Lil Zé: tem 12 anos, é de São Paulo, mais concretamente de Presidente Epitácio, e desde 2018 que publica músicas no YouTube — e lançou o álbum Sauce no ano passado.

Com esta idade, o rapper apresenta já uma qualidade digna de se tirar o chapéu, não só por escrever as próprias letras, mas também pela produção e mistura dos beats estilo cloud rap sob os quais rima. Lil Zé representa a geração que cresceu a ouvir trap.

Desde a utilização de termos anglo-saxónicos como shawty no meio das suas letras cantadas em português do Brasil, ao próprio bucket hat que usa sempre nos seus videoclipes, o jovem artista brasileiro dá os primeiros passos no hip hop e apresenta já mais de 100 mil visualizações em “Heart”, “Skype”, “Fusca Drift” e “Kirby” no YouTube, lançadas em 2019 e nas quais mistura referências a uma cultura de ostentação e de luxo com a sua realidade enquanto pré-adolescente que ainda gosta de desenhos animados e brinca com nerf guns.

Em “For Real”, última música a solo que lançou, Lil Zé mostra os seus sentimentos a alguém que gosta, convidando-a a ir comer um “McLanche Feliz” (Happy Meal) e oferecendo-lhe bolsas da Hello Kitty e da Louis Vuitton para a deixar feliz. O instrumental trap com melodias etéreas e 808s parece enquadrar-se perfeitamente no mundo de uma criança, que cria uma canção leve sobre amor com um refrão contagiante que nos dá vontade de querer dedicar a alguém especial, muito em parte pela sinceridade nas palavras dele; como sabemos, as crianças têm a virtude da sinceridade nas suas acções e palavras.

Este pequeno artista abre-nos as portas a um universo de pequenos grandes rappers como Jeezrel Neery e YungKid’Raph, cujo trap lhes corre pelo corpo sem sequer terem atingido ainda a puberdade.

Este fenómeno revela a importância que o trap tem tido na cultura não só brasileira, mas global, atingindo com maior impacto a geração que nasceu no virar do século.

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