O volume de novos pedidos também impressiona. Em 2025, cerca de 1.600 a 2.466 empresas entraram com pedido de recuperação judicial, dependendo da base consultada, com forte aceleração no final do ano (510 novos pedidos só no último trimestre). O valor total das dívidas envolvidas chegou a R$ 40 bilhões em um único trimestre, salto de 150% em relação ao período anterior.
Setores mais afetados e perfil das empresasO setor de serviços lidera os pedidos, mas o fenômeno se espalhou para comércio, indústria e micro e pequenas empresas — estas últimas cada vez mais presentes nos tribunais, ao contrário de ciclos anteriores dominados por grandes companhias. Analistas apontam juros altos por período prolongado, custo elevado do crédito, aumento da carga tributária e incertezas regulatórias como fatores que pressionaram o caixa das empresas.
Especialistas da área de reestruturação empresarial observam que o recorde atual supera inclusive os picos da crise de 2015-2016. O Monitor RGF, baseado em dados da Receita Federal, mostra que o estoque de empresas em recuperação judicial cresceu consistentemente desde 2023, primeiro ano completo do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
Já o governo Lula defende que os números refletem maior acesso ao mecanismo de recuperação judicial — facilitado por reformas anteriores — e que o país evitou uma onda maior de falências puras. Fontes oficiais destacam a resiliência do mercado de trabalho e o controle da inflação como contraponto. No entanto, mesmo fontes independentes como a Serasa Experian confirmam o recorde de pedidos.
Perspectivas para 2026Especialistas alertam que 2026 pode ser ainda mais desafiador. Com o ritmo de saídas da recuperação judicial baixo (apenas cerca de um terço dos pedidos consegue se recuperar plenamente) e taxa de falências pós-recuperação chegando a 37% em alguns trimestres, o temor é de um “efeito cascata” sobre emprego, cadeia de suprimentos e arrecadação.
O caso ilustra um dos maiores dilemas da economia brasileira atual: empresas pedem socorro à Justiça não necessariamente por má gestão individual, mas por um ambiente macroeconômico que combina custo de capital elevado com pressão fiscal crescente.Enquanto o governo celebra indicadores como geração de empregos formais, o recorde de recuperações judiciais serve como termômetro da saúde do tecido empresarial brasileiro — especialmente das pequenas e médias empresas, motor silencioso da economia.















