Engenheiro civil e professor da Toledo, Roberto Ito pede atenção redobrada ao utilizar variedade de artigos dispostos no mercado, pois qualquer acidente elétrico tem potencial para gerar fatalidades

É chegada a época de festas, e ainda mais num ano totalmente atípico como 2020, o momento pede renovação, confraternizações limitadas, e cuidados redobrados com a higiene interpessoal. Mas e as instalações de luzes [como os piscas-piscas], luminárias, e outros artigos natalinos que são encontrados em grande variedade no mercado? Será que os cuidados são redobrados para evitar acidentes?”, indaga o engenheiro civil mestre Roberto Ito, que é professor da Toledo Prudente Centro Universitário dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Engenharia de Produção.

Ele acredita ser importante frisar dois danos potenciais neste tipo de ocorrência. O primeiro e mais importante diz respeito ao risco à vida: “não devemos nos esquecer do recente acidente ocorrido no Centro de Treinamento do Flamengo no Rio de Janeiro [Ninho do Urubu], em fevereiro de 2019, que causou 10 vítimas fatais e três feridos. A perícia identificou como causador da tragédia a instalação incorreta de aparelhos de ar-condicionado, que ocasionou o fogo que dizimou as instalações”, acentua o professor.

Segundo ele, qualquer acidente de ordem elétrica tem potencial para gerar fatalidades, quer seja por descarga direta (choque elétrico), quer seja pela geração de incêndio em edificações, este último, o segundo dano potencial mais grave.
“Muitas pessoas não fazem ideia, mas uma descarga elétrica de 9V [volts], que pode ser gerada a partir de uma bateria comum, pode vitimar uma pessoa. Nosso corpo funciona através de impulsos elétricos gerados a partir do cérebro, que estimula nossos músculos a se contraírem e realizarem suas funções. Uma arritmia cardíaca causada por uma tensão de toque externa, como citado anteriormente, pode vitimar uma pessoa”, enfatiza Roberto Ito.
O profissional destaca que as instalações de pisca-piscas e adereços natalinos são geralmente feitas pelo próprio usuário, de maneira doméstica, sem a supervisão de profissional habilitado, arquiteto, eletricista, engenheiro civil ou elétrico. “Podemos minimizar riscos de acidentes de maneira muito simples, basta observar algumas pequenas dicas [veja no box da matéria]” orienta o professor.

DICAS IMPORTANTES

1.    Sempre escolha artefatos elétricos que possuam selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). Eles foram testados, quanto à dimensão (bitola) de sua fiação, características de sua montagem, fixação e isolamento de seus componentes, minimizando o risco de curto-circuito;
2.    Nunca utilize fontes, Ts (benjamins ou outros multiplicadores de ligações). Eles geram sobrecarga e podem danificar o circuito elétrico em sua edificação;
3.    Dê preferencia a iluminações “frias” (led), elas emitem mais luminosidade e menos calor, além de consumirem muito menos energia;
4.    Evite aproximar a fiação de materiais combustíveis como plásticos, papéis, madeira, se tiver dúvida quanto a possibilidade de propagação de chamas de um material, simplesmente evite aproximá-lo da instalação;
5.    Quando for ligar a fiação em uma tomada, procure saber em qual circuito do seu quadro elétrico esta tomada está conectada. Em caso de acidente, será importante desarmar manualmente o disjuntor (se este não desarmar automaticamente), evitando a propagação da anomalia para os outros circuitos do imóvel;
6.    Se for possível, verifique se este circuito está protegido por disjuntores do tipo IDR e DTM. Um disjuntor do tipo IDR (interruptor disjuntor residual) protege as pessoas quanto a descargas elétricas, detectando a passagem irregular de carga e interrompendo automaticamente a passagem de corrente. Nosso corpo é um mal condutor de corrente elétrica, músculos, ossos, e outros tecidos possuem condutividade diferente, se o IDR detectar essa passagem irregular pode prevenir riscos a pessoas. Os disjuntores convencionais, do tipo DTM (disjuntor termomagnético), protegem os circuitos do superaquecimento, respondendo pela maior parcela dos acidentes;
7.    Nunca compartilhe tomadas com outros equipamentos conectados;
8.    Evite emendas, extensões, e outras adaptações, elas aumentam a chance de contato de pessoas (em especial crianças) com a fiação energizada;
9.    A maior parcela dos danos físicos às pessoas em um incêndio, ao contrário do que pensamos, é gerada pelas inalações de gases tóxicos, desprendidos pela queima de plásticos e outros compósitos presentes nos materiais, e não pelo contato direto com o fogo, como foi o caso da Boate Kiss (2013). Se possível, instale sua iluminação decorativa em área externa, abrigada de chuvas e umidade, a fim de evitar a propagação deste tipo de gases em área confinada, dentro de casa;
10.    Evite enrolar várias voltas de um cabo elétrico nas árvores de Natal ou outras decorações, isto pode, em casos extremos, causar um efeito “resistência”, que pode ocasionar o superaquecimento da ligação e nos materiais diretamente em contato com ela;
11.    Nunca repare domesticamente fiações ou pisca-piscas que tenham apresentado como motivo de falha o superaquecimento, isto indica que algo errado está acontecendo;
12.    Mau cheiro, aquecimento de cabos ou conectores, luzes piscando aleatoriamente (em desacordo com a programação prevista) são sinais de que algo não vai bem. Neste caso, nunca reaproveite o aparelho.

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