pode manchar a imagem do Brasil no cenário internacional.Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Pará (Segup) destacou que mais de 19 mil agentes – entre forças estaduais, federais e municipais – estão mobilizados na Região Metropolitana de Belém. “Reforçamos o policiamento ostensivo em pontos turísticos, com rondas a pé, em viaturas e monitoramento por câmeras, para garantir a segurança durante a COP30”, afirmou a pasta.
A Polícia Militar também enfatizou canais de denúncia, como o 190 e o 181, e prometeu operações direcionadas nos próximos dias.Especialistas em segurança pública, como o professor de criminologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), João Silva, alertam que incidentes isolados como esse expõem falhas estruturais. “Belém precisa investir em inteligência policial e integração comunitária, especialmente com a chegada de visitantes internacionais. A COP30 é uma oportunidade, mas também um teste para a cidade”, comentou ele em entrevista ao Metrópoles.Repercussão Internacional e Medidas PreventivasA notícia se espalhou rapidamente por veículos internacionais.
A Al Jazeera, para a qual trabalha o jornalista chileno, emitiu uma nota condenando o ataque e cobrando maior proteção a profissionais de imprensa. Organizações como a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) manifestaram solidariedade e pediram ao governo brasileiro ações concretas para salvaguardar coberturas jornalísticas durante o evento.O governo federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, anunciou o reforço de tropas da Força Nacional em Belém e a criação de um protocolo específico de segurança para jornalistas credenciados na COP30. “Estamos comprometidos em oferecer um ambiente seguro para que o foco permaneça no clima, não na criminalidade”, declarou o ministro Ricardo Lewandowski em coletiva nesta segunda-feira (3).Enquanto isso, os jornalistas vítimas afirmam que não desistirão da cobertura. “Isso só reforça a necessidade de falar sobre desigualdades aqui na Amazônia”, disse o chileno, que já retornou ao trabalho produzindo reportagens sobre o impacto da COP na região.
O episódio serve como lembrete: em meio às discussões globais sobre o futuro do planeta, Belém precisa resolver seus desafios locais para brilhar no palco mundial. A expectativa é que a conferência, prevista para os dias 10 a 21 de novembro, transforme não só políticas ambientais, mas também a realidade urbana da capital paraense.Por Equipe de Reportagem Internacional – Atualização em 4/11/2025

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