Polícia Federal Cumpre Mandados de Busca e Apreensão em Presidente Prudente (SP) contra Dupla Ligada a Fraudes no INSS pela Conafer

Presidente Prudente, SP, 14 de maio de 2025 – A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), uma nova fase da Operação Sem Desconto, cumprindo dois mandados de busca e apreensão em Presidente Prudente, interior de São Paulo. A ação tem como alvo uma dupla suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ligado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer).
Os alvos desta fase são Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e Ingrid Pikinskeni Morais Santos, esposa de Cícero. Segundo a PF, a dupla é investigada por utilizar recursos provenientes das fraudes para a aquisição de veículos de alto valor, como parte de um esquema que desviou cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

A Operação Sem Desconto apura descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários, realizados por entidades como a Conafer, que cobravam mensalidades de aposentados e pensionistas sem consentimento. A confederação teria recebido mais de R$ 688 milhões desde 2019, com um aumento expressivo de arrecadação, passando de R$ 350,2 mil em 2019 para R$ 202,3 milhões em 2023, segundo investigações.

Os mandados, autorizados pela 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, visam aprofundar a investigação e identificar bens ocultos adquiridos com o dinheiro desviado, incluindo carros de luxo e outros ativos. Durante a primeira fase da operação, em abril, a PF apreendeu itens como uma Ferrari, joias, relógios de luxo e dinheiro em espécie, além de afastar seis servidores públicos, incluindo o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

A Conafer, que atua na representação de agricultores familiares e trabalhadores rurais, é suspeita de oferecer serviços como descontos em academias e planos de saúde, sem estrutura para tal, enquanto realizava os descontos indevidos. A Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que nenhuma das 56 vítimas ouvidas em 16 estados autorizou os repasses à entidade.

A PF e a CGU continuam rastreando movimentações financeiras e analisando documentos para mapear o alcance do esquema e garantir a recuperação dos valores desviados. O INSS orienta que vítimas de descontos irregulares consultem o aplicativo Meu INSS para verificar cobranças indevidas e contestá-las.

A ação desta quarta-feira reforça o compromisso das autoridades em desmantelar esquemas que prejudicam aposentados e pensionistas, com a PF intensificando esforços para responsabilizar os envolvidos e recuperar o patrimônio desviado.

Com informações da Polícia Federal, Metrópoles e G1.

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