Pobreza Extrema no Brasil: atinge 13% da População (28 Milhões)

  • Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Observatório da Pobreza da Fundação Getulio Vargas (FGV), cerca de 13% da população brasileira – aproximadamente 28 milhões de pessoas – vive em pobreza extrema, definida pelo Banco Mundial como renda inferior a US$ 2,15 por dia (cerca de R$ 12 em valores de agosto de 2025, com o dólar a R$ 5,60).
  • Esse número reflete uma piora em relação a 2023, quando a pobreza extrema afetava 12,5% (26 milhões), impulsionada pela inflação acumulada de 5,2% em 2025 e pelo aumento do desemprego em setores impactados pelas tarifas dos EUA (como agro, madeira e siderurgia). O relatório “Síntese de Indicadores Sociais” do IBGE de 2024 já apontava um aumento pós-pandemia, e projeções para 2025 confirmam a tendência.

 

  • Fatores Agravantes:
    • Impacto das Tarifas Americanas: As tarifas de 50% impostas pelos EUA, incluindo a nova sobre aço (anunciada em 27/08/2025), afetam US$ 18 bilhões em exportações, gerando demissões estimadas entre 110 mil e 320 mil vagas. Setores como carne bovina, café e madeira, que empregam populações vulneráveis, enfrentam perdas, reduzindo a renda de trabalhadores informais e rurais.
    • Inflação e Custo de Vida: O IPCA acumula 5,2% no ano, com alta de 6% em alimentos e 8% em aluguéis, pressionando famílias de baixa renda. O custo médio de uma cesta básica em São Paulo é de R$ 1.200, contra um salário mínimo de R$ 1.412.
    • Desigualdade Regional: O Nordeste concentra 50% dos pobres extremos (14 milhões), seguido pelo Norte (4 milhões). Capitais como São Paulo e Rio têm aumento de pobreza urbana devido à migração interna e ao déficit habitacional (6 milhões de moradias, segundo a Fundação João Pinheiro).

 

  • Políticas de Mitigação: O governo Lula expandiu o Bolsa Família (agora Auxílio Brasil Social) para 21 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 600, mas a cobertura não alcança todos os elegíveis devido a gargalos no Cadastro Único (CadÚnico). Programas como o “Rua Viva” e o Plano Brasil Soberano (R$ 30 bilhões em créditos) tentam aliviar os impactos, mas o orçamento para pobreza extrema (R$ 10 bilhões em 2025) é insuficiente, segundo o Ipea.

Aumento da População em Situação de Rua: 320-350 Mil

  • Estimativas Atuais: O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e o Censo da População em Situação de Rua de 2022, atualizado em 2024, estimam que o número de pessoas em situação de rua (PSR) subiu de 310 mil em 2024 para 320-350 mil no primeiro semestre de 2025, um aumento de 15%. Esse crescimento é corroborado por dados de prefeituras e ONGs como a Rede Rua, que apontam subnotificação de até 30%, sugerindo que o número real pode se aproximar de 400 mil.

 

  • Causas Específicas:
    • Desemprego e Demissões: As tarifas americanas, especialmente sobre aço e madeira, levaram a demissões em massa no Sul (Paraná, Santa Catarina) e Sudeste (São Paulo, Minas Gerais). Por exemplo, a Abimci relata 10 mil empregos perdidos na indústria madeireira, e a JBS cortou turnos em frigoríficos no Mato Grosso. Isso empurra trabalhadores informais e migrantes para as ruas.
    • Crise Habitacional: O déficit de 6 milhões de moradias e a alta de aluguéis (8% em 2025) tornam a moradia inacessível. Em São Paulo, a população de rua cresceu de 50 mil para 60 mil, com famílias representando 33% do total (contra 15% em 2023).
    • Saúde Mental e Vulnerabilidades: 40% das PSR apresentam transtornos mentais ou dependência química, segundo o MDS, com o SUS incapaz de atender a demanda. O aumento de jovens (25%) e idosos (30%) nas ruas reflete abandono familiar e falta de suporte.

 

  • Distribuição Geográfica:
    • São Paulo: Maior concentração, com 60 mil PSR (25% do total nacional). A Cracolândia permanece um ponto crítico, apesar de operações como a Redenção.
    • Rio de Janeiro: Cerca de 20 mil PSR, com aumento de 10% em 2025.
    • Nordeste e Sul: Recife e Porto Alegre registram crescimentos de 12% e 20%, respectivamente, ligados a secas e demissões industriais.

 

  • Respostas Governamentais: O programa ” R ua Viva” do MDS expandiu vagas em abrigos (50 mil no total, insuficiente) e equipes de abordagem social. Prefeituras como São Paulo planejam 5 mil novas vagas em 2025, mas a burocracia e a falta de orçamento limitam o impacto. ONGs como Cáritas e Missão Belém relatam sobrecarga.

Impactos e Perspectivas

A pobreza extrema e o aumento de moradores de rua são sintomas de uma desigualdade estrutural (Gini de 0,52, um dos piores do mundo) agravada por choques externos como as tarifas dos EUA.
O superávit comercial de US$ 45 bilhões (janeiro-julho) e o crescimento do turismo (R$ 26,4 bilhões) oferecem alívio, mas não chegam às camadas mais pobres. Se as negociações com os EUA (via OMC ou bilaterais) garantirem isenções, o desemprego pode estabilizar, reduzindo o fluxo de PSR em 10-15% até 2026. Caso contrário, o Ipea projeta 400 mil PSR em 2026.
Recomendações:

  • Curto Prazo: Ampliar o CadÚnico para incluir mais PSR, reforçar o SUS em saúde mental e acelerar moradias sociais (ex.: Minha Casa, Minha Vida).

 

  • Longo Prazo: Investir em educação e empregos formais, diversificar exportações para Ásia/BRICS e negociar isenções setoriais com os EUA (ex.: nióbio, isento de tarifas).
  • Sociedade Civil: Parcerias com ONGs e igrejas para distribuição de alimentos e kits de higiene.

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