Número de Moradores de Rua no Brasil Continua Aumentando: Dados Revelam Crescimento Acelerado em 2025

Brasília, 27 de agosto de 2025
O número de pessoas em situação de rua no Brasil segue em ascensão, agravado pela crise econômica, inflação persistente e impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, que têm gerado demissões em massa em setores como o agronegócio e a indústria.
Dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Assistência, Família e Combate à Fome (MDS) indicam um aumento de cerca de 15% no primeiro semestre de 2025 em relação a 2024, elevando a estimativa nacional para mais de 300 mil pessoas.
Especialistas alertam que, sem intervenções urgentes, o cenário pode piorar, especialmente em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o fenômeno é mais visível.
O termo “moradores de rua” refere-se oficialmente a “pessoas em situação de rua” (PSR), conforme definido pela Política Nacional para a População em Situação de Rua (PNPSR), de 2009. Esses indivíduos vivem em espaços públicos, como calçadas, praças e viadutos, sem moradia fixa ou acesso a serviços básicos. O aumento recente é atribuído a fatores como o desemprego (que subiu para 8,5% em julho de 2025, segundo o IBGE), alta dos preços de alimentos e aluguéis, e a recessão parcial causada pelo “tarifaço” americano de 50% sobre exportações brasileiras, anunciado em julho e ampliado para o aço em 27 de agosto.
Dados e Evolução RecenteDe acordo com o Censo da População em Situação de Rua, realizado pelo MDS em parceria com prefeituras, o Brasil contava com cerca de 281.837 PSR em 2022 – um salto de 37% em relação aos 205.000 estimados em 2019 pelo IBGE. Em 2023, o número subiu para aproximadamente 295.000, impulsionado pela pós-pandemia e pela inflação de 9,3%. Para 2024, relatórios do Observatório da Pobreza (FGV) apontam 310.000 pessoas, com um crescimento de 5% anual.
Em 2025, os números preliminares são alarmantes:

  • Aumento Nacional: +15% no primeiro semestre, totalizando cerca de 320.000 a 350.000 PSR, segundo dados do MDS divulgados em julho. Isso representa um acréscimo de 45.000 pessoas em apenas seis meses.
  • Por Região: O Sudeste concentra 45% do total (cerca de 150.000), com São Paulo liderando (mais de 50.000 em 2024, subindo para 60.000 em 2025). No Sul, o Paraná registra +20% devido a demissões na indústria de madeira afetada pelas tarifas dos EUA. O Nordeste vê um crescimento de 12%, ligado à seca e desemprego rural.
  • Perfil Demográfico: 60% são homens, 40% mulheres; 25% são jovens (18-24 anos); e 30% são idosos ou com deficiências. A presença de famílias com crianças subiu 18%, de 15% em 2023 para 33% em 2025, segundo a Rede Rua.

Esses dados são baseados em contagens pontuais (como o Censo 2022) e relatórios anuais do MDS, mas especialistas como o sociólogo Ricardo Henriques (Ipea) criticam a subnotificação, estimando que o número real possa ser 20-30% maior devido a populações invisíveis em áreas periféricas.

Ano
Estimativa Nacional (milhares)
Aumento Anual (%)
Principais Fatores
2019
205
Pré-pandemia; desigualdade urbana
2022
282
+37%
Impactos da COVID-19; perda de empregos
2023
295
+5%
Inflação alta; recessão inicial
2024
310
+5%
Desemprego pós-eleições; alta de aluguéis
2025 (1º sem.)
320-350
+15%
Tarifas EUA; demissões em agro e indústria

 

Causas do Aumento ContínuoO crescimento acelerado em 2025 é multifacetado, mas o “tarifaço” americano – que afeta US$ 18 bilhões em exportações brasileiras – é um catalisador direto. Como reportado em matérias recentes, empresas como JBS, Marfrig e siderúrgicas (CSN, Gerdau) já demitiram milhares, com estimativas de 110 mil a 320 mil vagas perdidas até o fim do ano. Isso impacta especialmente migrantes internos do Nordeste para o Sudeste, que acabam nas ruas após perderem empregos informais.

Outros fatores incluem:

  • Crise Econômica: Juros altos (Selic em 15%) e dólar elevado encarecem a vida urbana. A pobreza extrema atingiu 13% da população em 2024 (IBGE), com 28 milhões de brasileiros abaixo da linha de US$ 2,15/dia.
  • Falta de Moradia Acessível: Déficit habitacional de 6 milhões de unidades (Fundação João Pinheiro), agravado pela especulação imobiliária em capitais.
  • Saúde Mental e Dependência Química: 40% das PSR têm problemas de saúde mental, segundo o MDS, com o SUS sobrecarregado.
  • Eventos Sazonais: Frio intenso no Sul e chuvas no Sudeste empurram mais pessoas para abrigos, mas a capacidade é limitada (apenas 50.000 vagas em todo o país).

No contexto global, o Brasil segue a tendência de países emergentes, com o Banco Mundial alertando para um “aumento reverso” na população de rua pós-pandemia, similar ao visto na Índia e na África do Sul.

Respostas Governamentais e DesafiosO governo Lula ampliou o Bolsa Família (agora Auxílio Brasil Social) para 21 milhões de famílias em 2025, com R$ 600 mensais, e investiu R$ 2 bilhões no Programa Nacional de Assistência à População em Situação de Rua.
Medidas incluem:

  • Abrigos e Centros de Referência: +10% de vagas em 2025, com foco em São Paulo (Prefeitura planeja 5.000 novas unidades).
  • Plano de Contingência: Parcerias com ONGs como a Cáritas e a Missão Belém para distribuição de kits de higiene e refeições. O MDS lançou o “Rua Viva” em julho, com equipes multidisciplinares para abordagem social.
  • Integração com Políticas Econômicas: O Plano Brasil Soberano (lançado em agosto) inclui créditos para exportadores afetados pelas tarifas, visando preservar empregos e mitigar migrações forçadas.

No entanto, entidades como a Articulação dos Movimentos de População de Rua criticam a lentidão: “Os números crescem porque as políticas são reativas, não preventivas”, afirma o coordenador nacional, João de Deus.

O orçamento para PSR é de apenas R$ 1,5 bilhão em 2025, contra R$ 10 bilhões necessários, segundo o Ipea.Perspectivas e RecomendaçõesAnalistas preveem que, se as negociações com os EUA para reversão das tarifas avançarem (como cogitado por Lula), o desemprego pode estabilizar, reduzindo o fluxo para as ruas em 10-15% até 2026. No entanto, sem diversificação econômica (ex.: foco em BRICS e Ásia), o número pode ultrapassar 400.000 em 2026.
Organizações como a ONU-Habitat recomendam investimentos em moradias sociais e geração de renda, inspirados em modelos como o de Medellín (Colômbia).Para combater o problema, especialistas sugerem: ampliar o Cadastro Único (CadÚnico) para PSR, investir em educação e saúde mental, e monitorar impactos das tarifas via OMC.
Enquanto isso, voluntários e igrejas preenchem lacunas, mas o Estado precisa liderar. O aumento contínuo é um alerta social: em um país com desigualdade de Gini 0,52 (o 10º pior do mundo), a rua reflete falhas sistêmicas. Fique atento: relatórios mensais do MDS serão divulgados em setembro, podendo confirmar a tendência.

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