Entenda o envolvimento do PT da Bahia com o Banco Master

O escândalo do Banco Master, que culminou na liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, envolve fraudes estimadas em bilhões de reais e tem colocado em evidência as conexões do controlador Daniel Vorcaro com políticos de diferentes partidos, incluindo figuras centrais do PT na Bahia.
O caso ganhou contornos políticos fortes no estado, berço do crescimento de parte das operações do banco por meio do programa Credcesta, um cartão de crédito consignado para servidores públicos.Origem baiana: do Cesta do Povo ao CredcestaO programa teve origem em 2007, durante o governo Jaques Wagner (PT), inicialmente como “Cesta do Povo”, um benefício para compras em supermercados estatais com desconto em folha.
Com o tempo, evoluiu para crédito consignado.Durante a gestão de Rui Costa (PT, ex-governador e atual ministro da Casa Civil), a parceria se consolidou. Em 2018-2022, o Credcesta passou a operar como cartão de crédito consignado em modelo de exclusividade com o Banco Master (então Máxima). Um decreto de 2022, criticado pela oposição, restringiu a portabilidade para outros bancos com juros menores, o que teria beneficiado a instituição.

Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, foi figura central nessa expansão. Ele entrou no negócio após a privatização de ativos da extinta rede estatal baiana e levou o Credcesta para o Master, que se expandiu para outros estados e até para o INSS.Ligações citadas nas investigações

  • Jaques Wagner: Sua nora, Bonnie Bonilha, teve empresa (BK Financeira) que recebeu cerca de R$ 11 milhões do Master por serviços de indicação de convênios. Wagner nega irregularidades e afirma que sua relação se limita à privatização da rede de supermercados. Ele nega ter articulado favores ao banco.

 

  • Rui Costa: Acusado pela oposição de ter criado condições favoráveis via decretos e parcerias. Costa defende que a operação foi uma forma de viabilizar o ativo após tentativas de privatização.
  • Outros nomes: Reportagens citam supostos pagamentos a consultores e aliados petistas. Delações em negociação de Vorcaro mencionam repasses a integrantes do PT da Bahia em troca de facilidades no Credcesta. Guido Mantega também é citado em alguns relatos.

O PT baiano e o partido nacional contestam qualquer “vínculo orgânico”. Jaques Wagner e aliados argumentam que o crescimento explosivo do Master e as fraudes principais ocorreram ou se aprofundaram após a saída de Augusto Lima (2023) e durante gestões federais anteriores, incluindo autorizações do Banco Central no governo Bolsonaro.

O partido também destaca doações de Vorcaro e aliados para candidatos de direita.
Contexto mais amploO Banco Master foi liquidado após suspeitas de fraudes bilionárias, especialmente na venda de carteiras de crédito fictícias ou infladas ao BRB (Banco de Brasília).
O rombo atingiu o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em dezenas de bilhões. Daniel Vorcaro foi preso preventivamente e negocia delação premiada com a PF e PGR. As investigações (Operação Compliance Zero) alcançam políticos de vários espectros, incluindo ACM Neto (União Brasil), Flávio Bolsonaro e outros.
Até o momento, não há condenações definitivas contra os nomes políticos mencionados. As apurações continuam sob sigilo em partes relevantes.O caso Master ilustra como um produto financeiro de origem estadual (Bahia) se nacionalizou e, após o colapso, virou instrumento de disputa política em ano eleitoral.
A oposição, especialmente de direita, usa o caso para atacar o PT; o partido responde destacando a transversalidade das conexões de Vorcaro.
Fontes: Reportagens de O Globo, CNN, Gazeta do Povo, Metrópoles e declarações públicas de envolvidos.

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