Dívida dos brasileiros volta a subir e já corrói 27% da renda, maior patamar desde início do Desenrola

A dívida das famílias brasileiras voltou a crescer e alcançou, em abril de 2025, o maior nível desde o início do programa Desenrola Brasil, lançado em julho de 2023.
Segundo dados do Banco Central, o endividamento das famílias chegou a 27% da renda anual, um aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. Esse é o maior patamar registrado desde o começo do programa, que buscava aliviar o peso das dívidas por meio de renegociações e descontos.
O aumento do endividamento reflete a combinação de juros altos, inflação persistente e crescimento tímido da renda. A taxa Selic, mantida em 10,75% ao ano, encarece o crédito, especialmente em modalidades como cartão de crédito e cheque especial, que chegam a taxas superiores a 300% ao ano. Além disso, a alta nos preços de bens essenciais, como alimentos e energia, tem pressionado o orçamento das famílias, forçando o uso de crédito para cobrir despesas básicas.
O programa Desenrola, que renegociou mais de R$ 50 bilhões em dívidas para cerca de 15 milhões de brasileiros até o início de 2025, trouxe alívio temporário, mas não foi suficiente para conter a escalada do endividamento. Especialistas apontam que a falta de educação financeira e a dependência de crédito rotativo seguem como desafios estruturais. “O Desenrola foi um paliativo importante, mas sem políticas de longo prazo para aumentar a renda e controlar a inflação, o endividamento volta a crescer”, afirma Mariana Costa, economista da FGV.
Regiões como Nordeste e Centro-Oeste registram os maiores níveis de comprometimento da renda, com 30% e 28%, respectivamente. Modalidades como crédito pessoal e financiamento imobiliário também ganharam peso no orçamento familiar. O Banco Central projeta que, sem medidas adicionais, o endividamento pode continuar subindo, corroendo ainda mais a capacidade de consumo e investimento das famílias.
O governo anunciou que avalia novas rodadas de renegociação de dívidas, mas detalhes ainda não foram divulgados. Enquanto isso, consumidores são orientados a priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos e buscar alternativas como consórcios ou empréstimos com taxas mais baixas. A situação reforça a necessidade de políticas públicas que promovam o aumento da renda e a redução da dependência de crédito.
Fonte: Banco Central do Brasil, FGV e Serasa Experian.

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